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Administrar Com Jesus. Reflexões organizacionais (Parte 5)

Autor: 
André Siqueira

 

O ADMINISTRADOR: SEU DESENVOLVIMENTO COMO PESSOA, COMO EXECUTIVO E COMO LÍDER.

O administrador não é meramente uma pessoa, é um papel organizacional. A pessoa que desempenha o papel de administrador é sobretudo um Espírito em processo de aprendizagem.

Como indivíduo o administrador deve lembrar-se sempre de sua condição de aprendiz. Deverá praticar o autoconhecimento para compreender as suas próprias forças e também suas fraquezas. Explorando sua própria dimensão pessoal saberá respeitar os limites alheios e do mesmo modo que se esforça por melhorar suas fragilidades, igualmente poderá contribuir para a melhoria das dificuldades de seus colaboradores.

A prática do aperfeiçoamento pessoal levará o administrador a identificar suas necessidades de melhoria em três dimensões próprias: (a) o desenvolvimento do pensamento estratégico e sistêmico; (b) a capacidade de supervisionar ações táticas e; (c) as habilidades de garantir as realizações operacionais. É comum que os indivíduos imbuídos das funções administrativas atuem em apenas uma destas dimensões, mas convém que estejam capacitados para atuar em todas elas. Parte das dificuldades na formação de um líder é a confusão entre o que o indivíduo é deve estar capacitado para fazer e o que lhe é exigido no desempenho de um determinado papel de liderança. Lideres estratégicos devem ser capazes de pensar e agir estrategicamente, mas devem estar igualmente capacitados para planejar e desenvolver ações táticas e operacionais.

O pensamento estratégico considera a organização como um sistema. Planeja e desenvolve ações de modo a executar a missão organizacional, e para isso define rumos e efetua controles estratégicos seja promovendo novos projetos ou promovendo a melhoria de processos existentes. As ações táticas envolvem a definição de tarefas de agregação de valor, dos resultados que devem ser obtidos e da qualidade dos produtos resultantes de modo a garantir a consecução das estratégicas organizacionais. Um bom líder tático promove o envolvimento da equipe na realização de ações autodirigidas – aquelas em que cada pessoa compreende a importância do trabalho a ser executado e compartilha da responsabilidade e do mérito na execução das tarefas.

A habilidade operacional – a ser desenvolvida como uma capacidade pessoal – envolve o exercício de tarefas, mas também a capacidade de promover o controle cooperativo de modo que todos os envolvidos possam compreender o andamento das atividades em curso. O líder operativo é capaz de cooperar sempre. Saberá não apenas conduzir, mas igualmente executar ações com maestria, sempre consciente de que pode aprender sempre, de que pode melhorar sempre.

Neste particular, o exemplo do Cristo é sempre significativo. O Governador espiritual da Terra, responsável pelo planejamento e execução do projeto de um Planeta e da educação de incontáveis almas que o utilizam como escola, soube cingir-se à moda de escravo para lavar os pés de seus irmãos, garantindo-lhes a reflexão quando à importância de saber agir no bem nas maiores ou menores circunstâncias.

Como líder, o administrador da Casa Espírita não buscará a condição de usuário do poder. Aprenderá a aplicar o seu potencial nas oportunidades de trabalho e buscará na colaboração o instrumento adequado para o aprendizado comum. Buscará a inspiração do alto, ciente de que a Providência Superior é o pleno poder que nos ampara e educa na Vida. Sabedor de sua condição de mordomo das oportunidades de trabalho, desenvolverá os talentos disponíveis – tanto os seus quanto os de seus colaboradores – para garantir o bem-estar geral segundo os parâmetros da educação espiritual.

Ao compreender que o trabalho na atividade espírita é de caráter voluntário, o administrador saberá acolher e dispensar os trabalhadores segundo suas respectivas vontades de chegar e partir, de aderir às políticas institucionais ou de afastarem-se delas com um natural afastamento da Casa ou da Causa. Compreendendo a necessidade de manter a disciplina do trabalho sob os parâmetros superiores não deverá adaptar as atividades aos interesses transitórios do mundo, mas buscar nos propósitos espirituais a realização da missão do Espiritismo como Escola das Almas para o entendimento da Lei Divina.

Reflexões Conclusivas

No exercício administrativo do movimento espirita sugere-se atenção para a necessidade de compreender a missão de cada instituição para que as organizações humanas sejam espelhos fiéis dos propósitos da Vida. Definir a missão institucional é declarar a função da Casa Espírita no contexto da sociedade de modo que as pessoas, os recursos e conhecimentos possam ser coordenados para o cumprimento desta função sócio-espiritual.

Declarada a missão é hora de criar estratégias para melhorar o desempenho das atividades através do desenvolvimento de projetos e aprimoramento de processos, que juntos podem contribuir para a realização da missão institucional.

O corpo administrativo da instituição deverá estar atento no cumprimento da estratégia criando mecanismos de controle e melhoria das ações cooperativas, sempre lembrando de que o essencial não se deve obscurecer em favor do acessório.

As pessoas são o motivo, o principal instrumento e os principais beneficiários do cumprimento da missão organizacional de uma instituição espirita. Elas são vistas como espírito em desenvolvimento e por isto a Casa Espirita dará atenção aos relacionamentos entre elas e ao processo mesmo de sua educação com vistas à imortalidade.

Por fim, o corpo administrativo deverá cuidar de seu próprio aprimoramento seja no estudo ou no trabalho buscando a execução dos propósitos divinos e sem a pretensão do exercício de poder como instrumento de autopromoção ou de realização de interesses pessoais.

É preciso refletir no ideal kardequiano de Trabalho, Solidariedade e Tolerância. Para tanto confiamos no convite reflexivo do Espírito Emmanuel, através da pena mediúnica de Francisco Cândido Xavier (1976):

 

O trabalho edifica.

A solidariedade aperfeiçoa.

A tolerância eleva.

Trabalhando, melhoramos a nós mesmos.

Solidarizando-nos, enriqueceremos o mundo.

Tolerando-nos, engrandeceremos a vida.

Para trabalhar, com êxito, é necessário obedecer a lei.

Para solidarizar-nos, com proveito, é indispensável compreender o bem e cultivá-lo.

Para tolerar-nos, em sentido construtivo, é imprescindível amar.

Em vista disso, o Mestre Divino, há quase dois milênios, afirmou para o mundo:

“Meu Pai trabalha, até hoje, e eu trabalho também.

Estarei convosco até o fim dos séculos.

Amai-vos, uns aos outros, como eu vos amei. “

Trabalhemos, então, construindo.

Solidarizemo-nos, beneficiando.

Toleremo-nos, amando sempre.

Vinculada aos fundamentos divinos, a sublime trilogia de Allan Kardec é plataforma permanente, em nossos círculos doutrinários, constituindo lema substancial que não pode morrer.

Emmanuel

 

 

REFERÊNCIAS

DRUCKER, P. Administração de Organizações sem fins lucrativos. São Paulo: Pioneira, 1994. (Biblioteca Pioneira de administração de negócios).

KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 76. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1857/1944.

KARDEC, A. Obras póstumas. Tradução de Guillon Ribeiro. Rio de Janeiro: FEB, 1890/1976.

LORENS, E. M. Aspectos normativos da segurança da informação: um modelo de cadeia de regulamentação. Dissertação (Dissertação de Mestrado) — Departamento de Ciência da Informação e Documentação da Universidade de Brasília, Brasília, DF, Julho 2007.

MINNESOTA, U. of. Administrative Policies - Establishing Administrative Policies. 2012. On line. Disponível em: <http: //policy.umn.edu/Policies/Operations/Compliance/UPOLICY.html>.

XAVIER, F. C. Luz no Caminho. Pelo Espírito Emmanuel. São Paulo: IDEAL, 1976.

XAVIER, F. C. A Boa Nova (pelo espirito Humberto de Campos). Edição Eletrônica. 1a. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2011.