Autor: 
Juana de Jesús

Queremos saber sobre o Além-túmulo[1], fortalecer a nossa fé no futuro, entender o que nos aguarda..., mas como faremos isso sem compreender quem somos? O homem é formado por três principais elementos: corpo, perispírito e alma, ou: matéria, fluido, inteligência. A vida humana é uma luta consigo mesmo, para a educação moral da alma. Assim, o corpo pode ser comparado à armadura com que o guerreiro se reveste antes da batalha e que abandona quando esta acaba[2].

Este processo de abandono perdura de acordo com o nível evolutivo do Espírito que a revestia. Quanto mais elevado o nível moral dele, mais rápido será o seu desprendimento da armadura, devido às sutis e rarefeitas moléculas constitutivas do seu perispírito. Porque aspira os bens espirituais e já cumpriu os seus deveres, o despertar no Além será silencioso e não passará de um sono agradável. O Espírito, por afinidade, se eleva a grupos espirituais similares. Ele será recebido por Espíritos amigos ou familiares que irão guiá-lo no espaço.

Por outro lado, para os Espíritos ainda apegados à matéria, a morte poderá ser angustiosa e dolorosa, por um momento. Criatura alguma é destinada ao mal eternamente. A teoria dos demônios e do inferno eterno não pode ser admitida.  A alma, algumas vezes, fica presa até à decomposição completa, sentindo mesmo, sendo a expressão de um Espírito, “os vermes lhe corroerem as carnes” [3]. Os amargores e pesares contínuo, que então decorrem, despertam-lhe, na maior parte dos casos, o desejo de, em breve, tomar o corpo carnal para combater, sofrer e resgatar esse passado acusador[4]. A sociedade atual nada mais são que homens de outrora, que vieram sofrer as consequências de suas vidas anteriores[5].

Quem julga? É em sua própria consciência que o Espírito encontra sua recompensa ou seu castigo. Ele é seu próprio juiz [6].

O corpo espiritual se ilumina ou obscurece conforme a natureza dos pensamentos que nele refletem. A vontade é a faculdade soberana da alma, a força espiritual por excelência e cujo poder sobre os fluidos é acrescido com a elevação do Espírito[7]. É por meio dela que se pode transformar os pensamentos grosseiros em elevados. Os Espíritos inferiores, sobrecarregados pela densidade de seus fluidos, ficam ligados ao mundo onde viveram, circulando em sua atmosfera ou envolvendo-se entre os seres humanos[8]; estão escravizados em seus apetites e desejos inferiores. Já os Espíritos superiores, libertos das necessidades materiais, utilizam o pensamento para                            se compreenderem; nada lhes é oculto, podendo ler, inclusive, os pensamentos do homem.

Em tudo se vê a Justiça Divina e dela resultam a igualdade, a solidariedade e a responsabilidade dos seres. Cada efeito se prende a uma causa e cada causa engendra um efeito que lhe é idêntico[9]. Por meio do uso de seu livre-arbítrio, o Espírito define o seu destino. Cada um traz em si sua glória ou sua miséria[10].

O Espírito foi criado para ser feliz. Sua missão é construir a sua própria felicidade, desenvolvendo as potências da alma. É preciso adquirir a doçura, a resignação e a fé, aprender a sofrer sem murmurar, a chorar em silencio, a desprezar os bens e as alegrias efêmeras do mundo e elevar suas aspirações aos bens que jamais findam[11].

Imita o lavrador, que sempre caminha para frente, curvado ao sol ardente ou crestado pela geada, e cujos suores regam o solo, o solo que, como o teu coração, é sulcado pela charrua destorroadora, mas do qual brotará o trigo dourado que fará a tua felicidade[12].

 

REFERÊNCIAS

DENIS, Léon. Depois da Morte: exposição da Doutrina dos Espíritos: solução científica e racional dos problemas da vida e da morte: natureza e destino do ser humanos; as vidas sucessivas. 28. ed. – 7 imp. Brasília: FEB,

 


[1] Léon Denis aborda Além-túmulo na quarta parte da obra: Depois da morte, nos seguintes capítulos: XIX) O homem, ser psíquico, XXX) A hora final, XXXI) O julgamento, XXXII) A vontade e os fluidos, XXXIII) A vida no espaço, XXXIV) A erraticidade, XXXV) A vida superior, XXXVI) Os Espíritos inferiores, XXXVII) O inferno e os demônios, XXXVIII) Ação do homem sobre os Espíritos infelizes, XXXIX) Justiça, solidariedade, responsabilidade, XL) Livre-arbítrio e providência, e XLI) Reencarnação.

[2] DENIS, 2019, p.184.

[3] DENIS, 2019, p.186.

[4] DENIS, 2019, p.191.

[5] DENIS, 2019, p.227.

[6] DENIS, 2019, p.190.

[7] DENIS, 2019, p.193.

[8] DENIS, 2019, p.199.

[9] DENIS, 2019, p.225.

[10] DENIS, 2019, p.200.

[11] DENIS, 2019, p.212.

[12] DENIS, 2019, p.235.

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