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A enfermidade e a cura

Autor: 
Nara de Campos Coelho

Nunca me esquecerei do dia em que vi o corpo de minha avó estendido no leito, minutos após o seu desencarne. Seus cabelos fartos e brancos pareciam vivos ao sabor da brisa que entrava pela janela do quarto. Mas eu, olhando demoradamente para aquele corpo, cujos olhos cerrados davam mostras de um sono tranqüilo, senti que ele estava vazio. Os olhos se fecharam por não ter mais a alma para espelhar... Essa foi a sensação mais forte daquele momento. Minha avó não estava ali. Saíra, deixando o corpo que lhe servira de instrumento de progresso durante 95 anos. Naquele dia, entendi como nunca porque o espiritismo usa o termo desencarne: o espírito continua vivo, mas despe-se da roupagem de carne dispensável no mundo espiritual para onde retorna. E o corpo sem espírito é apenas a veste adequada a nossa vida material. Tal qual um casaco útil para nos aquecer no inverno, inadequado, porém, ao verão. Não somos as nossas vestimentas, por mais ricas, queridas e apropriadas que elas sejam. Por isso o apóstolo Paulo fez distinção entre o corpo da corrupção e o da ressurreição.

Quando a enfermidade bate à porta do nosso cotidiano, visitando-nos ou a entes queridos, sentimo-nos em meio a um terremoto interior. Ato contínuo, buscamos a cura, como famintos ao pão. Urge que a alcancemos, não nos importando de onde venha. Assim, é comum engrossarmos as fileiras dos mais inesperados e esdrúxulos processos terapêuticos, se ali identificarmos alguma expectativa de cura. Tal comportamento é tão antigo quanto o homem e a doença. Entretanto, raramente buscamos a cura real, pois basta sentirmos os primeiros efeitos positivos do tratamento para nos esquecermos de todos os medos e retomarmos a rotina anterior, muitas vezes a causa da doença.

O espiritismo nos dá informações muito úteis e  práticas no trato com a doença, dizendo-nos que ela já traz em si um processo terapêutico o qual precisamos identificar para seu melhor aproveitamento. Eis que somos espíritos em evolução, com bagagem adquirida através das renovadas experiências no corpo físico a nos situar os vários matizes de necessidades. Dessa forma, não podemos viver como se fossemos corpo, pois apenas vestimos o corpo, verdadeira expressão do espírito. E as doenças deste procedem, levando-nos a entender a fragilidade das profilaxias que nos reduzem a máquinas, desprezando-nos a essência. A Medicina oficial, embora já não considere a existência de doenças, mas de doentes, tem caminhado muito lentamente na adequação dos tratamentos a essa concepção. Resultado: com todo seu inacreditável avanço, ainda luta com os remédios que, se fazem bem a um paciente, não surtem efeito em outro com o mesmo diagnóstico e, num terceiro, provocam efeitos colaterais, acabando por complicar o quadro. E permanecem inexplicáveis muitos acontecimentos como a reação de determinados pacientes que, ao contrário da maioria, vencem as doenças tidas como fatais ou irreversíveis. Bem como as epidemias, quando poupam muitos ao invés de exterminar todos, ocorrência certa se fossemos apenas corpos. Por isso, a Homeopatia, a Antroposofia e outros caminhos da Medicina que vêem os pacientes também como espírito vão ocupando o espaço que de há muito lhes pertencia e, certamente, num futuro próximo, atuarão todas juntas, completando-se para beneficiar a humanidade inteira.

Com o espiritismo sabemos que as doenças estão na constituição íntima de cada um de nós e só se desenvolverão se lhe oferecermos ambiente propício. E mais uma vez percebemos que Jesus veio trazer-nos um código de vida, mas de vida em abundância, com muita saúde, paz e alegria. Todos os seus ensinos revelam-nos formas de conduta capazes de sintonizar-nos a faixas superiores de vibração, pois tanto na saúde como na doença pesam a lei de causa e efeito. Assim, amando, perdoando, sendo fraternos, solidários, úteis e, enfim, combatendo nossas más tendências para viver segundo as leis de Deus, exemplificadas por Jesus, alcançaremos a terapêutica infalível da renovação, que nos libertará dos velhos hábitos que nos fizeram “abrir a porta” para a doença. E então alcançaremos a cura, onde estivermos, pois teremos entendido a mensagem espiritual contida na enfermidade, e que Jesus revelou ao repetir: “Tua fé te curou. Vai e não tornes a errar para que não te suceda o pior!”