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Finalmente uma droga que faz bem à saúde


1º de outubro de 2016


Finalmente uma droga que faz bem à saúde


Boas notícias para os devoradores de páginas que não desejam nunca saciar a fome

BERNA GONZÁLEZ HARBOUR

Esta matéria sem dúvida pode lhe interessar: já sabíamos que o esporte pode aumentar em cinco anos a expectativa de vida; que o grão integral do cereal diminui em 7% a possibilidade de morte prematura; que a interação de dois genomas mitocondriais prolonga a vida em 16%, segundo publicou na Nature uma equipe de pesquisadores espanhóis, após analisar 20 gerações de roedores. Inclusive sabíamos que comer pouco é uma fórmula que atrasa o envelhecimento, devido à produção gerada de sulfeto de hidrogênio (que tem efeito protetor sobre as células), segundo estudos realizados na Universidade Harvard com camundongos e que confirmaram a prática oriental de que comer sem encher a barriga é um passo seguro rumo à longevidade.

Mas há uma coisa que não foi medida em roedores, e sim em pessoas, e que traz boas notícias para os devoradores de páginas que não desejam nunca saciar a fome: ler prolonga a vida; e quanto mais você ler, melhor. Aqui não há dietas, e o único milagre está na maior quantidade: quem lê em média 3,5 horas por semana vive 17% mais do que quem não abre um livro; os que leem ainda mais tempo vivem 23% mais. São quase dois anos – dois anos! – de recompensa.

Um estudo sobre saúde e aposentadoria realizado por cientistas da Universidade Yale avaliou 3.635 pessoas durante 12 anos. Depois de eliminar os fatores de ajuste de sexo, raça, condição de saúde e possível obesidade e depressão, a equipe decretou: ler prolonga a vida.

O estudo, publicado na Social Science & Medicine, conclui que os leitores de livros costumam ser mulheres com formação elevada e melhor poder aquisitivo, mas isso não é determinante; o fundamental é ler. “As pessoas que leem meia hora por dia já levam uma vantagem de sobrevivência significativa em relação às que não leem nada”, disse Becca R. Levy, professora de epidemiologia de Yale e principal autora do estudo, ao The New York Times. “E essa vantagem permanece após a correção de variáveis como a saúde, a educação e as habilidades cognitivas.”

O estudo não avalia gêneros nem qualidades literárias. Aparentemente, Cervantes e Dickens têm as mesmas chances de prolongar nossas vidas que Jorge Amado e Dan Brown. Jornais também contam. “Talvez o seguinte passo para Yale é medir com quais autores podemos viver um pouco mais. Essa é uma ideia. Agora já sabemos que a poesia não fornece antioxidantes como o arroz integral e que, no entanto, autores como Guimarães Rosa são pura ginástica para a cabeça; que o ensaio não tem a ver com gorduras monoinsaturadas, nem o romance com o risco cardiovascular, mas que a obra de Clarice Lispector pode manter nossos níveis de palpitações adequados. É uma descoberta genial para curtir este fim de inverno: pela primeira vez, a droga que queremos na veia é boa para a saúde. Se possível, com uma torrada integral na outra mão.

Notícia publicada no Jornal El País, em 22 de agosto de 2016.


Claudio Conti* comenta

Uma notícia, quando relacionada com informação decorrente de estudos científicos, somente poderá ser considerada como tendo sido bem escrita quando contiver, em seu corpo, a referência completa sobre a divulgação do estudo para que seja possível a sua consulta.

No caso do artigo em análise, não há referência adequada, faltando o mínimo necessário para consulta à fonte da informação, isto é, o artigo científico. Cita apenas que o estudo foi conduzido por cientista da Universidade de Yale. Uma universidade do porte da de Yale conta com numerosos cientistas e, por isso, espera-se uma grande quantidade de artigos científicos publicados. Assim, encontrar um artigo apenas com o nome da instituição de origem é impossível.

Contudo, após uma busca pela internet, utilizando algumas palavras chaves, verificou-se que esta notícia foi veiculada em vários sites diferentes, sendo que, em um deles, havia a informação quanto a metade do título do artigo. Contudo, em outro site encontrava-se o periódico em que foi publicado.

Assim, o título do artigo científico é "A chapter a day: Association of book reading with longevity” (Um capítulo por dia - Associação do hábito de ler livros com a longevidade, tradução livre).

Neste artigo, os autores correlacionam não apenas o hábito da leitura, mas principalmente a leitura de livros, com a longevidade, creditando este fato à cognição. Em outras palavras, o processo de aquisição de conhecimento funciona como ferramenta de proteção ao sistema orgânico, possibilitando uma vida mais longa e, certamente, mais feliz. Contudo, haveria a necessidade de uma imerssão, por assim dizer, deste entendimento, o que deve ser estabelecido com certa prolongamento no tempo do tema que se estaria lendo.

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo encontramos a seguinte orientação, ditada pelo Espírito de Verdade, quanto a necessidade do estudo: "Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo…”

Com o estudo em análise neste comentário, verifica-se que a orientação do Espirito de Verdade tem fundamentos muito mais profundos do que se consegue perceber.

* Claudio Conti é graduado em Química, mestre e doutor em Engenharia Nuclear e integra o quadro de profissionais do Instituto de Radioproteção e Dosimetria - CNEN. Na área espírita, participa como instrutor em cursos sobre as obras básicas, mediunidade e correlação entre ciência e Espiritismo, é conferencista em palestras e seminários, além de ser médium pscógrafo e psicifônico (principalmente). Detalhes no site www.ccconti.com.