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Na Austrália, ônibus movido a energia solar não cobra tarifa

21 de março de 2016



Na Austrália, ônibus movido a energia solar tem ar condicionado, wi-fi e não cobra tarifa



O ônibus Tindo está circulando desde fevereiro nas ruas de Adelaide, Austrália. Ele é totalmente abastecido por energia solar, tem capacidade para 40 pessoas sentadas e oferece ar-condicionado e wi-fi aos passageiros. O veículo não cobra tarifa, pois não existe gastos com energia elétrica ou combustíveis.


Desde fevereiro, ele já percorreu mais de 60 mil quilômetros, economizando 14 mil litros de diesel e livrando a atmosfera de 70 toneladas de gases poluentes.


Ele tem autonomia de 200 quilômetros em condições climáticas normais. O mecanismo de freio ajuda a aproveitar a energia do veículo, um sistema de frenagem regenerativa, transforma o impacto dos freios em força, economizando cerca de 30% do consumo.


O veículo faz parte da frota da Adelai Connector Bus, companhia de transporte público, que pretendia reduzir as emissões de carbono.


Notícia publicada no Portal Catraca Livre, em 19 de setembro de 2013.



Glória Alves* comenta


Nem combustíveis, nem eletricidade: diante de nós, um ônibus que circula movido a energia solar. Desde fevereiro sem cobrar tarifas, Tindo, “sol”, num dialeto aborígene, faz sucesso nas ruas de Adelaide, na Austrália, segundo a matéria do site catraca livre, é o primeiro ônibus do mundo a ser totalmente abastecido por energia solar e, além disso, esse ônibus oferece ar-condicionado e wi-fi aos passageiros, recursos obtidos pelos painéis fotovoltaicos da rede pública estatal. Tindo é totalmente confortável e silencioso!...


Como não há gastos com energia elétrica e nem combustíveis, a tarifa zero é garantida a todos os passageiros. É tudo que a gente quer, não é mesmo? Viver num mundo sem poluição, sem emissão de gases tóxicos, sem o barulho dos engarrafamentos, e sem tarifa também seria bom, mas isso sabemos que não é possível, visto que as empresas necessitam dos subsídios para pagar seus funcionários, pelo menos a tarifa mais barata.


As primeiras tentativas de fabricar máquinas alimentadas por energia solar datam do século XIX, quando Augustin Mouchot, professor e matemático francês (7/4/1825 – 4/10/1911), acreditava que o carvão, principal combustível usado na revolução industrial, iria eventualmente acabar e, portanto, ele buscava uma fonte de energia alternativa. Em 1866, depois de anos de pesquisas e várias tentativas, Mouchot finalmente conseguiu construir o primeiro motor solar. Ele utilizou um espelho côncavo para canalizar a luz, aquecer a água e construir o primeiro motor movido a energia solar.


O professor mostrou sua invenção para Napoleão que, feliz com a invenção, decidiu financiar Mouchot para que ele construísse um motor de escala industrial. Em 1874 ele constrói um motor solar capaz de produzir 0,5 cavalo de potência. Infelizmente a invenção não era viável, visto que seriam necessários 200 motores para alimentar 100 cavalos de potência, e que ocuparia uma área muito grande, cerca de 10 mil metros quadrados.


Naquela época Mouchot se preocupou com o fim do carvão, um dos recursos naturais não renováveis, como o petróleo; mas a nossa preocupação é, ou deveria ser com o nosso planeta, com a nossa casa, conosco mesmos; com o mundo que o Senhor Supremo nos deu como morada e que é de nossa responsabilidade respeitar, amar e cuidar. Que mundo queremos encontrar quando retornarmos, quando reencarnarmos novamente na Terra? O que estamos preparando para o nosso próprio futuro?


Um dos principais e graves problemas da humanidade ainda hoje é a emissão do dióxido de carbono, emitido para a atmosfera pela queima de combustíveis fósseis e outras atividades humanas. O dióxido de carbono é o principal gás do efeito estufa, contribuindo com grande parte do aquecimento global, a poluição, os desmatamentos das florestas, acabando com o nosso lar planetário. E tudo isso tem um preço que todos nós pagamos, vem para nós através das inundações, do aumento das temperaturas, das proliferações dos mosquitos, das doenças... todos sofremos!


Tudo foi criado para nós, por Deus, através dos seus Ministros, os Arquitetos Divinos, como o Mestre Jesus, para a nossa felicidade. As forças espirituais organizaram a atmosfera do mundo. “A inteligência com que foram dispostos os elementos do cenário, para o desenvolvimento da vida no planeta, vo-lo comprova. A algumas dezenas de quilômetros foram colocados os revestimentos do ozônio, destinados a filtrar os raios solares dosando-lhes a natureza para a proteção da vida.”(1)


Segundo a reportagem do portal BBC Brasil, de 12 de novembro de 2014, em relação a emissão de gás carbônico, “a China produziu 7,2 toneladas per capita em 2013, enquanto a taxa europeia foi de 6,6 toneladas. Já os Estados Unidos registraram emissão per capita muito superior, de 16,5 toneladas por pessoa. Por outro lado, em termos absolutos, a China respondeu por 29% dos 36 bilhões de toneladas de carbono emitidas por todas as fontes humanas em 2013, segundo o Projeto Global de Carbono. Os EUA responderam por 15% e a União Europeia, por 10%”.(2) Isso até 2013!


O que era urgente ontem, tornou-se urgente-urgentíssimo hoje, porque não temos outro termo que defina a fluidez com que o tempo corre. Vivemos na pele os reflexos do aquecimento global. Inundações, temperaturas altas a cada verão, seca em várias regiões...


Retornando ao nosso pensamento anterior, que mundo queremos encontrar quando retornarmos, quando reencarnarmos novamente na Terra? Será que vamos encontrar um planeta belo, cuidado e preservado, ou vamos encontrar exatamente um planeta machucado pelas nossas mãos, pela nossa imprudência, nossa indiferença? O Mundo de Regeneração, como gostamos de falar, de ouvir falar, pode até já estar chegando, todavia, a transformação do nosso mundo e a nossa própria transformação não é efeito de uma mágica, não se dá num piscar de olhos, não; não é assim!


Fomos colocados na Terra, mundo de provas e expiações, com toda a sua exuberância natural, por Deus, para que além da nossa própria evolução cooperemos com a evolução do nosso planeta. “Visa ainda outro fim a encarnação: o de pôr o Espírito em condições de suportar a parte que lhe toca na obra da criação. Para executá-la é que, em cada mundo, toma o Espírito um instrumento, de harmonia com a matéria essencial desse mundo, a fim de aí cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. É assim que, concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta.”(3)


Contudo, a ganância e a ambição do homem materialista, insaciável, egoísta, inteligente intelectualmente, mas ignorante de si mesmo, do mundo que vive, se coloca acima de tudo e de todos e avança sem tréguas sobre a Natureza destruindo a Casa Planetária em que ele mesmo vive, em favor próprio ou em nome do avanço tecnológico, que aliás “não deve ser sinônimo de destruição. A boa tecnologia deve ser aquela que está a serviço da vida, não da morte”.(4)


Nesse momento buscamos o pensamento e os esclarecimentos da Benfeitora espiritual Joanna de Ângelis, que através da psicografia de Divaldo Franco comenta com a lucidez de um Espírito Superior a situação do nosso planeta diante do egoísmo de alguns homens de “poder”.


“Nesse panorama deprimente, e para sanar alguns dos males imediatos e outros do futuro, sugestões e programas hão surgido preocupando as autoridades responsáveis pelos Organismos Mundiais, no sentido de serem tomadas providências coletivas e salvadoras urgentes.


Como resultado, apressam-se as negociações internacionais por acordos diplomáticos e conchavos político-econômicos, enquanto a fome, campeando desassombradamente, confirma a falência dos cálculos e das fantasias materialistas, visivelmente perturbadas no testemunho dos seus líderes em convulsas transações com que tentam reequilibrar o poderio avassalado, quando, não, perdido...


O poder de um dia, qual efêmera glória, sempre muda de mão e local, fazendo oscilarem, mudarem de rumo os interesses e as supostas proteções, fruto, indubitavelmente, de uma poluição descuidada da natureza moral!”(5)


Há um movimento entre os países mais desenvolvidos, e outros em desenvolvimento, para fechar um acordo onde todos deverão respeitar os limites da emissão do CO2, parar de queimar combustíveis fósseis como petróleo e carvão, e adotar fontes de energia renováveis, como a solar, a eólica, a hidráulica e os biocombustíveis. Necessário se faz reduzir também o desmatamento das florestas.


Esses movimentos compreendem o protocolo da ONU, Protocolo de Kyoto, acertado em 1997 no Japão, mas só entrou em vigor em fevereiro de 2005 com a ratificação de 163 países, que obriga as nações industrializados a reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa, em 5,2% em média, considerando os níveis de 1990. A redução teria que ser feita entre 2008 e 2012.


No dia 25 de setembro de 2015, dois meses antes da COP-21, os 193 Estados-Membros da Organização das Nações Unidas (ONU) adotaram formalmente a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, composta pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Qual o objetivo dessa Agenda? Segundo o próprio secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, no discurso de abertura da Cúpula das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, “a nova agenda é uma promessa dos líderes para a sociedade mundial. É uma agenda para acabar com a pobreza em todas as suas formas, uma agenda para o planeta”.(6)


E o secretário ainda completa: “Esta agenda reflete a urgência de uma ação pelo clima. Está baseada na igualdade de gênero e no respeito ao direito de todos. Devemos engajar todos os atores, como fizemos na construção da agenda. Devemos engajar parlamentares e governos locais, empresários e a sociedade civil, ouvir cientistas e a academia”.(7)


A Agenda traz a promessa de 193 Estados-Membros da Organização das Nações Unidas:


“Nós, chefes de Estado e de Governo e altos representantes, reunidos na sede das Nações Unidas em Nova York (...). Comprometemo-nos a trabalhar incansavelmente para a plena implementação desta Agenda em 2030. (...) Estamos empenhados em alcançar o desenvolvimento sustentável nas suas três dimensões – econômica, social e ambiental – de forma equilibrada e integrada. Reafirmamos nosso firme compromisso em alcançar esta Agenda e utilizá-la ao máximo para transformar o nosso mundo para melhor em 2030.”(8)


E em 2015, tivemos a COP-21, a 21ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, realizada em Paris. Os conferencistas, membros de 195 países, assinaram o “Acordo de Paris”, como foi chamado o documento final da 21ª Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), que entrará em vigor em 2020. O documento prevê limitar o crescimento da emissão de gases de efeito estufa a 1,5°C, e a criação de um fundo global de US$ 100 bilhões, financiado pelos países ricos, a partir de 2020, para limitar o aquecimento global a 1,5°C.


Em 14 de março de 2016, o jornal O Globo publicou em sua página Sustentabilidade a notícia divulgada pela NASA sobre o calor no mês de fevereiro: “Aumento de calor em fevereiro bateu recorde. De acordo com a NASA, os termômetros marcaram um avanço de 1,35 grau Celsius em relação à média do mesmo mês durante o período de base de comparação, entre 1951 e 1980. As informações alertam para uma possível emergência climática.”(9)


Só para não esquecermos, em dezembro de 2015, 195 países presentes à cúpula do clima da ONU em Paris firmaram um acordo com o objetivo de reduzir as emissões de gases de efeito estufa a zero até 2100, abandonando os combustíveis fósseis em favor de energias mais limpas, como a eólica e a solar.


Tudo está no papel e assinado pelos líderes do mundo, compromisso assumido diante de todos nós, mas como acontece com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada pela ONU em 1948, que aponta o que é certo, o que levaria a vivermos num mundo melhor, mais justo, ainda vai levar algum tempo para ser vivenciada, por força do egoísmo, da falta de atitude e de vontade real de levar a termo os acordos feitos.


O Progresso é lei de Deus, podemos embaraçá-lo, mas não podemos paralisá-lo. “Quando, porém, um povo não progride tão depressa quanto devera, Deus sujeita-o, de tempos a tempos, a um abalo físico ou moral que o transforma.”(10)


“As revoluções morais, como as revoluções sociais, se infiltram nas ideias pouco a pouco; germinam durante séculos; depois, irrompem subitamente e produzem o desmoronamento do carunchoso edifício do passado, que deixou de estar em harmonia com as necessidades novas e com as novas aspirações.”(11)


Acreditamos que o homem realizará sua tarefa de cocriador em plano menor, pois “faz-se mister que o mal chegue ao excesso, para tornar compreensível a necessidade do bem e das reformas”.(12) Quando o homem estiver cansado de sofrer e fazer sofrer, cuidará de si, e dos seus semelhantes e do mundo onde vive, pois entenderá que só será feliz quando tudo fizer pelo bem geral.


É maravilhoso o Tindo; mas não nos bastam alguns ônibus movidos a energia solar, ou pontos de ônibus que ofereçam iluminação ou wi-fi, com o uso da energia do sol; a Humanidade e a Terra, nossa Casa Comum, reclamam muito mais, necessitamos todos de respeito mútuo, de responsabilidade, de cuidado e de amor.


A Terra “há chegado a um dos seus períodos de transformação, em que, de orbe expiatório, mudar-se-á em planeta de regeneração, onde os homens serão ditosos, porque nele imperará a lei de Deus”.(13)


Dessa maneira, “a Terra sairá do caos que a absorve e voltarão o ar puro, a água cristalina, a relva repousante, o trinar dos pássaros, o fulgor do sol e o faiscar das estrelas em nome do Pai Criador e de Jesus, o Salvador Perene de todos nós”.(14)



Referências Bibliográficas:


(1) “O Consolador” – Espírito Emmanuel – Francisco C. Xavier - Q. 13;


(2) BBC Brasil http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/11/141112_acordo_eua_ china_lk>;


(3) O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - Q. 132;


(4) André Trigueiro – USE – Matão http://www.usematao.com.br/novo/ler_artigo.php?id=14>;


(5) “Após a Tempestade” - Poluição e Psicosfera - Joanna de Ângelis – Divaldo Franco;


(6) EBC - Agencia Brasil http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2015-09/paises-adotam-na-onu-agenda-2030-para-o-desenvolvimento-sustentavel>;


(7) Idem;


(8) Transformando Nosso Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável https://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030/>;


(9) O Globo http://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/aumento-de-calor-em-fevereiro-bateu-recorde-diz-nasa-18869548>;


(10) O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - Q. 783;


(11) Idem;


(12) O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - Q. 784;


(13) O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - Cap. III – Há muitas Moradas – item 19 - Santo Agostinho;


(14) “Após a Tempestade”- Espírito Joanna de Ângelis - Psicografia de Divaldo Franco.


* Glória Alves nasceu em 1º de agosto de 1956, na cidade do Rio de Janeiro. Bacharel e licenciada em Física. É espírita e trabalhadora do Grupo Espírita Auta de Souza (GEAS). Colaboradora do Espiritismo.net no Serviço de Atendimento Fraterno off-line e estudos das Obras de André Luiz, no Paltalk.