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Administrar Com Jesus. Reflexões organizacionais (Parte 2)

Autor: 
André Henrique de Siqueira


 

Continuação da Parte 1

Na primeira parte deste artigo discutimos a importância da definição de uma missão institucional. Vimos que para definir a missão de uma organização é fundamental levar em conta que quando alguém perguntar coisas como “Para que serve esta instituição?”, “Qual o papel desta organização?” ou “Qual a função desta organização?” a resposta será dada pelo texto da declaração da missão. Este texto precisará ser claro o suficiente para que todos entendam o que a instituição faz de mais importante. Assinalamos que as instituições espíritas deveriam fundamentar as suas missões a partir do próprio objetivo do Espiritismo  e que  o papel fundamental da instituição espírita é promover o estudo, a vivência e a difusão do Espiritismo. Diante disso, na definição da missão de um centro espírita é necessário levar em consideração a própria função do Espiritismo como um instrumento de educação da espiritualidade humana.

Nesta segunda parte discutiremos a importância de se criar estratégias para promover o desempenho da instituição, o que significa garantir que ela cumpra a sua missão de forma eficaz (fazendo o que precisa ser feito) e de modo eficiente (conseguindo o melhor rendimento com o mínimo de erros e/ou dispêndios).

1. A CRIAÇÃO DE ESTRATÉGIAS PARA O DESEMPENHO NO BEM

A missão organizacional define qual é a função da organização na sociedade, mas é preciso destacar que cumprir com os seus objetivos institucionais é o maior interesse de uma organização. Para fazê-lo é necessário compor e realizar  um conjunto de estratégias visando o melhor desempenho, o qual está relacionado a duas dimensões:

a) A Dimensão dos Objetivos – é uma dimensão que expressa o que se deseja fazer em termos qualitativos. Um objetivo institucional é uma declaração do que se pretende fazer para cumprir a missão da instituição. Por exemplo: Implantar um grupo de estudo sistematizado da doutrina espírita – é uma declaração de objetivo, considerando que o estudo do Espiritismo é parte da missão institucional da Casa Espírita.

b) A Dimensão das Metas – expressa o que se deseja realizar em termos quantitativos. As metas traduzem o que se pretende fazer em termos numéricos, em geral com vistas a um acompanhamento por indicadores. O motivo pelo qual se utilizam metas é para facilitar a avaliação do desempenho e possibilitar o acompanhamento de o quanto estamos realizando os objetivos. Por exemplo: Implantar 4 grupos de estudo sistematizado neste semestre – é a declaração de uma meta. Pode-se desdobrar a meta de modo a permitir um melhor acompanhamento. Veja este exemplo: Implantar 4 núcleos de evangelização para o atendimento de 300 famílias no ano. Neste exemplo  a declaração numérica permite acompanhar a quantidade de núcleos implantados e a quantidade de famílias atendidas. É para isto que servem as metas: para uma avaliação numérica dentro de uma escala de parâmetros.

Um aspecto importante na definição das estratégicas para o desempenho é não trocar o essencial pelo acessório.  A administração da Casa Espírita não é uma atividade baseada em cumprimento de atividades ou de metas, mas é uma atividade orientada para a educação do Espírito. Assim deveremos sempre focar o que é essencial e deixar o acessório como aditivo, sabendo abrir mão dele sempre que seja inoportuno ou comprometa os princípios, valores e interesses do que é essencial na Casa Espírita: a promoção da educação da alma à luz do ensinamento espírita.

Recordando que os objetivos centrais do Espiritismo dizem respeito à redenção humana nos planos individuais e coletivos é justo ponderar se devemos aplicar técnicas de administração humanas para atividades de cunho espiritual. Muitos companheiros expressam preocupações para que não se transforme o Centro Espírita em uma empresa nos moldes tradicionais, nas quais a preocupação com planos, projetos, processos e metas obscurecem o verdadeiro propósito de desenvolvimento da Educação Espiritual.

A ponderação é justa e deve ser considerada para que não se troque o que é essencial pelo que é circunstancial. Essencial é a Educação da Alma! O Centro Espírita é uma Escola do Espírito, um Hospital da Alma, um Templo de Amor e Justiça a expressar em diferentes práticas da Caridade incondicional para com a Humanidade em ambos os planos da Vida. Contudo, para cumprir o mister de Educar, Cuidar e Integrar o Espírito para a Vida imortal é necessário aplicara todos os recursos dos quais dispomos, pois a  edificação dos valores imortais deverá ser a preocupação central de nossa existência. Daí transformar-se a instituição espírita em um empreendimento valoroso em cujo cumprimento devemos investir nossas melhores ferramentas e recursos.

Uma estratégia define as ações que devam ser tomadas para consolidar um objetivo ou manter o desempenho de um estado. Podemos definir estratégias para realizar um novo objetivo inédito – então  criamos um projeto estratégico cujo papel é desenvolver algo de novo (inovação). Ou podemos criar estratégias para garantir o desempenho de um processo que realizamos continuamente. A definição das estratégias nos permite aprimorar o emprego de nossos esforços com vistas a obter-se os melhores resultados.

Diante disso, é forçoso reconhecer que no âmbito do trabalho espírita duas estratégias são fundamentais:
 

O Desenvolvimento da Instrução – que é a estratégia utilizada para ampliar o entendimento das Leis Divinas e melhor empregar os nossos esforços na prática da Justiça, Amor e Caridade em todas as circunstâncias da vida. Pela instrução desenvolve-se a compreensão, identificam-se oportunidades de progresso, explicam-se os fatores de harmonia ou perturbação. Por meio da Instrução ilumina-se a Razão para melhor compreender a Verdade, a expressar-se em nossos entendimentos transitórios que nos aproximam dela pela melhoria de nós mesmos.

O Desenvolvimento do Amor – que é a estratégia de construir o futuro buscando aprimorar o sentimento através do reflexo da Providência Divina em nossas atitudes. No exercício do amor ampliamos a nossa capacidade de compreender a vida pelas vias do sentimento. O Amor é a estratégia que investe no futuro. Quando agimos pelo amor, buscamos a construção dos valores imortais, o desenvolvimento das virtudes verdadeiras que nos tornam aptos para a vida na comunidade espiritual.

Em nossos esforços de planejamento das ações no Movimento Espírita deveremos sempre expressar estas duas estratégias, conscientes de que elas promoverão os melhores resultados para a Vida Espiritual.

Pensemos por um exemplo.

Considere a necessidade de desenvolver os objetivos de Estudo e Vivência da doutrina Espirita – elemento que faz parte da missão de qualquer instituição espiritista.  Escolhemos como exemplo de uma Ação Estratégica – “Implantar reuniões de estudo sistemático da doutrina espírita”.  Agora vejamos a aplicação das estratégias de desempenho conforme discutimos:

Figura 1  - Estratégias de Desempenho

Na figura 1 vemos representadas as dimensões qualitativas (objetivo) e quantitativas (metas) coordenadas com as estratégias de Instrução e Amor. Na dimensão qualitativa expressamos o quê desejamos realizar para cumprir a missão institucional através de uma Ação Estratégica. Na dimensão quantitativa estabelecemos indicadores numéricos que nos servirão de referência para acompanhar o desempenho dos objetivos traçados.
Depois de estabelecidas as estratégias de desempenho, é hora de realizar ações de gestão – que significa o emprego do conhecimento para promover os melhores resultados – de modo a obter o melhor desempenho. Esse será o tema da próxima parte deste artigo... Até lá.

12 de Dezembro 2015

Continua - Parte 3...