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A história de William Sidis, a pessoa mais inteligente que já existiu

Ele tinha 250 pontos de QI e se tornou professor da Universidade Harvard com apenas 16 anos. Mas sua vida não foi das mais felizes

Por Alexandre de Santi

O americano William James Sidis, que nasceu em 1898 em Nova York, foi a pessoa mais inteligente de todos os tempos – pelo menos segundo os testes de QI. Ele ficou famoso por realizar proezas mentais espantosas e pelo seu quociente de inteligência, que foi estimado em 250 pontos (2,5 vezes maior que a média da população, 100 pontos).

Aos 18 meses de idade, William já sabia ler; aos 2, aprendeu sozinho latim e, aos 3, grego. Aos 11 anos, ganhou uma vaga na Universidade Harvard. Formou-se com louvor aos 16 anos e se tornou o professor mais novo da instituição. Falava 40 línguas. Tudo estava encaminhado para que ele tivesse um futuro brilhante. Mas William não quis. Ele se dizia traumatizado pelo passado como criança prodígio, e decidiu renegar tudo o que lembrasse aquilo.

Pediu demissão e passou o resto da vida pulando entre empregos braçais, que não exploravam sua inteligência descomunal: trabalhou operando máquinas e como chapeiro numa lanchonete. Recusava-se a pensar em matemática ou a resolver equações de cabeça, tarefa impossível para uma pessoa comum – coisa que ele passou a infância fazendo. Para se sentir normal, colecionava miniaturas de bondes e estudava a história de Boston. Tinha nojo de sexo e fez voto de castidade ainda na adolescência. Vestia uma mesma túnica no inverno e verão e não era afeito ao banho. Morreu aos 46 anos, virgem, de hemorragia cerebral.

Notícia publicada na Revista Superinteressante, em 15 de fevereiro de 2018.

Valerie Nascimento* comenta

“O homem que se desencarna sem as asas do gênio sublimado na fé e na virtude assemelha-se, de algum modo, ao navegador do século XVI que, descobrindo terras novas, plantava o domicílio no litoral, incapaz de romper os laços com a retaguarda, de modo a seguir gradativamente, na direção da floresta.” (Irmão X.)

Até pouco tempo o único parâmetro para se medir a inteligência de alguém era o teste de quociente de inteligência - QI. Hoje as conquistas das neurociências avançaram bastante e consideram que a inteligência humana possui “múltiplas capacidades que se misturam à genética, à prática e a fenômenos inconscientes”.

Mas ainda assim e levando em consideração o quociente de inteligência, sabemos que Jerry Lewis, por exemplo, possuía um QI=145; portanto, um dos gênios do humor, já que o nível médio de inteligência da maioria das pessoas é em torno de 90-110. Bill Gates, grande prodígio da informática e fundador da Microsoft, e Stephen Hawking, gênio da física, obtiveram 160. Já William Sidis, protagonista da matéria que comentamos, figura entre as 10 pessoas mais inteligente da história, cujo QI estima-se entre 200 e 300.

Mas qual a causa de existirem mentes tão privilegiadas em detrimento de bilhões de outras? Negando a pluralidade das existências, dificilmente teríamos resposta  racional a essa questão. Caso contrário, teria-se que admitir que Deus é parcial.

Anatomicamente falando, não há muito que diferencie o cérebro de um gênio e o de uma pessoa comum. Para os neurocientistas, a grande explicação estaria nas sinapses cerebrais, ou seja, na capacidade dos neurônios de se conectarem entre si com maior ou menor velocidade, permitindo que funcionem em equipe com maior facilidade.

Essas pesquisas foram realizadas no cérebro do físico Albert Einstein, nas décadas de 70 e 80, e estão publicadas na revista experimental Neurology 1985; 88: 198-204. Mais recentemente a equipe do Departamento de Psiquiatria e Neurociências da Faculdade de Ciências da Saúde da Mcmaster University deu continuidade aos experimentos.

Essas pesquisas seguem uma linha de raciocínio que o Espiritismo já esclarece: “(...) as aquisições evolutivas do Espírito imprimem alterações no seu perispírito, construindo, em consequência, um corpo físico contendo órgãos aperfeiçoados, muito mais suscetíveis à ação da mente espiritual.”

O nosso patamar evolutivo está entre a animalidade e a angelitude. Animalidade da qual saímos há pouco, deixando para trás o império dos instintos e seguindo para a angelitude. Essa caminhada é aquela em que a consciência já desperta, nos possibilita a aquisição do conhecimento.

Entre as leis divinas, a lei do progresso é uma das mais atraentes, porque mostra que, ao sermos criados, fomos dotados de várias potencialidades. Nesse contexto, a mente humana é uma ferramenta expressiva para que possamos progredir.

A inteligência é um dos atributos do Espírito. E, para o Espiritismo, assim como para a moderna neurociência, esta não se restringe ao raciocínio. À medida que, pela faculdade do pensar, desenvolvemos a inteligência, retendo o conhecimento, potencializamos a lei de progresso e evolução.

A respeito destas mentes tão evoluídas, Kardec sintetiza: “(...) Pertencem realmente à Humanidade, pois nascem, vivem e morrem como nós. Onde, porém, adquiriram esses conhecimentos que não puderam aprender durante a vida? (...) A única solução racional do problema está na preexistência da alma e na pluralidade das vidas. O homem de gênio é um Espírito que tem vivido mais tempo; que, por conseguinte, adquiriu e progrediu mais do que aqueles que estão menos adiantados. Encarnando, traz o que sabe e, como sabe muito mais do que os outros e não precisa aprender, é chamado homem de gênio. Mas seu saber é fruto de um trabalho anterior e não resultado de um privilégio. Antes de renascer, era ele, pois, Espírito adiantado: reencarna para fazer que os outros aproveitem do que já sabe, ou para adquirir mais do que possui.”

Nesse ponto, lembramos aquelas Inteligências que possuidoras das mais altas possibilidades de raciocínio e que, ainda assim, levam à Humanidade sofrimentos e destruições.

Também há aqueles que, à semelhança do servo da parábola dos talentos, optam por esconder na terra o seu talento, recusando-se, assim, de dispor suas capacidades em beneficio próprio e de seus semelhantes.

Estes talentos de forma alguma são distribuídos arbitrariamente pelo Grande Dispensador. São, na verdade, as capacidades de cada um, adquiridas antes da reencarnação, em outras jornadas evolutivas.

Portanto, independente da estrutura moral dos Espíritos que encarnam na Terra, suas aquisições morais-intelectuais lhes pertencem, podendo, pelo uso da liberdade de pensar e agir, levar adiante o compromisso assumido ao reencarnar ou negligenciá-lo.

Contudo, é da lei que toda ação gere uma reação. Assim é que “(...) aquele cuja inteligência está perturbada por uma causa qualquer perde o domínio do seu pensamento e desde então não tem mais liberdade. Essa alteração é frequentemente uma punição para o Espírito que, numa existência, pode ter sido vão e orgulhoso, fazendo mau uso de suas faculdades (...)”.

O Homem de gênio, quando encarnado, é aquele que se volta para a descoberta de algo que faça a Humanidade avançar, crescendo para Deus. E falando sobre a missão do homem inteligente na Terra, o Espírito Ferdinando, em “O Evangelho segundo o Espiritismo”, ressalta que “a inteligência é rica em méritos para o futuro, mas com a condição de ser bem empregada”.

A OMS estima que 5% da população de um país é formada de superdotados. Se somente no Brasil temos tantos Espíritos com características superiores de inteligência, talvez o investimento maciço em educação por parte de toda a sociedade nos levasse a vislumbrar, ainda nessa encarnação, o limiar de um mundo de regeneração tão falado entre nós, espíritas.

A educação é palavra de ordem. É a grande transformadora. E principalmente a educação espiritual da alma humana, permitindo que mentes com experiência se manifestem em nosso meio, se iluminando e nos ajudando a brilhar nossa própria luz.

Referências:

- “O Evangelho segundo o Espiritismo, “O Livro dos Espíritos” e “A Gênese”, de Allan Kardec;

- "Histórias e Anotações", Espírito Irmão X, psicografia de Chico Xavier;

- “Os Gênios Sob a Ótica Espírita – por Bruno Tavares.

* Valerie Nascimento é espírita e colaboradora do Espiritismo.net.