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Revoluções da Humanidade




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Grafite do artista de rua Banksy, em Israel
Revoluções da Humanidade

Raphael Vivacqua Carneiro




“De duas maneiras se realiza o progresso físico e moral em nosso planeta: uma, lenta, gradual e pouco perceptível; a outra, caracterizada por mudanças bruscas, que marcam as eras da Humanidade. Os homens, com a sua inteligência, alcançaram incontestáveis progressos nas ciências, nas artes e no bem-estar físico. Resta ainda um imenso progresso a realizar: o de fazer reinar entre nós a caridade, a fraternidade e a solidariedade, que nos assegurem o bem-estar moral. São chegados os tempos de transição para esta nova fase. Mas uma revolução tão radical não se realiza sem comoções. Há, inevitavelmente, luta de ideias. Desse conflito forçosamente se originarão perturbações passageiras, até que seja restabelecido o equilíbrio. Hoje, não são mais as entranhas do planeta que se agitam; são as da Humanidade.”


As ideias acima – expostas há um século e meio por Allan Kardec em sua obra A Gênese – parecem talhadas aos tumultuados dias atuais. Temos visto nos últimos meses milhares de cidadãos marchando nas ruas, protestando, pacificamente ou não, clamando por mudanças. De fato, nenhum progresso significativo ocorre sem revoluções ou transformações mais ou menos bruscas. Entretanto, é preciso diferenciar revolução moral, de revolução social. A princípio, ambas evocam a mesma motivação: combater as iniquidades. Contudo, a história demonstra que os seus rumos são muito distintos.

As revoluções morais visam ao aprimoramento espiritual, individual e coletivo, por meio da mudança dos valores e costumes da sociedade. O exemplo maior disso foi a missão de Jesus entre os homens. Ao pregar que aquilo que vem do coração e sai pela boca é mais importante do que as mãos limpas antes de comer; e que cuidar do próximo vale mais do que santificar o dia do sábado; e que um herege samaritano praticando o bem honra mais a Deus do que um crente descaridoso; e que o pequeno óbolo de uma viúva é mais precioso aos olhos de Deus do que as oferendas dos ricos; ao comparar os religiosos hipócritas a sepulcros caiados; em todos esses momentos Jesus promovia uma revolução moral. Ele sabia dos riscos que corria ao contrariar a situação vigente, mas enfrentou o desafio sem timidez, sacrificando a própria vida.

As revoluções sociais, diferentemente, são movidas por uma indisfarçável ganância pelo poder, usando o povo nas ruas como massa de manobra. Pode-se argumentar que as manifestações violentas promovidas pelas revoluções sociais almejam uma situação futura mais justa entre os homens, como, por exemplo, a Revolução Francesa, que pôs fim à nobreza esbanjadora e insensível aos pobres. Porém, a sequência dos acontecimentos levou a um período de terror no país, o qual foi seguido por um retorno à monarquia absolutista. Ademais, seria um equívoco acreditar que os fins justificam os meios. Cristo ensinava: “é necessário que venham escândalos; mas, ai do homem por quem o escândalo venha”. O mal é sempre o mal; mesmo que sirva de instrumento à Providência divina. Aquele cujos maus instintos foram utilizados, não ficará isento das consequências de seus atos.

Uma manifestação pacífica é uma forma civilizada de se buscar mudanças na sociedade, expressando o ponto de vista daqueles que se apresentam. Contudo, os diversos grupos, cada qual com a sua pauta peculiar, devem respeitar, entre si, o direito de cada um manifestar as suas ideias, ainda que sejam díspares ou antagônicas. Devem respeitar, inclusive, o direito dos demais que não desejam participar. Quando uma manifestação se torna violenta, ela imediatamente se afasta dos princípios elementares de justiça da lei natural. Ninguém possui o direito de agredir os outros ou depredar o patrimônio alheio, nem o público, uma vez que ninguém deseja isto para si mesmo. Não basta marchar e clamar; é preciso também mudar o caráter das nossas revoluções
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23 de junho de 2014