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Pai de gêmeas siamesas precisa decidir entre tentar salvar uma delas ou deixá-las morrerem

É pouco provável que você conheça siameses.

São muito poucos que nascem com essa condição, e a maioria é natimorto ou morre poucos dias depois do parto.

Com dois anos e oito meses, Mariem e Ndeye são exceções.

Nascidas no Senegal, mudaram com seu pai, Ibrahima Ndiaye, para Cardiff, no Reino Unido.

Foi uma mudança difícil, que obrigou a família a abandonar uma vida próspera em seu país para viver em abrigos e depender de doações de comida.

As meninas agora estão bem, mas elas têm um futuro sombrio à espera.

O coração de Marieme é frágil, tão frágil que ela pode morrer.

Se ela morrer, sua irmã, Ndeye, mais forte que ela, também morrerá.

Hoje elas crescem juntas, mas o pai precisará tomar uma decisão extremamente difícil.

Ele deverá permitir que os cirurgiões as separem, pondo em risco a vida de ambas, sobretudo de Marieme?

Ou deixará que elas morram juntas?

Notícia publicada na BBC Brasil, em 5 de fevereiro de 2019.

Claudia Abreu* comenta

Podemos perceber a força e o amor de um pai que mudou de seu país em busca de melhores condições para a sobrevivência de suas filhas. Pois o que ele quer é fazer com que elas sejam felizes o máximo possível, como o mesmo deixa claro. Apesar do título da matéria dizer que ele “precisa decidir entre tentar salvar uma delas ou deixá-las morrerem”, para mim ficou claro que a decisão dele já está tomada, deixando-as viverem do jeito que nasceram e o tempo a cargo de Deus. Afinal, quem pode garantir que qualquer decisão diferente dessa seja melhor? E o pai, como ele mesmo diz, “não vai escolher quem vai viver e quem vai morrer”, é uma decisão dele, já que não se pode prever o que irá acontecer, nem os médicos nem ninguém, a resposta pertence a Deus. Apesar do coração de Marieme ser frágil, ninguém pode prever o tempo de sua duração, pois quantas vezes já soubemos de casos de pessoas que os médicos não deram prognósticos favoráveis e que o paciente ainda viveu por muitos anos?

Não são todos os casos de irmãos siameses que a cirurgia é indicada e mesmo quando indicada não há certeza de sucesso. E, neste caso, tudo indica que o pai não quer fazer a escolha pela cirurgia, já que percebeu que estará dando uma sentença de morte do corpo para uma das filhas.

Na questão 212 de “O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec faz a seguinte pergunta: “Há dois Espíritos, ou, por outra, duas almas, nas crianças cujos corpos nascem ligados, tendo comuns alguns órgãos?” E os Espíritos respondem: “Sim, mas a semelhança entre elas é tal que faz vos pareçam, em muitos casos, uma só.”

Como espíritas, sabemos que na vida tudo tem um porquê e nada é por acaso. E a Doutrina Espírita nos explica também que os irmãos gêmeos são espíritos simpáticos que têm sentimentos semelhantes e se sentem felizes por estarem juntos. Mas pode acontecer também o contrário, de serem espíritos inimigos e que a justiça divina faz com que nasçam juntos, no sentido de que possam aprender a se amar e a se perdoar. É a justiça divina, através da reencarnação, proporcionando aos seus filhos rebeldes a oportunidade de reparação e aprimoramento, afinal estamos todos aqui encarnados com esse objetivo.

E vamos orar para que esse pai ainda tenha muitos anos de convívio ao lado de suas filhas tão amadas. Assim seja!

* Claudia Abreu é espírita e colaboradora do Espiritismo.net.