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Racismo de tonalidades ou deformidades da razão?

Racismo de tonalidades ou deformidades da razão?
Victor Manuel Pereira de Passos



O racismo é a tendência do pensamento, em que se dá grande importância à noção da existência de raças humanas distintas e superiores umas às outras. Onde existe a exploração de que alguns seres e suas relações característico-físicas hereditárias e determinados fulcros que se caracterizam na inteligência se fazem sentir pela superioridade em relação aos outros.


O racismo não é uma teoria científica, mas, um conjunto de idéias egoístas e de cariz daltonizado dos valores da vida, onde há a busca da diferença biológica entre os seres humanos, em que alguns acreditam ser superiores aos outros, de acordo com seu vínculo racial. Simplesmente uma demonstração de ignorância dos planos da natureza humana e do conceito de vida real. Enfim a falta de conhecimento espiritual.


Após tantos genocídios, perseguições e de todas as atrocidades cometidas, queriam alijar que sua superioridade em gênero e número era força da inteligência e de valores de poder cultural, quando seria apenas a inferioridade das almas inquisitórias amesquinhadas de humildade perante àquilo que não podem ser. Deuses!


Todos nós, sem exceção, somos iguais perante Deus. O racismo se expressa nos nossos atos, nas nossas mesquinhices materialistas já que, apegadas ao acerbo das incongruências do nosso  habitat moral inferior, nos achamos acima dos outros. Como estamos enganados.


As diversas raças humanas existem no aspecto material e não no ponto de vista espiritual, pois todos nós espíritos imortais, fomos concebidos simples e ignorantes. As tonalidades, características e valores de grandeza são a cor dos valores morais, espirituais e intelectuais.


Geneticamente, embora existam várias correntes cientificas, pela taxinomia dá-se uma referência da existência entre cinco a duas centenas de raças humanas espalhadas pelo planeta, se lhe juntarmos as micro-raças regionais, locais ou geográficas que ocorrem devido ao isolamento de grupos de indivíduos que cruzam entre si.


De acordo com Guido Barbujani, um dos maiores geneticistas contemporâneos:


A palavra raça não identifica nenhuma realidade biológica reconhecível no DNA de nossa espécie, e que, portanto não há nada de inevitável ou genético nas identidades étnicas e culturais, tais como as conhecemos hoje em dia. Sobre isso, a ciência tem idéias bem claras. (In A invenção das raças)


Geneticamente existe uma enorme variedade humana e, quanto as combinações raciais, podem ser imensas. Porém as diferenças de adaptação sentidas a nível racial não alteraram a estrutura da espécie.


A diferença das espécies apenas se faz sentir pelo maior ou menor estagio evolutivo e, mesmo nessas circunstâncias, não podemos esquecer que a evolução se faz por processos repetitivos de valorização educativa.


Alguns espíritos se empenham mais que outros, mas a seu tempo, todos estarão ao mesmo nível.  É esse o objetivo das vivências sucessivas.


Todas as raças provêm de um só tronco, o Homo sapiens, portanto o patrimônio hereditário dos humanos é comum e isto por si só não justifica o racismo, pois as raças não são nem superiores, nem inferiores, são apenas diferentes.


“O racismo pode ser pensado como uma “adoção de uma visão equivocada da biologia humana”, expressa pelo conceito de ‘raça’, que estabeleceu uma justificativa para a subordinação permanente de outros indivíduos e povos, temporariamente sujeitos pelas armas, pela conquista, pela destituição material e cultural, ou seja, pela pobreza”, como conceitua Antonio Sérgio Alfredo Guimarães.


Num processo ético e pedagógico somos muitas das vezes pouco racionais e retrincamos a postura dos outros, quando também nós somos daltônicos, no processo evolutivo. Precisamos de resoluções e não de acusações. Os tempos são de busca de valores de igualdade e não de diferença. O peso desigual em medidas deve ser reflectivo, porque só vivenciamos o flagelo da desigualdade quando nos comportamos como cegos diante de uma Obra de grandiosa envergadura em que, num nicho oceânico, uma simples gota de água serve para aquilatar toda a envolvência de Espíritos valorosos que dignaram a deixar uma contribuição que ainda estamos ainda há anos luz de entender. A diferença somos nós espíritos inferiores que ainda damos importância às pequenas coisas mortas e esquecemos as coisas vivas. A homofologia existe, vai continuar a existir e não comporta tonalidades, mas, realidades que temos que aceitar esperando mais da evolução dos seres. E isso estamos todos incumbidos de o fazer, a fim de diluirmos as carências de valores de amor que existem entre os seres.


Aonde para a racionalidade das almas, quando não se conhecem a elas mesmas e fazem ecoar, não a concórdia, mas a redoma da razão, quando nem razoáveis conseguimos ser?  Todos somos espíritos que fomos criados simples e ignorantes, estivemos a nu, caminhamos a passo de tartaruga e vamos evoluindo em inúmeras roupagens. Hoje já queremos tomar as rédeas da razão, tentando esconder aquilo que na realidade não somos - Espíritos perfeitos. Apenas procuramos o erro, nem vemos os nossos, pois a natureza se apresenta para todos de igual forma, nas várias cores, meios, oportunidades e anseios.  Que só da vontade evoluiremos, com estudo serio e do amor em caridade, não esquecendo, que todos já devemos ter sentido as tonalidades da carne, por isso o importante é a Grandeza da Obra e essa é inquestionável.


Eu escreveria assim: Para alcançarmos a condição de espíritos evoluídos, precisamos aplicar, no dia-a-dia, as lições que Jesus nos deixou não esquecendo de que muitos de nós já devemos ter sentido as tonalidades da carne. O importante é a grandeza da Obra e essa é inquestionável.


Muita paz!



Bibliografia:


- Wikipedia - http://pt.wikipedia.org/wiki/ - Raças humanas;
- Invenção das Raças - Guido Barbujani;
- Conceito - Antonio Sérgio Alfredo Guimarães;
- Obras Póstumas – Teoria da Beleza.