Autor: 
Juana de Jesús

Depois da morte: crenças e negações[1]

Quando falamos de crenças, o pensamento quase sempre automaticamente reflete a imagem das religiões do globo terrestre. Se o pensamento sobrevoa ainda mais o passado, recordamos as civilizações antigas da Índia com as crenças reencarnacionistas, do magnífico Egito com os seus rituais para a vida após a morte, das pitonisas da Grécia, de Roma, antes e após Constantino, venerando vários deuses e escolhendo, posteriormente à vinda do Cristo, adorar um único Deus, o Pai de todos nós.

Todas elas trouxeram, pela Misericórdia Divina, e a bondade de Nosso Senhor Jesus, elementos valiosos da Verdade, auxiliando o progresso do nosso mundo. Seus adeptos, porém, transformaram tais elementos valiosos em exclusivismo, destinando-os aos escolhidos que passavam por rituais de iniciação, ausentando-se da responsabilidade da divulgação moral da Verdade para todas as pessoas, inclusive àquelas da própria religião.

Assim expõe Léon Denis na parte primeira da obra Depois da Morte, traduzida e publicada pela FEB Editora. O autor francês aborda as religiões e a doutrina secreta, a Índia, o Egito, a Grécia, a Gália, o Cristianismo, mas também o materialismo e o positivismo, finalizando o estudo discutindo a crise moral existente. Na visão dele, “todos os ensinos religiosos do passado se ligam” [2] como “uma série ininterrupta de sábios e pensadores” [3] e, apesar dos rituais para fomentar a imaginação da massa, as religiões, em seus interiores, tinham “caráter grave e elevado, simultaneamente científicos e filosófico”[4]. Apresentavam, pois “duas faces, uma aparente, outra oculta” [5].

As pessoas iniciadas, as adeptas, eram escolhidas e preparadas desde a tenra idade. Elas conheciam a existência dos planos material e espiritual. Aprendiam sobre o magnetismo, os fluidos e as forças. Além disso, foram discípulos de grandes reformadores e fundadores de religiões. No entanto, não conseguiriam guardar e propagar o valioso ensino dos mestres: Krishna, Zoroastro, Hermes, Moisés, Sócrates[6] e Jesus. Os sábios do Oriente e da Grécia observavam a Natureza exterior para compreender as potências da alma que, por sua vez, era, para eles, “como um livro em que se inscrevem em caracteres misteriosos, todas as realidades e todas as leis” [7]. Talvez, por isso, buscavam aprofundar-se no conhecimento de si mesmos.

Muitos desses grandiosos conhecimentos foram registrados nas páginas dos Sutras, por Buda, e nos Vedas, ambos na Índia. No Egito, os princípios doutrinários foram escritos nos Hermes, enquanto as tríades e os cânticos bárdicos traziam a filosofia dos Druidas, na Gália. Analisando parte desses escritos, Denis nos demonstra como a Doutrina dos Espíritos traz aspectos da Verdade que já se encontravam ali revelados, de tempos em tempos, pelo Criador, que nunca nos deixou sem o pão espiritual. “Ao povo de Israel coube [...] um traço de união que liga o Oriente ao Ocidente, a ciência secreta dos templos à religião vulgarizada[8]”. Ademais, possuía o mérito de haver enraizado a unidade de Deus.

A religião, se cumprisse o seu sentido etimológico: ligar (do latim, religare), uniria a Humanidade pelo único ideal do princípio superior da Criação. “Mas, como todas as coisas, as religiões só morrem para renascer”[9] e elas passarão “para os atos, para o desejo ardente do bem; o holocausto será o sacrifício de nossas paixões, o aperfeiçoamento do espírito humano. Tal é a doutrina superior, definitiva, universal [...][10]” ensinada por Jesus, para Quem “ no amor encerra-se toda a religião e toda a filosofia[11]”. O Sermão da Montanha (Mateus 5, 6, 7) resume toda a Sua doutrina.

Mas, e o Espiritismo?

Espíritas, temos a certeza de que somos dotados de toda a Verdade. Imaginamos, ainda, que os véus nos foram retirados pelo Consolador prometido, o Paracleto (João 14:26[12]; 15:26[13]), porque já possuímos a condição de compreender o que o próximo ainda não consegue, e nos esquecemos de que as parábolas do semeador e do joio e do trigo nos foram trazidas pelo Mestre Jesus como a nos dizer:

— Retira os véus do orgulho e do egoísmo para que as sementes do Filho do Homem recaiam sobre os seus corações; para que vendo, vejam, e para que ouvindo, ouçam, e assim, o Reino dos Céus, como o grão de mostrada, germinará, e crescerá grande e forte árvore a abrigar as aves do Céu, enviadas pelo meu Pai.

 

REFERÊNCIAS

DENIS, Léon. Depois da Morte: exposição da Doutrina dos Espíritos: solução científica e racional dos problemas da vida e da morte: natureza e destino do ser humanos; as vidas sucessivas. 28. ed. – 7 imp. Brasília: FEB, 2019.

XAVIER, Francisco Cândido. A caminho da luz: história da civilização à luz do Espiritismo. Pelo Espírito Emmanuel

 

[1] Este é o primeiro artigo de uma série de cinco com o objetivo de abordar a obra Depois da Morte, de Léon Denis, todos concedidos pela autora para serem publicados por Espiritismo.net.

[2] DENIS, 2019, p.18

[3] Ibid.

[4] Ibid, p.17

[5] Ibid, p.18

[6] Inclusão feita pela autora com base na obra do Espírito Emmanuel, pela psicografia de Chico Xavier, intitulada A caminho da luz, publicada pela FEB Editora.

[7] DENIS, 2019, p.18

[8] Ibid, p.57

[9] Ibid, p.23

[10] Ibid, p.24

[11] Ibid, p.60

[12] “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.” (João 14:26)

[13] “Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim.” (João 15:26)

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