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  • "Ser uma influenciadora digital quase me levou a não querer viver mais"

Como é ter 2,7 milhões de ‘amigos’ e ainda assim se sentir sozinha? Foi o que aconteceu com a brasileira Nina Dantas, que vive no México e faz vídeos em espanhol. Ela é influenciadora digital e uma das estrelas da rede social TikTok, aplicativo de mídia para criar e compartilhar vídeos curtos. Humberto Souza de Arruda comenta.

  • Data :07 Aug, 2023
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Como é ter 2,7 milhões de “amigos” e ainda assim se sentir sozinha?

Foi o que aconteceu com a brasileira Nina Dantas, que vive no México e faz vídeos em espanhol.

Ela é influenciadora digital e uma das estrelas da rede social TikTok, aplicativo de mídia para criar e compartilhar vídeos curtos.

Nina é famosa por seus vídeos de comédia, mas, recentemente, a pressão constante de gerar novo conteúdo acabou prejudicando sua saúde.

“Estava me sentindo muito ansiosa. Não queria acordar, não queria sair da cama”, diz ela.

“Mas, ao mesmo tempo, sentia essa pressão, como se tivesse que fazer algo, mas não conseguia. Foi uma fase muito complicada. Cheguei ao ponto de que ’não quero mais viver’.”

Foi quando disse a mim mesma: ‘Se estou pensando nisso, é porque realmente preciso de ajuda’.

Influenciadores digitais podem se sentir isolados, apesar de ter muitos amigos virtuais.

Amigos, amigos de verdade, tenho poucos. Meus seguidores são pessoas que me adicionam para ser meus amigos, mas são amigos diferentes, porque estão esperando por conteúdo"

“Não são amigos que vão me ajudar ou me dar conselhos ou qualquer coisa do tipo.”

Nina diz que separar sua vida pessoal da virtual ajudou em sua recuperação.

Notícia publicada na BBC News Brasil , em 10 de janeiro de 2019

Humberto Souza de Arruda* comenta

Há muitas décadas a tecnologia vem nos aproximando cada vez mais pelo globo. As cartas fizeram com que pessoas se comunicassem, pelo mundo, nas mais variadas e improváveis situações. Em guerras, filhos mandavam notícias às mães. Em cidades remotas, casais apaixonados podiam continuar trocando juras de amor quando afastados por viagens longas. Jogadores mais astutos travaram longas e elaboradas partidas de xadrez de onde estivessem.

Posteriormente outros meios de comunicação superaram as cartas. Seja do Telégrafo ao telefone residencial, os acessos a estes recursos não eram muito acessíveis, mas tinham certa popularidade na época. Entretanto, conseguiram diminuir as distâncias mais rápido. E o interessante é que quanto mais popular foi ficando o acesso, mais queríamos nos comunicar com um número maior de pessoas. Assim, chegou a nós a internet. Que em pouco tempo nos trouxe celulares e câmeras acessíveis para que pudéssemos nos comunicar cada vez mais com um número maior de pessoas, simultaneamente. Agora com texto, som e imagem.

Nesta breve recordação da evolução da comunicação, de cartas a transmissões ao vivo para redes sociais, percebemos o quanto trocamos a intensidade de uma comunicação pela popularidade desta, em muitas situações. Passamos muito rápido de alguns amigos a vários. Centenas ou milhões de amigos como o caso da Nina Dantas.

Bons amigos, ensinam e aprendem juntos. O que esperam um dos outros, entendendo e aceitando o que ambos podem oferecer. Seja em um meio presencial, distante ou até virtual. A intensidade deste convívio faz com que os laços demorem em se romper ou que não se rompam. Porque aprendemos a perceber a diferença de competências dos amigos.

Diante de um problema dental, não posso colocar nas mãos do meu amigo jardineiro a solução desta questão. E não seria diferente pedir ajuda a minha amiga psicóloga sobre uma infestação de ervas daninhas no jardim.

Os amigos que passam em cada momento de cada uma de nossas existências, não são por acaso. São grupos de indivíduos que se aproximam por interesses comuns aos nossos, sejam desta ou de outras existências. Mas por muitas vezes, não damos a eles a importância devida. E estas aproximações, sejam em qualquer nível de intensidade, acontecem também com o que poderíamos dizer de espectadores nossos. Estes não são espectadores virtuais, são presenciais mesmo. São nossos seguidores da vida.

Mas, na verdade, entendemos que não são simples espectadores. As pessoas que parecem ser somente seguidores dos nossos vários “canais” que publicamos em nossas existências, também são amigos. Muitos destes estão torcendo por nós, muitos estão orando por nós, e acreditem, muitos estão ajudando anonimamente para estes “canais” nossos se melhorem. Sejam em vários momentos da escola, do trabalho, da família, ou em simples viajem de ônibus, criamos seguidores que sempre irão nos ajudar.

Estes seguidores chegam até nós, de forma natural e em quantidade maior que possamos perceber. Mas, quando desejamos que este número aumente e aumente sempre, passamos a ter uma atividade que requer uma atenção especial, como a atividade dos influenciadores digitais.

Sejam presenciais ou virtuais teremos seguidores por afinidade espiritual.

Um dos pilares que a doutrina espírita nos trouxe é o entendimento do sentido da vida, é a afinidade espiritual, mas, outros pilares como a imortalidade da alma, lei de causa e efeito e a reencarnação, estão juntos para nos ajudar no entendimento. A afinidade espiritual nos aproxima de espíritos afins.

Os Espíritos seguidores, dos nossos diversos canais que criamos no dia a dia, têm interesses em aprender, ensinar, criticar ou outros sentimentos pertinentes à afinidade que têm por nós. Então, vendo desta forma, precisamos ter um carinho especial por quem nós cativamos e por quem nos segue na vida.

Somos responsáveis por quem nós influenciamos intencionalmente ou não. Na forma como pensamos ou agimos, mostramos um exemplo a ser seguido. Ou, pelo menos, o que não seguir. Dessa forma, faz-se necessária a separação dos interesses pertinentes aos canais que criamos. Se quero mostrar um perfil meu que demonstre uma pessoa que seja bastante atualizada, preciso deixar claro que não sou a mais atualizada do mundo, para quando estiver com menos informações novas, eu não decepcione ninguém.

Esta separação do que é o canal que criamos e o que realmente somos é importante para que não percamos o foco na nossa constante evolução. Sempre convivemos com quem gostaríamos de ser, com quem somos e com quem gostaríamos que fossemos. Esta separação, graças a Deus, foi um salutar caminho que a Nina Dantas fez a tempo de retomar um melhor controle da sua existência junto ao seu trabalho.

  • Humberto Souza de Arruda é evangelizador, voluntário em Área da Promoção Social Espírita (APSE) e colaborador do Espiritismo.net.