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Processos Mentais na Cura (Parte 2)

Autor: 
Claudio C. Conti
3) Paralítico:

Jesus disse ao paralítico: “Levanta-te, toma o teu leito e vai para sua casa” e assim ele o fez.

Dentre os três casos em análise, este é sem dúvida o processo mais simples, pois bastou que Jesus verbalizasse um comando para que a cura acontecesse.

Apesar deste caso, e outros similares, apresentarem ares de milagrosos, Kardec apresenta a explicação para o caso. A chave para esta questão está no que Jesus disse ao paralítico antes do comando para que andasse; disse ele: “Meu filho, tem confiança; perdoados te são os teus pecados”.

Kardec explica que o paralítico em questão se encontrava nesta condição em decorrência de faltas cometidas em outras encarnações. Jesus, em decorrência de sua elevação, acessando a condição espiritual do paciente, constatou que ele já havia cumprido o que lhe cabia, estando quite com a Providência, portanto, podia ser liberado do processo educativo no qual se encontrava.

Pode-se, então, concluir que o comando emitido por Jesus serviu, para o paralítico, como uma liberação da expiação na qual se encontrava, tal qual a sineta das escolas libera os alunos da aula.

Baseado nestes três casos em que houve sucesso na cura de doentes sofrendo de enfermidades e motivos diferentes, percebe-se, claramente, que os procedimentos não foram os mesmos. Desta forma, pode-se dizer que a cura utilizando fluidos é mais complexa do que a simples administração de um “medicamento” e, também, que o paciente não fica passivo no processo de cura.

Nesta abordagem, podemos creditar certa “inteligência” ao fluido no sentido de este atuar diferentemente, dependendo da ocasião: 1. Em algumas situações teria condições de reconhecer como agir; 2. Noutros casos, teria ação local; 3. Ou, ainda, teria ação geral.

Diante das curas realizadas por Jesus, em que sempre afirmava que a fé do paciente é que o havia curado, e desta análise, pode-se perguntar: 1. Quanto é ação do médium (passista ou curador)? 2. Quanto é ação das próprias células do paciente?; 3. Quanto é ação do paciente?

Do ponto de vista do paciente, que é o foco deste texto, a ação do médium estaria fora de seu controle.

Com relação à ação das próprias células do paciente, o corpo apresenta numerosos processos de manutenção da saúde, portanto, este é o estado natural do corpo. A enfermidade é um estado anômalo que deve ser combatido pelos sistemas de segurança; desta forma, a ação das células por si mesma no combate aos agentes que causam as enfermidades é um processo natural do organismo e que pode ser potencializado pelo próprio paciente, mas sem uma ação consciente.

Resta, portanto, a ação do paciente na cura física que só pode ser alcançada juntamente com a cura espiritual.

Em uma das passagens de Jesus, apresentada n’O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo XIX, diante de uma dificuldade encontrada pelos discípulos para expulsar um “demônio” de alguém, eles questionaram Jesus o motivo pelo qual não alcançaram o intento e obtiveram a seguinte resposta: “Por causa da vossa incredulidade. Pois em verdade vos digo, se tivésseis a fé do tamanho de um grão de mostarda, diríeis a esta montanha: Transporta-te daí para ali e ela se transportaria, e nada vos seria impossível”.

Desta passagem foi cunhada o dizer: “A fé transporta montanhas”. Haveriam duas possibilidades de interpretação para o tema em estudo: 1) As montanhas seriam as dificuldades e que, com fé, o indivíduo ficaria mais fortalecido para vencê-las e; 2) As montanhas seriam corpos materiais realmente, portanto, com fé o indivíduo seria capaz de alterar a conformação material de algo. Estas duas abordagens, quando aplicadas na prática, conduzem à estados de saúde.
 

Continua - Parte 3...