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Transições e Revoluções Planetárias

Transições e Revoluções Planetárias
Breno Henrique de Sousa



Os tempos são chegados e a transição é marcada por diversas revoluções outrora anunciadas. Especialistas dos mais respeitáveis setores do conhecimento humano buscam entender a atual conjuntura social e antever suas possíveis conseqüências. Acompanhadas das revoluções sociais estão as revoluções da natureza, desde cataclismos geológicos naturais até as conseqüências dos desmandos do homem sobre o meio ambiente.


A enfermidade, para qualquer iniciado na medicina espiritualista, surge pelo desequilíbrio energético do organismo. O desequilíbrio das energias sutis minam as defesas orgânicas deixando o caminho livre para a ação dos agentes infecciosos. A Terra é como um organismo vivo, sua emanação energética é fonte vital para nosso equilíbrio assim como, materialmente, ela é o reservatório que mantém a vida orgânica. Há uma profunda relação entre o equilíbrio energético do perispírito e seus vórtices energéticos, com as energias emanadas do sol, do ar e da terra. Isso fica evidente quando os espíritos superiores nos informam que o perispírito é formado pelo fluido do planeta que o espírito habita, selando esta relação profunda.


A saúde do planeta afeta a nossa saúde física, mental e espiritual, assim como nossas ações influem sobre a saúde do planeta. Os especialistas discutem a proporção real da problemática ecológica e o quanto dela se deve a ciclos naturais do planeta. Decerto, as alterações climáticas e geológicas são comuns no planeta, mas a peculiaridade deste momento é como ela é agravada pela ação humana e a crise de valores que acompanha a atual crise ecológica.


Temos a cognição de que estas duas crises, a ecológica e a social, da forma que se apresentam, com sua concomitância, não tem precedentes na nossa história e compreendemos também que ambas são, na realidade, duas faces de uma mesma crise, ou pelo menos, disso temos certeza, que elas repercutem uma sobre a outra agravando mutuamente seus efeitos. Assim temos ao mesmo tempo: um momento de transformações físicas naturais que tem causado alterações climáticas e aumento da atividade sísmica; transformações magnéticas e energéticas que acompanham estas mudanças climáticas e geológicas; transformações sociais onde ocorre a eclosão da violência e de patologias psíquicas que possuem suas causas históricas e sociais, mas que são agravadas pelos dois primeiros fatores e os males causados à natureza pela ação humana.


A atual revolução no campo energético do nosso planeta está também relacionada com fatores cósmicos mais amplos que escapam de nossa percepção. A Terra não é uma pedra impassível que navega inalterável no espaço. Como um ser vivo, ela é um sistema aberto que sofre influencia das modificações das energias solares e das regiões cósmicas por onde transita nossa galáxia que viaja no espaço.


Quando se aproxima uma catástrofe natural, os animais intuem por seu instinto o acontecimento. Nas últimas tsunamis ocorridas na Ásia, antecipadamente, muitos animais rumaram para áreas mais altas para se refugiarem. Existem centenas de exemplos de como os animais podem antever catástrofes ou mesmo “adivinhar” onde há alimento e água. O instinto é excelente guia, seu fundamento está na integração energética do corpo espiritual em formação compondo-se com as energias planetárias. Da mesma forma, nós estamos integrados à natureza com a diferença de termos o perispírito já formado. O raciocínio nem sempre nos permite observar nossas reações instintivas, sempre procuramos razões complexas para explicar o comportamento social desconsiderando que ele é significantemente influenciado por fatores ambientais, energéticos e espirituais que na maioria das vezes não nos damos conta. Uma simples alteração climática pode influir sobre os índices de violência urbana, o que dizer então de mudanças tão profundas como as que estão ocorrendo agora?


Neste momento, somos animais nervosos e amedrontados que pressentem o perigo como aqueles que pressentiam a tsunami. Este padrão de energia agitado tem provocado toda sorte de desordem comportamental e atingido, sobretudo as almas fracas e desequilibradas. Como os animais, sentimos a agitação. Os que desfrutam de relativo amparo da espiritualidade e conquistas no campo do equilíbrio emocional, ainda assim, sentem uma inquietação profunda, uma ansiedade que geralmente lhes conduzem a atuar de maneira mais intensa em suas atividades espirituais e humanitárias. Estes precisam estar atentos para que essa ansiedade não se torne medo e alimente a violência ou desespero. Mas há também aqueles que estão na escuridão do conhecimento das coisas espirituais, os que se comprazem nas trevas da ignorância, envoltos no padrão de energias angustiantes. São também os que se preocupam unicamente com a sobrevivência material, ou que se completam apenas com os prazeres oferecidos pela matéria, são dominados pela energia do medo, do egoísmo e da vaidade. Estes, inconscientemente também são agitados por essa revolução energética, mais que isso, pressentem que esta revolução lhes ameaça e que eles estão especialmente vulneráveis a tais transformações. Reagem como animais desesperados na fila para o abate. Em todas as partes eclodem núcleos de violência e barbárie, violência às vezes gratuita e incompreensível ou em outros momentos, travestida de ideais políticos e religiosos.


Observando a natureza, as espécies vegetais possuem mecanismos interessantes para garantir sua perpetuação biológica. Quando submetida a qualquer estresse climático, químico ou hídrico a planta reage acelerando sua reprodução, emitindo pendões florais, para garantir a perpetuidade diante do perigo iminente. São biologicamente programadas para reagir pelo automatismo fisiológico, mesmo que ainda não tenham consciência de si mesmas. O princípio espiritual estagia nos pródromos da matéria, assimilando os seus automatismos, para despertar a consciência com o manancial de aquisições evolutivas conquistadas ao longo de sua caminhada nos reinos da natureza. Ao despertar como espírito individual e completo o homem ainda encontra-se preso aos atavismos materiais, sobretudo as reações instintivas de sobrevivência e reprodução. As energias sexuais ainda preponderam sobre o plano da consciência e no início de sua caminhada o espírito está predominantemente dominado pelo plano biológico da sobrevivência que equivale ao sexo e ao alimento, para depois desenvolver o sentimento que o eleva a condição humana.


A estrutura do corpo físico, vigorosa de hormônios sexuais, é típica deste estado evolutivo e compatível com o nível de consciência do espírito recém chegado na hominalidade. Os hormônios sexuais estão também relacionados com os impulsos de agressividade necessária para a luta e sobrevivência enquanto estagia em mundos primitivos. Sexo e violência andaram sempre juntos porque possuem uma relação fisiológica muito próxima, além de serem impulsos dominantes e incontroláveis nos espíritos menos evoluídos.
Assim, podemos entender que se o atual padrão energético da Terra provoca reações de agressividade e ansiedade, ele também estimula a libido e a recrudescência à sexualidade impulsiva e desregrada. É uma resposta instintiva ao pressentimento inconsciente do perigo, assim como a planta que acelera seu processo reprodutivo para garantir sua sobrevivência mesmo sem ter consciência deste processo. O padrão atual de energia é favorável a exacerbação das energias sexuais, isso não seria um problema se tivéssemos equilíbrio para canalizar estas energias e é isso o que tem feito espíritos nobres que têm produzido neste momento grandes obras no campo da ciência, tecnologia, humanidade, arte e espiritualidade. A maioria, porém, sofre a influência desta faixa vibratória de maneira desequilibrante, dando vazão aos seus impulsos, prescindindo de valores éticos e morais, agravando ainda mais o seu estado individual de comprometimento diante das leis divinas e, por conseqüência, agravando o panorama de desequilíbrio e sofrimento da humanidade.
 
Este padrão de energia exerce uma função catalisadora, sua origem está nas atuais revoluções climáticas e geológicas (pois é chegado o momento natural delas acontecerem), sob influencia desta torrente energética, que não é boa nem ruim – nossas reações é que qualificam seus efeitos – cria-se uma psicosfera de desequilíbrio que agrava o problema, além da destruição da natureza pelo homem, desdobrando todo um panorama de revolução e transformações sociais, ambientais e espirituais. Esta psicosfera pode causar desde a ansiedade e hiperatividade, o que leva a uma maior produção em todos os campos de atividade humana, até a obsessão pelo trabalho, o estresse e o desenvolvimento de psicopatologias relacionadas com a ansiedade como o pânico e os transtornos obsessivos compulsivos, ou mesmo, nas personalidades mais depressivas e fragilizadas, distúrbios como as depressões e transtornos bipolares. Todos estes fatores unidos ao nosso insalubre modelo de vida, onde predominam o sedentarismo, dietas pouco saudáveis e contaminação oriunda de agrotóxicos, poluentes e medicamentos, é a combinação tragicamente perfeita para deixar-nos ainda mais vulneráveis a esta crise.


A espiritualidade não nos deixa órfãos nestes momentos tão difíceis e encarnam na Terra espíritos missionários que surgem como faróis na noite escura que atravessamos. Eles surgirão (e já surgem) em todas as partes e não serão identificados por pertencerem a alguma bandeira ou ideologia específica. É preciso que seja assim, porque agora o inimigo não está mais personificado em um país, religião, bandeira política ou ideológica. Não está mais em grupos ou famílias inimigas. O inimigo agora está em nosso país, em nossa fronteira, compartilha das mesmas bandeiras ideológicas, senta-se conosco à mesa e se parece fisicamente. O inimigo hoje pode ter o mesmo sangue, pode ser uma mãe que joga o filho pela janela ou um filho que assassina os pais para tomar-lhes a fortuna.


Diante da tormenta é necessário ter redobrada vigilância e esforçar-se por manter o pouco de luz que adquirimos para não nos perdermos na escuridão da ignorância. É preciso trabalhar no sentido de garantir conhecimento espiritual aos milhares de sedentos que anseiam por compreensão e esperança. A coragem e o amor são os grandes e legítimos instrumentos que podem salvar-nos e salvar aqueles aflitos que buscam alívio, compreensão e sentido para prosseguir a existência.


Neste momento é preciso não vibrar nas faixas da contenda e dos sectarismos gratuitos, eivados de floreios retóricos, alheios à gravidade do problema. Na crise é preciso ser tolerante com as diferenças menores, a fim de unir forças para o objetivo maior de esclarecer um maior número de consciências sedentas de socorro espiritual. No momento, nós, líderes, pensadores e formadores de opinião, nos encontramos como doutores da lei e sacerdotes discutindo o sexo dos anjos, orgulhosos dos nossos saberes, felizes quando vencemos os conclaves filosóficos com nossos argumentos rebuscados, enquanto isso, a porta do templo do conhecimento está fechada e lá fora os sedentos das noções mais elementares da espiritualidade gritam de desespero. Não nos esqueçamos que nos será pedido contas dos talentos que recebemos e que amanhã poderemos renascer sem o privilégio dos conhecimentos que temos, à míngua entre a humanidade mendicante de diretrizes espirituais.


Não se põe uma candeia debaixo do alqueire, sobretudo quando a escuridão ameaça destrilhar a humanidade. Unamo-nos, pois no propósito de esclarecer consciências e consolar corações.