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5819 mortos pelo Coronavírus - Um convite à mudança coletiva

Autor: 
Renata Federici

O início desta semana é marcado por mais casos fatais em todo o mundo, subindo, assim, para mais de 5819 mortos e 156.000 pessoas infectadas*. E a partir dessas cifras, questionamo-nos: novos vírus? Estamos entrando em contato com mutações genéticas? Por que os medicamentos não fazem efeito? Essas pessoas estão cumprindo um Karma? Como o Espiritismo entende o desencarne dessas pessoas?

O Covid-19 apresenta febre alta, dores no corpo, tosse, dor de cabeça, dificuldades para respirar e pneumonia. O contágio iniciou provavelmente de um animal selvagem a seres humanos e propagado de seres humanos a seres humanos. A infecção viral se espalhou de forma global pelo transporte aéreo, que encurtou as distâncias e ampliou a rapidez com que a doença se espalhou.

Para o Espiritismo, os desencarnes coletivos derivados de fenômenos Naturais fazem parte de um ciclo de transmutação para a evolução do homem e do planeta, buscando um reequilíbrio das Leis Naturais, dentro do plano de resgates individuais.

Contudo, chegamos a um momento da evolução do ser humano em que devemos encontrar um equilíbrio e modificar a forma de observar nosso planeta. Qualquer acontecimento no mundo, hoje, pode ser acessado por um computador, por um celular, na palma de nossas mãos; a tecnologia tem nos aproximado mais e mais. Do mesmo modo, tem alterado as diferenças entre as pessoas, seja no corpo físico, mental ou emocional, e tendemos a uma humanidade mais homogênea, uma sociedade que vem buscando estabelecer os mesmos valores, mesmo que ainda estejamos longe de alcançar uma Sabedoria Universal.

Se recapitularmos a história, vemos: Peste Negra, Tuberculose, Gripe Espanhola, entre tantas outras enfermidades coletivas, que dizimaram e levaram a humanidade a mudar, a transformar seus hábitos em relação à sua saúde física. Porém, seguimos com os mesmos pensamentos egoístas de que somos diferentes uns dos outros, somos exclusivos. Não fazemos o esforço de tentar compreender o nosso próximo, seja ele nosso familiar ou alguém de um país a quilômetros de distância de nossas casas; não buscamos ver nosso planeta como uma única casa.

Quando vivemos uma crise de saúde de escala mundial, vemos que o primeiro pensamento que nos toca nasceu da base do egoísmo, e talvez até mesmo das nossas raízes do cérebro primitivo para a preservação da espécie: distância, precaução e cautela. Em seguida de uma dor coletiva, um compadecimento de humanidade, ampliando nosso contato com a espiritualidade, abrindo canais de conexão energéticas para favorecerem as mudanças pessoais e coletivas. Porém, poucos são os que buscam compreender o porquê das dores coletivas e como isso afeta nossa espécie para a mudança evolutiva universal.

Allan Kardec, em suas conclusões no “O Livro dos Espíritos” (item IV), já trazia tal reflexão, mostrando-nos que somente a Evolução da Moral seria capaz de modificar por completo e alterar o rumo evolutivo do homem. “Do futuro se pode, pois, julgar pelo passado. Já vemos que pouco a pouco se extinguem as antipatias de povo para povo. Diante da civilização, diminuem as barreiras que os separavam. De um extremo a outro do mundo, eles se estendem as mãos. Maior justiça preside à elaboração das leis internacionais. As guerras se tornam cada vez mais raras e não excluem os sentimentos de humanidade. Nas relações, a uniformidade se vai estabelecendo. Apagam-se as distinções de raças e de castas e os que professam crenças diversas impõem silêncio aos prejuízos de seita, para se confundirem na adoração de um único Deus. Falamos dos povos que marcham à testa da civilização. (789-793) A todos estes respeitos, no entanto, longe ainda estamos da perfeição, e muitas ruínas antigas ainda se têm que abater, até que não restem mais vestígios da barbaria. Poderão acaso essas ruínas sustentar-se contra a força irresistível do progresso, contra essa força viva que é, em si mesma, uma lei da Natureza? Sendo a geração atual mais adiantada do que a anterior, por que não o será mais do que a presente a que lhe há de suceder?”

Portanto, podemos concluir que enquanto não rompermos com o ciclo vicioso de não nos vemos como um todo e nos autoauxiliarmos em nossa história coletiva, seguiremos com desencarnes de tal magnitude.

Seja como simples forma para organizar o planeta ou para intervir no pensamento do homem, a Natureza seguirá fazendo seu papel com a Lei do Ritmo. A Natureza nos impelirá a alterar a sociedade e o conceito do que consideramos hoje felicidade, tudo respeitando as Leis Divinas. Fará o homem entender que não é a posição social e econômica que garante uma vida repleta de alegrias, mas a mudança moral de cada um. Busquemos em nosso cotidiano entender que o que fazemos ao nosso irmão fazemos a nós mesmos. Sejamos o modelo para a evolução coletiva, pois todos habitamos a mesma casa, o planeta Terra.

 

*fonte: Jornal EL País online. 14/03/2020.