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Reminiscências da orientação na juventude espírita

Autor: 
Marcus Vinicius de Azevedo Braga

Perdoe, estimado leitor, o uso de uma narrativa pessoal, mas exemplos vivos, ainda que por vezes idealizados, nos fazem pensar que é possível mudar e fazer diferente, como heróis de carne e osso que tentamos ser, nas lutas cotidianas da existência encarnada.

Ultrapassada essa breve justificativa introdutória, remeto o leitor ainda atento a década de 90, quando eu como jovem frequentava a chamada Juventude Espírita, nas manhãs ensolaradas de domingo. Um tempo de aprendizado, como é a juventude, e de sedimentação da personalidade, no qual fui brindado com dois exemplares orientadores de mocidade, os grandes X. e Y.

X. e Y. conduziam a Mocidade Espírita Z. em um grupo de cerca de 40 jovens e atuavam nessa coordenação com a combinação de duas virtudes: “autonomia” e “aprendizagem vivenciada”, em dois eixos que classifico agora, imperceptíveis a época, e que auxiliaram nessa forja daquele grupo que hoje eu encontro por aí, nas quebradas da vida, e vejo que deu frutos, profundos e tenros.

Perdoe, estimado leitor, o uso de uma narrativa pessoal, mas exemplos vivos, ainda que por vezes idealizados, nos fazem pensar que é possível mudar e fazer diferente, como heróis de carne e osso que tentamos ser, nas lutas cotidianas da existência encarnada.

Ultrapassada essa breve justificativa introdutória, remeto o leitor ainda atento a década de 90, quando eu como jovem frequentava a chamada Juventude Espírita, nas manhãs ensolaradas de domingo. Um tempo de aprendizado, como é a juventude, e de sedimentação da personalidade, no qual fui brindado com dois exemplares orientadores de mocidade, os grandes X. e Y.

X. e Y. conduziam a Mocidade Espírita Z. em um grupo de cerca de 40 jovens e atuavam nessa coordenação com a combinação de duas virtudes: “autonomia” e “aprendizagem vivenciada”, em dois eixos que classifico agora, imperceptíveis a época, e que auxiliaram nessa forja daquele grupo que hoje eu encontro por aí, nas quebradas da vida, e vejo que deu frutos, profundos e tenros.

A autonomia se dava por nos enxergar como jovens, com suas limitações, mas que detinham o potencial de romper esses limites. Autonomia que pensava no futuro, que seríamos adultos em breve, pensando que esse período da juventude deveria ser bom, mas que também iria passar.

Nessa linha, com ousadia e carinho, X. e Y., com o apoio da casa espírita, colocavam os jovens durante um mês do ano para dar palestra na reunião pública de sábado à noite. Na reunião da juventude quem dava o estudo era o jovem, desenvolvendo nestes o ímpeto da pesquisa e da construção do pensamento espírita.

Imagine, ainda atento leitor, que alegria, e que “frio na barriga” era você, um jovem, proferindo uma palestra...quanto risco...quanto crescimento...era romper para quem assistia a ideia retrógrada de que jovem na casa espírita somente servia para “carregar cadeiras”.

De forma democrática e respeitadora, o início do ano era utilizado para o planejamento das atividades da juventude, envolvendo todos (note atento leitor, todos!) os jovens nessa discussão. E ao final do ano, nos reuníamos, para avaliarmos o que foi feito, desabrochando com essas modernas práticas, em cada um, uma maturidade voltada para resultados, qualidade e transformação. Um exercício para a vida social, religiosa e profissional.

No que tange a dimensão da “aprendizagem vivenciada”, os nossos coordenadores de juventude X. e Y. nos engajaram, jovens de 14 a 18 anos, em um trabalho assistencial de evangelização, que já existia, dentro de uma comunidade carente, no qual nós jovens coordenávamos as nossas turmas e as atividades correlatas, como festas para arrecadar gêneros, por exemplo.

Pense só, você que ainda nos lê nessa narrativa, como lapidava o nosso coração essa experiência. E como fazia bem aquelas crianças a nossa energia para cantar, brincar e ensinar. Uma escola de vida ver, como jovem, o valor das coisas junto aqueles que não tinham muito, e ver que apesar disso um sorriso poderia fazer milagres.

Nessa mesma linha, vez o outra um jovem era convidado a participar da Reunião Mediúnica da qual X. e Y. frequentavam, para ali desmistificar a questão do intercâmbio e aprender um pouco, naquele momento especial dessas atividades, no qual morremos um pouquinho diante dos depoimentos dos irmãos desencarnados em sofrimento.

Por óbvio, fazíamos campanha do quilo, organizávamos peças teatrais, encontros e outras atividades comuns nas juventudes espíritas, sob a supervisão confiante de X. e Y., mas tínhamos em nós, bem claro, que a condução das tarefas da juventude tinha a nossa digital, o que nos fazia crescer, na teoria e na prática, sem padecer daquele medo vigilante do jovem que vai deturpar o mundo.

Para X. e Y. a constância era um valor. Ouvíamos que não poderíamos ser como o beija-flor, bicando várias flores, que o trabalho deveria ser constante, com envolvimento, o que traria modificação espiritual a todos os envolvidos. As atividades culturais, encontros, visitas a outras juventudes eram boas, estimuladas, mas com o alerta do comedimento que inibe o turismo na vivência espírita.

Um tempo bom que deixou suas marcas nas nossas personalidades. Marcas oriundas de práticas, de visões que seriam salutares as juventudes espíritas e aos trabalhos em geral na doutrina. Autonomia, que se constrói com confiança e participação! Aprendizagem vivenciada no diálogo permanente da teoria e da prática.

Essa equação da juventude X. e Y. souberam bem resolver. Com amor e diálogo, souberam trabalhar a tenra flor dessa idade mitificada, na qual o espiritismo tem um grande papel, como alicerce para o futuro, mas como espaço também de vivência de um feliz presente.