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Precisão e acurácia: uma visão matemática da unificação

Precisão e acurácia: uma visão matemática da unificação
Pedro da Fonseca Vieira



Por questões históricas enfrentadas pela polarização de alguns espíritas brasileiros, foi lançada a bandeira da unificação do Movimento Espírita no Brasil com a assinatura do Pacto Áureo em 1949. De então até hoje várias iniciativas promovidas por diversas entidades espíritas tiveram por objetivo a busca e fortalecimento da almejada unidade. É proposta aqui uma visão matemática simples visando facilitar a reflexão íntima sobre o engajamento necessário para um esforço coletivo realmente conjunto em prol do Espiritismo.


Em estatística há dois conceitos muito simples que normalmente são confundidos ou tomados um pelo outro indistintamente. A observação atenta deles poderá, entretanto, lançar novo olhar sobre as buscas das Casas Espíritas com relação a seu papel na divulgação espírita em sua região, em seu país, no mundo inteiro.


Precisão é o grau de similaridade de diversas amostras. Se um conjunto de amostras é muito preciso, a distância entre os pontos é pequena. Na figura a seguir, um alvo, há um exemplo de uma amostragem muito precisa.



Algo errado? Parece que sim. Os pontos estão próximos, mas muito longe do centro do alvo, que é chamado, em matemática, “valor verdadeiro”.


Há, aí, outra medida, a acurácia, que mede a distância da média dos pontos ao valor verdadeiro. A figura abaixo mostra um sistema com alta acurácia, embora com baixa precisão.



Ainda algo errado? Aparentemente sim. Onde foi parar a união entre os pontos? Foi sacrificada pela busca da mosca do alvo. Qual seria o melhor dos mundos? Veja a figura a seguir.



Imagine um conjunto de Casas Espíritas, perfeitamente harmonizadas entre si, com princípios e práticas muito próximas, mas distantes da proposta espírita tal qual se encontra nos livros básicos da Codificação Espírita. “Sistema preciso” – diriam alguns. “Pouquíssimo acurado” – argumentariam outros. Ou ainda, “perfeitamente unidas”. Unidas em torno de quê? Qual seria o preço dessa união-precisão?


Imagine agora que, para sair desse cenário, essas Sociedades Espiritistas começassem a se distanciar da média, na direção do “valor verdadeiro” (Allan Kardec). Seriam, certamente, taxadas de separatistas e contrárias à aparente “unificação”. Deveriam prosseguir? Chegariam, em primeiro momento, a uma configuração mais acurada, mas menos precisa, para depois reorganizarem-se e chegarem a um sistema totalmente harmônico – preciso e acurado.


Como se pode ler em Obras Póstumas, Parte II, Capítulo: “Constituição do Espiritismo. Exposição de motivos”, item 2: “Dos cismas”, o Prof. Allan Kardec ligou a unidade da Doutrina Espírita ao conceito matemático de acurácia, ou seja, à convergência em torno de um só “ponto central” – o corpo doutrinário do Espiritismo: “Para se assegurar da unidade no futuro, uma condição é indispensável, é que todas as partes do conjunto da Doutrina sejam determinadas com clareza, sem nada deixar no vago; para isso fizemos de modo que os nossos escritos não possam dar lugar a nenhuma interpretação contraditória, e trataremos que isso seja sempre assim.


Prossigamos na direção da unificação, além da convergência, da coerência doutrinária, e não só estaremos juntos, mas estaremos corretos.