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Pensando na mulher

Pensando na mulher
Nara Coelho



Em todos os tempos a mulher protagoniza paradoxos. Ora tratada como rainha, ora como escrava; ora deusa, ora demônio; ora esperança, ora perigo. O certo é que sua passagem pela História reveste-se de uma aura de mistério, de um quê de magia que, se enternece, assusta, e provoca reações diversas e adversas, que vem se alongando pelos milênios, atestando a ignorância das criaturas sobre a finalidade da vida no corpo físico. Em todas as situações, porém, o trato com a mulher sempre revelou discriminação, que significa diferenciação, separação com conotação inferiorizante, apoiada pelas religiões dominantes que, ainda hoje, a marginalizam em sua legislação interna. Tudo isso à revelia de Jesus, que foi o primeiro feminista da História ao estabelecer no episódio da mulher adúltera, a quem salvou do apedrejamento legal, o marco da igualdade entre os sexos. Mas não foi a primeira, nem a última vez que o Cristianismo oficial contrariou Jesus...


Com o advento do Espiritismo, o Cristianismo foi resgatado em sua pureza primitiva e trazido de volta à inteligência e à apreciação do homem comum, fornecendo-lhe os subsídios indispensáveis ao seu aprimoramento com vistas ao alcance da sabedoria que é a senha para a felicidade. Kardec renovou para o mundo a assertiva de que os ensinos de Jesus não dizem respeito à única vida que se espreme entre o berço e o túmulo, razão de terem-se tornado inteligíveis. Eles ecoam por sobre a morte física para alcançar a eternidade que se manifesta através dos espíritos que ressurgem na matéria, ora  vestindo corpos físicos masculinos, ora femininos, dependendo de suas necessidades evolutivas. Assim, o mistério que envolvia a mulher deixou de ser alimentado pela ignorância, permitindo-lhe assumir o lugar que sempre lhe pertenceu: o de parceira do homem na escalada evolutiva, com os mesmos direitos, embora com funções diferentes.


O reflexo mais imediato desse entendimento verifica-se na vida familiar, cenário onde se desenrolam os mais importantes e decisivos acontecimentos para o futuro dos espíritos que ali se reuniram, segundo as leis divinas de ação e reação ou de causa e efeito. O Espiritismo informa que o lar é o cadinho de aperfeiçoamento das almas que abriga para experiências renovadoras, através do aprendizado estimulado pelo entrelaçamento afetivo que, naturalmente, ali se instala. E alerta, apoiado em fatos, que um dos fatores decisivos para o esfacelamento da vida familiar é o desrespeito em relação à mulher. Ainda hoje, apesar do avanço científico e tecnológico e da demonstração mais do que comprovada da sua capacidade intelectual, contribuindo cada vez mais amplamente para o avanço da sociedade em todos os setores em que atua, as esposas, filhas, irmãs, mulheres, enfim, ainda sofrem humilhações e constrangimentos no lar. Eis que os resquícios do passado revelam-se nos homens que permanecem ignorando as leis de Deus, o que os leva a sentirem-se superiores e, portanto, autorizados a dispor da mulher da maneira que melhor lhes aprouver. Interessante observar que tal comportamento independe de nível cultural, social ou financeiro. Mas depende do nível moral, que quanto mais desenvolvido mais o aproximará das leis divinas, exemplificadas por Jesus. Assim, ao informar que o espírito que animou o corpo de um homem pode animar o de uma mulher numa nova reencarnação e vice versa, o Espiritismo diz ao homem que o discriminador de hoje será discriminado amanhã, cumprindo o alerta evangélico de que “o Céu e a Terra não passarão até que o homem resgate o último ceitil”. Diz ainda que o espírito não tem sexo, cumprindo a cada um desenvolver através das várias experiências físicas, as virtudes e as potencialidades concernentes ao corpo feminino ou masculino que ocupará, cabendo-lhe bem aproveitar tais oportunidades, já que não existe mensagem mais direta de Deus ao homem do que o seu corpo físico. De posse desse conhecimento, os espíritos que se reúnem num mesmo lar, como homens ou mulheres, perceberão, finalmente, o quanto é valiosa a experiência de, mutuamente, auxiliarem-se, amando-se, na laboriosa e edificante romagem evolutiva. Eis que falam a mesma língua só que com vocabulários diferentes!