Autor: 
Juana de Jesús

A única certeza de que temos é a de que nosso corpo morrerá em algum momento. A alma, porém, sendo imortal, resplandecerá conforme foi tratada. Sendo assim, se adotou o caminho reto[1], progredindo em educação e amor, viverá abençoando e amando em qualquer tempo e espaço.

Para Léon Denis, a posse, a compreensão da lei moral é o que há de mais necessário e de mais precioso para a alma[2]. Todos nós estamos a ela vinculados e, para alcançarmos equilíbrio e harmonia, devemos realizar a higiene da alma, limpando nossos atos e conservando nossas forças espirituais nessas direções. Cada um executa sua obra, sua parte, no grande concerto universal[3]

Aquele que realiza as boas obras é inspirado por um sopro do Alto e não se apega a desejos inferiores, como tentações da fortuna e da carne, pois somente busca o seu engrandecimento moral; e, porque cumpre os seus deveres a cada dia, é feliz, terminando seu dia dizendo: Fiz hoje obra útil, alcancei alguma vantagem sobre mim mesmo, assisti e consolei desgraçados, esclareci meus irmãos, trabalhei por torná-los melhores; tenho cumprido o meu dever! [4]

A honestidade é a essência do homem moral[5]. Ele faz o bem pelo bem, usa suas posses com moderação, perdoa, é benévolo para com todos e vê um irmão em cada ser, sabendo realçar as qualidades deles, e, também, desculpar-lhes as faltas. Antes de tudo, o homem honesto busca o julgamento e o aplauso de sua própria consciência[6].

O nosso dever depende da nossa condição e do nosso saber. Eles existem em relação a nós mesmos, à sociedade em que vivemos e a toda Humanidade, bem como para com O Criador. No entanto, é na imolação de si própria que a criatura encontra o mais seguro meio de se engrandecer e de se depurar[7]. Ninguém pode acabar com o mal sem antes conhecê-lo por si mesmo. É por meio da prática constante do dever que chegamos ao aperfeiçoamento. Só os primeiros esforços são penosos [...][8]. Todos os Espíritos superiores têm profundamente enraizado em si o sentimento do dever; é sem esforços que seguem a própria rota[9].

Pela força da fé, da confiança na certeza de nosso destino, que é a felicidade e a Verdade, é que avançamos com esperança e esclarecimento pela infinitude.  O espírita conhece e compreende a causa de seus males; sabe que todo sofrimento é legítimo e aceita-o sem murmurar[10]. Os insultos e humilhações pelos quais passa, são remédios eficazes para os males que o orgulho engendra[11].

O orgulho é o mal mais temível. Dele derivam quase todos os males da Humanidade: ódios, ambições, guerras, intrigas, conflitos de todas as ordens, além de padecimentos à alma depois da morte do corpo físico. Já o egoísmo é o maior obstáculo ao melhoramento social[12]. Denis acredita que com um pouco de reflexão e sensatez evitaríamos esses males[13]: depois de Deus, é à sociedade que devemos todos os benefícios de nossa vida. Nos dizeres dele, não haverá paz entre os homens, não haverá segurança, felicidade social enquanto o egoísmo não for vencido, enquanto não desaparecerem os privilégios [...][14].

Necessitamos praticar o oposto: a caridade. Dela advém a salvação. A caridade material será praticada conforme a disponibilidade de nossas posses, a limitado número de pessoas. A caridade moral, porém, deve ser exercida com todos que cruzem o nosso caminhar evolutivo. Ela gera outras virtudes como a paciência, a doçura e a prudência. Há males sobre os quais uma amizade sincera, uma ardente simpatia ou uma afeição operam melhor que todas as riquezas[15].

Lembremo-nos de que seremos julgados com a mesma medida de que nos servimos para com os nossos semelhantes. As opiniões que formamos sobre eles são quase sempre reflexo da nossa própria natureza[16]. A caridade, porém, sempre doce e benevolente, reanima os corações mais endurecidos e desarma os Espíritos mais perversos, inundando-os com o amor[17].

Os sofrimentos pelos quais passamos nos tornam sensíveis aos males alheios, abrandando os nossos corações. A dor nos faz desprender do transitório, do perene, da matéria, assim como a partida de entes queridos, convidando-nos a concentrar na verdadeira Vida.

A Bondade Divina, porém, não nos deixou sem instrumentos de consolo para esses momentos. A prece é meditação sempre útil, fecunda, que traz calma e conforto. Ela nos faz elevar acima das coisas terrestres e nos impulsiona, tanto quanto mais sincero for o seu apelo, às inspirações do Alto. O pensamento, quando é atuado por grande força de impulsão, por uma vontade perseverante, vai impressionar as almas a distâncias incalculáveis[18]. Orar pelos aflitos e enfermos é dever de caridade. Conserva tua alma sem máculas, tua consciência sem remorsos. Todo pensamento, todo ato mau atrai as impurezas mundanas; todo impulso, todo esforço para o bem, centuplica as atua forças e far-te-á comunicar com as potências superiores[19].

Despertai, ó vós todos que deixais dormitar as vossas faculdades e as vossas forças latentes![20]. Estudar é fonte de puros gozos; liberta-nos das preocupações inferiores e auxilia-nos a esquecer as tribulações. Amar é sentir-se viver em todos e por todos, é consagrar-se ao sacrifício, até a morte, em benefício de uma causa ou de um ser[21]. A vida é curta. Enquanto ela durar, esforça-te por adquirir o que vieste procurar neste mundo: o verdadeiro aperfeiçoamento[22].

 

REFERÊNCIAS

DENIS, Léon. Depois da Morte: exposição da Doutrina dos Espíritos: solução científica e racional dos problemas da vida e da morte: natureza e destino do ser humanos; as vidas sucessivas. 28. ed. – 7 imp. Brasília: FEB, 2019.

 

[1] Léon Denis aborda O caminho reto na quinta parte da obra: Depois da morte, nos seguintes capítulos: XLII) A vida moral; XLIII) O dever; XLIV) Fé, esperança, consolações; XLV) Orgulho, riqueza e pobreza; XLVI) O egoísmo; XLVII) A caridade; XLVIII) Doçura, paciência, bondade; XLIX) O amor; L) Resignação na adversidade; LI) A prece; LII) Trabalho, sobriedade, continência; LIII) O estudo; LIV) A educação; LV) Questões sociais; e LVI) A lei moral.

[2] DENIS, 2019, p.307.

[3] DENIS, 2019, p.289.

[4] DENIS, 2019, p.246.

[5] DENIS, 2019, p.244.

[6] DENIS, 2019, p.244.

[7] DENIS, 2019, p.244.

[8] DENIS, 2019, p.245.

[9] DENIS, 2019, p.243.

[10] DENIS, 2019, p.249.

[11] DENIS, 2019, p.251.

[12] DENIS, 2019, p.257.

[13] DENIS, 2019, p.253.

[14] DENIS, 2019, p.259.

[15] DENIS, 2019, p.265.

[16] DENIS, 2019, p.264.

[17] DENIS, 2019, p.266.

[18] DENIS, 2019, p.285.

[19] DENIS, 2019, p.308.

[20] DENIS, 2019, p.290.

[21] DENIS, 2019, p.271.

[22] DENIS, 2019, p.315.

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