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Aos 51 anos, Julia Roberts lamenta ataques nas redes: "Horrível e velha"

Da Universa

Julia Roberts construiu uma carreira impecável ao longo dos anos, desde "Uma Linda Mulher" até a série "Homecoming", atualmente no ar pela Amazon.

Aos 51 anos, a atriz teve que lidar com diversos ataques nas redes sociais após postar uma foto em seu Instagram em que aparece ao lado da sobrinha, também atriz, Emma Roberts. No clique ela posa sem maquiagem, óculos e cabelo preso.

Em entrevista à "Fox News", Julia contou ter recebido diversos comentários negativos sobre sua aparência nos comentários, muitos deles dizendo como ela ficava "feia" sem maquiagem.

"Muitas pessoas se sentiram no direito de falar sobre como eu estava horrível e velha, que não estava envelhecendo bem. Falaram que eu parecia um homem e perguntaram o motivo de eu ter publicado esta imagem se estava tão feia", comentou.

Vencedora do Oscar de Melhor Atriz, em 2001, a atriz confessou ter ficado abalada pelas críticas, mas reconheceu estar "feliz" por passar por isso.

"Sou uma mulher de 50 anos, sei quem sou, e ainda assim fiquei chateada. Estou muito feliz de ter passado por isso, porque tive uma visão de uma forma de viver que ainda não entendia muito bem", concluiu.

Notícia publicada no BOL Notícias, em 14 de novembro de 2018.

Sergio Rodrigues* comenta

Esta situação, infelizmente, tornou-se recorrente nos últimos tempos. Frequentemente chegam notícias de pessoas que sofrem bullying sob os mais variados “motivos”, tais como peso, altura e outras características de ordem física.

A Internet – há que se reconhecer – é um instrumento criado pelo avanço tecnológico e colocado à disposição da humanidade, certamente com propósito de facilitar a integração entre os homens, a propagação da cultura, a informação mais breve possível, enfim, sempre visando melhorar as condições de vida na Terra. No entanto, tem como característica ser um instrumento neutro, nem bom nem mau por si mesmo, pois os nobres fins a que se propõe são dependentes da ação do homem. Assim, o que qualifica esse instrumento é o seu uso, isto é, a intenção e os objetivos daqueles que dele se servem.

Desse modo, casos de assédio e abuso de crianças, por exemplo, acontecem a todo momento, tendo esse meio de comunicação como intermediário. O caso em questão não alcança esse nível de gravidade, mas é igualmente frequente e reprovável, podendo causar danos psicológicos naqueles que são seus alvos. A atriz mencionada, admirada e premiada em todo o mundo por seu reconhecido talento e também por sua inconteste beleza, foi vitimada por esse verdadeiro bullying por uma simples foto postada, em que aparece como é de fato na vida real, sem estar produzida artificialmente, como é necessário aos papéis que desempenha no cinema.

Embora se trate de pessoa experiente, acostumada a elogios e críticas a que os que exercem algum tipo de arte estão sujeitos, confessa que não passou indiferente pela situação, ficando abalada com os comentários, não apenas negativos sobre sua aparência, mas também um tanto hostis. Tratando-se de uma artista renomada, que recebeu durante a carreira mais elogios do que críticas negativas, como ser humano que é sentiu a experiência e reconhece que ficou “chateada”.

É claro que a liberdade de expressão de pensamentos e ideias, inclusive quando forma juízo de valor, não pode ser restringida nem censurada. Cada um tem o direito de externar o que pensa livremente, sem perder de vista que, quando assim se manifesta, assume também responsabilidade pelo que exprime. No caso, seria exagero se cogitar de um ato passível de punibilidade em relação a esses críticos. Contudo, antes de manifestar uma avalição dessa natureza, há que se refletir sobre as possíveis consequências que poderão advir para aqueles a quem a crítica é dirigida. Qualificar alguém como “horrível e velha” não chega a se constituir um agravo moral. Porém, é preciso ponderar em que essa qualificação pode contribuir, como vai ser recebida e se resultará algo positivo.

Todos temos que reconhecer o quanto a questão da beleza e da aparência em geral é sensível para as mulheres. Quando se trata de alguém célebre, que se acostumou a ser exaltada por esses atributos, a sensibilidade é afetada de modo ainda mais agudo, e é presumível o mal que se estará causando, sem qualquer proveito a quem quer que seja. Essa é uma avaliação que o direito de externá-la deve ficar restrito à própria pessoa, que deve ter o bom senso de compreender ser natural e inevitável a ação do tempo sobre a aparência do corpo físico.

Reconhecemos, portanto, o direito inalienável dos que se manifestaram dessa maneira, mas também lamentamos a falta de sensibilidade para compreender o mal previsível que poderiam ocasionar a essa atriz, ferindo-a naquilo que para ela, com certeza, era algo precioso e motivo de realização pessoal.

* Sergio Rodrigues é espírita e colaborador do Espiritismo.Net.