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Os riscos dos procedimentos estéticos sem controle


25 de janeiro de 2017


'Achei que minha boca fosse explodir': os riscos dos procedimentos estéticos sem controle


Por Melanie Abbott
BBC Radio 4

Cada vez mais britânicos estão recorrendo a procedimentos estéticos. Muitos saem satisfeitos com os resultados - mas a indústria da beleza britânica, avaliada em 3,6 bilhões de libras, não está regulamentada, o que coloca em risco a segurança dos pacientes.

"Assim que terminou, entrei no carro e chorei. Senti que eu tinha me autoflagelado".

O depoimento é de uma das milhares de jovens que se submetem ao preenchimento facial como uma solução milagrosa para elevar a autoestima. O procedimento estético é um dos mais acessíveis, uma vez que não precisa ser feito por médico ou clínica autorizada no Reino Unido.

Aos 24 anos, Tina, que prefere não revelar seu nome verdadeiro, pagou 75 libras por um preenchimento labial, realizado no salão de beleza que frequentava.

"Foi fácil demais", disse.

"Logo depois, ficou horrível. Muito inchado", se recorda.

"Eu nunca senti tanta dor como naquela noite. Fiquei acordada de 2h até 5h da manhã no banheiro, observando meu lábio no espelho. Achei que a minha boca ia explodir. E senti vergonha por ter me submetido a isso apenas por vaidade", conta.

Tina diz que seu parceiro não se conformava:

"Ele ficou bravo. Eu pensei que a gente ia terminar por causa disso. Ele dizia: 'Você sempre falou que queria parecer natural - por que você fez isso?'", relata.

O caso de Tina é apenas um entre tantos. Uma pesquisa da BBC, realizada em outubro, mostrou que 32% das mulheres britânicas buscam cirurgia plástica. Entre as mulheres com menos de 35 anos, esse percentual sobe para 45%.

O procedimento cirúrgico mais popular é o aumento dos seios. Sarah, que também não quis dar seu nome verdadeiro, se submeteu a essa operação aos 21 anos.

"Eu estava muito infeliz com a aparência do meu corpo", diz.

A jovem se consultou gratuitamente em uma clínica onde conta ter sido recebida por uma equipe calorosa, que não parecia ser formada por médicos. Pagou um depósito não-reembolsável de 500 libras e foi submetida à cirurgia para colocar silicone nos seios.

Após o procedimento, ela conta que sentiu uma dor tão forte que não conseguia sentar na cama sem ajuda por duas semanas. E imediatamente teve consciência de que o implante parecia completamente falso.

"É algo que eu tenho que admitir. Sou tão superficial que passei por tudo isso e ainda gastei esse dinheiro todo", desabafa.

"Os implantes só duram de 10 a 15 anos, se você tiver sorte. Então depois, você ainda tem que passar por isso novamente para ter as próteses substituídas ou removidas", completa.

Desde 2014, tem havido um aumento de 13% ao ano em todos os procedimentos estéticos, de acordo com relatório anual da Associação Britânica de Cirurgiões Plásticos Estéticos (Baaps, na sigla em inglês). No entanto, essa continua a ser uma das áreas menos regulamentadas da medicina no Reino Unido.

Há seis anos, um escândalo - que revelou próteses mamárias adulteradas, feitas a partir de silicone industrial - levou o governo a solicitar uma revisão da regulamentação da indústria.

A revisão chamou a atenção para as injeções de preenchimento facial, recomendando que só deveriam ser aplicadas mediante prescrição médica. Para Rajiv Grover, ex-presidente da BAAPS, a medida tornaria o procedimento mais seguro.

"Iria regulamentar quem é capaz de realizar esse tipo de tratamento - que teria que ser um profissional médico - e impediria tanta publicidade", afirma.

"O excesso de marketing dá a impressão que esses tratamentos são um passaporte para uma vida de glamour. Essa ideia é completamente equivocada", completa.

A revisão também recomendou um registro obrigatório de cirurgiões plásticos, que listariam suas especialidades, qualificação para aplicar preenchimento facial e um seguro compulsório para o caso de algo dar errado. Nenhuma das medidas foi totalmente implementada.

A médica Rosemary Leonard, que participou do painel de revisão, sente que foi uma perda de tempo.

"Um preenchimento facial segue tão regulamentado quanto uma caneta esferográfica. Qualquer um pode colocar preenchimento no rosto de alguém. Estou muito triste e irritada. O governo adotou muito pouco das nossas recomendações", afirma.

Em sua clínica, a médica recebe diversas pacientes vítimas de cirurgias plásticas mal sucedidas.

"Eu vi cicatrizes assustadoras de cirurgias que deram errado," conta.

Mas, mesmo quando os procedimentos são bem sucedidos, também podem ser questionados.

Sharon Dhaliwal fez uma cirurgia plástica no nariz, aos 23 anos, após ter sofrido bullying na escola.

Ela conta que se tornou mais extrovertida após o procedimento e parou de desviar o olhar quando estava diante do espelho.

Ela se pergunta agora, no entanto, se devia ter encarado seu nariz proeminente indiano como normal, ao invés de se render a uma visão eurocêntrica de beleza, em que apenas um nariz pequeno e arrebitado é considerado atraente.

"Eu removi parte da minha identidade", diz.

"Me sinto chateada, ninguém me disse que eu era bonita mesmo com um nariz grande", desabafa.

No ano que vem, o Royal College of Surgeons vai lançar um novo registro para cirurgiões plásticos. Para se qualificarem, os médicos terão que provar que já realizaram um certo número de procedimentos e fornecer uma referência.

Além disso, o órgão consultivo Health Education England desenvolveu uma qualificação, com status de pós-graduação, para os profissionais que desejam aplicar preenchimentos faciais.

Mas, até o momento, nem o registro nem a qualificação serão obrigatórios. E a indústria da beleza bilionária continuará a funcionar sem ser regulamentada.

Notícia publicada na BBC Brasil, em 6 de dezembro de 2016.


Claudia Abreu* comenta

Podemos ver nesta matéria a insatisfação que as pessoas geralmente têm com o seu corpo e/ou sua aparência. Difícil encontrar quem esteja totalmente satisfeito com o que vê no espelho, e fica na busca de seguir um padrão de beleza. E a própria sociedade cobra esse padrão de beleza das pessoas, e principalmente das mulheres, podemos ver isso claramente no exemplo da indiana que por não ter um nariz pequeno e arrebitado, considerado atraente, sofreu bullying na escola e acabou se rendendo a cirurgia plástica por causa de uma visão de beleza do país onde está morando.

A preocupação com o corpo é muito importante, pois devemos nos cuidar para que tenhamos uma boa saúde, por isso a importância de se ter uma boa alimentação e uma frequência nos exercícios físicos. Mas tudo deveria seguir sem exageros, pois muitos acabam fazendo exercícios demais, com o compromisso não de ter uma boa saúde, mas sim de um corpo escultural e assim acaba prejudicando a saúde.

Portanto, muitas pessoas querem mudar a aparência e acabam se rendendo a qualquer procedimento estético que vê pela frente. E como não há uma regulamentação efetiva, fica fácil para que esses procedimentos sejam ofertados e concretizados por qualquer pessoa, estando ela habilitada ou não.

A doutrina espírita nos fala da importância do cuidado com o corpo e com o espírito também. Como podemos ver no capítulo “Sede Perfeitos”, item 11, do “O Evangelho Segundo o Espiritismo” quando nos diz: “...demonstrando-lhes as relações que existem entre o corpo e a alma e dizendo-lhes que, por se acharem em dependência mútua, importa cuidar de ambos. Amai, pois, a vossa alma, porém, cuidai igualmente do vosso corpo, instrumento daquela. Desatender as necessidades que a própria Natureza indica, é desatender a lei de Deus”.

Podemos ver a necessidade de cuidar de ambos, pois o nosso corpo é a morada do espírito, portanto devemos cuidar bem dele. Mas não devemos esquecer da importância de cuidar do nosso espírito, pois acabamos esquecendo que somos espíritos imortais e que o nosso corpo um dia perecerá.

Essa é a perfeição a que devemos chegar, a do espírito, pois Jesus nos disse, e está escrito no evangelho de Mateus, que devemos ser perfeitos como perfeito é o nosso Pai celestial. E o item 2 do capítulo mencionado acima de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” nos explica o que Jesus quis dizer: “Em que consiste essa perfeição? Jesus o diz: 'Em amarmos os nossos inimigos, em fazermos o bem aos que nos odeiam, em orarmos pelos que nos perseguem.' Mostra ele desse modo que a essência da perfeição é a caridade na sua mais ampla acepção, porque implica a prática de todas as outras virtudes”.

Não devemos julgar ninguém sobre a importância ou não de mudar ou melhorar a sua aparência, mas não podemos deixar de nos questionar, antes de fazer qualquer procedimento estético, a importância disso realmente em nossas vidas, o que essa mudança irá acrescentar, os prós e os contras para saber se vale a pena ou não fazê-lo. E chegando a uma resposta positiva, buscar um profissional qualificado para o procedimento, pois nesse caso não podemos nos orientar pelo menor valor ou preço promocional, temos que buscar referências sobre uma clínica segura e com profissionais qualificados.

Então, devemos cuidar sim de nosso corpo, pois além de ser bom para a saúde física é bom para a saúde mental, já que eleva nossa autoestima. Mas sem excessos e sem loucuras! É o amar a si mesmo para que possamos amar ao próximo. E que não esqueçamos de cuidar do nosso espírito, pois devemos estar a procura sempre de nos elevarmos e nos aprimorarmos moralmente. Pois como nos disse Allan Kardec em “Obras Póstumas”: “O homem que se esforça seriamente por se melhorar assegura para si a felicidade, já nesta vida. Além da satisfação que proporciona à sua consciência, ele se isenta das misérias materiais e morais, que são a consequência inevitável das suas imperfeições.”

* Claudia Abreu é espírita e colaboradora do Espiritismo.net.