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Cartão de Natal que só tinha 'Inglaterra' no endereço é entregue

8 de fevereiro de 2016



Cartão de Natal que só tinha 'Inglaterra' no endereço é entregue à pessoa certa



Um cartão de Natal enviado da Alemanha que só tinha "Inglaterra" escrito no local do destinatário foi entregue à pessoa certa apenas dois dias após ser enviado.


Paul Biggs, da cidade de Gloucester, disse que ficou completamente chocado quando o carteiro lhe entregou o cartão, enviado por amigos que moram na Alemanha, e o endereço não estava no envelope.


"Não consigo acreditar, é um mistério, o envelope só diz 'Inglaterra' e foi enviado de um correio na cidade de Bitburg", disse ele.


O Royal Mail, empresa de correios britânica, disse que seus "detetives de endereços" são notórios mas que "até para seus padrões" a entrega foi impressionante.


A hipótese mais plausível para explicar como o cartão foi entregue é que a carta, originalmente, tivesse uma etiqueta com o endereço. Com isso, ela foi entregue ao posto de correios correto. Mas, no meio do caminho, ela perdeu essa etiqueta, e só restou o "Inglaterra" do envelope.


O carteiro, então, passou de casa em casa perguntando se alguém estava esperando uma correspondência vinda da Alemanha.


Segundo Biggs, o cartão foi enviado por seus amigos na segunda-feira e ele recebeu o envelope na quarta de manhã.


"Ele entregou minha correspondência normal e disse 'Você está esperando alguma coisa da Alemanha?'. Respondi que talvez, porque tenho amigos lá", conta Biggs.


"Ele disse 'Dá uma olhada nessa carta', então eu peguei o envelope e vi o endereço dos meus amigos no campo do remetente. Na frente, só dizia Inglaterra."


Biggs disse que o cartão não havia sido aberto.


"Perguntei 'Como você sabia que isso era para mim?' e ele respondeu que não sabia, que estava levando a carta para todo lugar", acrescenta Biggs.


Um porta-voz do Royal Mail disse que a equipe de "detetives de endereço" deles é conhecida pela habilidade de entregar cartas com endereço incorreto, mas que "até para os padrões deles essa entrega foi bem impressionante".


Notícia publicada na BBC Brasil, em 25 de dezembro de 2015.



Glória Alves* comenta


Interessante essa matéria. O carteiro consegue entregar a correspondência ao verdadeiro destinatário, mesmo sem o endereço dele, isso numa cidade de cerca de 100 mil habitantes. Algumas vezes, no prédio onde moro, acontece encontrarmos nas caixinhas dos correios correspondências trocadas; o prédio só tem 72 apartamentos, não é uma cidade. Até mesmo os nossos “Correios” estão falhando na sua missão de entrega de encomendas e cartas. Ultimamente são embalagens violadas, encomendas que não chegam, correspondências trocadas...


O fato ocorrido em Gloucester, cidade do sudoeste da Inglaterra, nos leva a pensar na ética profissional; nos deveres e responsabilidades que assumimos diante de nós mesmos, em primeiro lugar, e também diante da sociedade.


Quantas vezes encontramos funcionários de repartições públicas com má vontade de atender ao público, caixas de supermercados maus humorados, motoristas de ônibus estressados...


No capítulo XVII, Sede Perfeitos, de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, encontramos importante mensagem do Espírito Lázaro, sobre o dever. Ele nos esclarece que *“o dever é a obrigação moral, primeiro para consigo mesmo, e depois para com os outros”.(1)


Essa obrigação moral se refere em pautarmos a nossa vida de acordo com as leis de Deus, leis que abrangem todas as circunstâncias da vida, e que estão inscritas em nossa consciência. São essas leis que nos indicam as regras do bem proceder, de distinguir o bem do mal. Lázaro ainda nos diz que “o dever é lei da vida. Com ele nos deparamos nas mais ínfimas particularidades, como nos atos mais elevados da vida”.(2)


Entendamos que todos os nossos comportamentos diários, as menores coisas, os mínimos detalhes até os mais elevados feitos, têm sua importância na nossa carga de obrigações morais, e isto é lei da vida. É dentro de nós que devemos em primeiro lugar desenvolver as obrigações morais, para depois agir com o próximo.


Em nossa vida profissional todos temos responsabilidades e deveres a cumprir. Diante de nossas consciências podemos nos perguntar: estou cumprindo com as responsabilidades que me cabem, o que os meus superiores esperam de mim na função que estou exercendo, como devo fazer e como fazer, mesmo quando não há ninguém olhando ou conferindo? Estou sendo bom profissional? Coopero e ajo com generosidade com os meus companheiros de trabalho? Com a sociedade? Essas são questões que devemos trazer para nós mesmos, reflexionarmos e meditarmos.


O carteiro, que é o centro da nossa matéria em comentário, com um cartão nas mãos sem endereço, não desanimou e buscou o destinatário de porta em porta até encontrá-lo. Segundo o próprio porta-voz do Royal Mail, os "detetives de endereço" deles são conhecidos pela habilidade de entregar cartas com endereço incorreto, mas que "até para os padrões deles essa entrega foi bem impressionante".


O carteiro poderia simplesmente devolver a correspondência na central do Royal Mail, e teria a justificativa do cartão sem endereço, teria cumprido estritamente
o que lhe cabia, teria cumprido o seu dever profissional; mas não, ele foi mais longe, bateu de porta em porta a procura do dono do cartão. Ele teve uma postura proativa, ou seja, não ficou restrito apenas às tarefas que foram dadas, porém contribuiu para a valorização do seu trabalho.


“O varredor de rua que se preocupa em limpar o canal de escoamento de água da chuva, o auxiliar de almoxarifado que verifica se não há umidade no local destinado para colocar caixas de alimentos, o médico cirurgião que confere as suturas nos tecidos internos antes de completar a cirurgia, a atendente do asilo que se preocupa com a limpeza de uma senhora idosa após ir ao banheiro, o contador que impede uma fraude ou desfalque, ou que não maquia o balanço de uma empresa, o engenheiro que utiliza o material mais indicado para a construção de uma ponte, todos estão agindo de forma eticamente correta em suas profissões, ao fazerem o que não é visto, ao fazerem aquilo que, alguém descobrindo, não saberá quem fez, mas que estão preocupados, mais do que com os deveres profissionais, com as PESSOAS”.(3)


“O homem que cumpre o seu dever ama a Deus mais do que as criaturas e ama as criaturas mais do que a si mesmo”. É a regra áurea!(4)


“O trabalho é lei da Natureza, por isso mesmo que constitui uma necessidade”. “É expiação e, ao mesmo tempo, meio de aperfeiçoamento da sua inteligência”.(5)


Após a reflexão e a meditação em torno da nossa conduta ética profissional, realizemos nosso trabalho com devotamento e com gratidão. Gratidão a Deus pela oportunidade que Ele nos dá sempre de nos melhorarmos, de progredirmos, de desenvolvermos nossa inteligência através do trabalho, da nossa vida profissional.


“Busca, portanto, motivação para fazeres bem o teu trabalho, renovando-te nele e nele colocando os teus melhores empenhos, de modo a te enriqueceres de justa gratificação emocional em relação ao teu maravilhoso meio de ganhar com nobreza o pão diário”.(6)



Referências bibliográficas:


(1) O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. XVII – Sede Perfeitos, item 7;


(2) Idem (1);


(3) Glock, RS, Goldim JR. Ética profissional é compromisso social. Mundo Jovem (PUCRS, Porto Alegre);


(4) Idem (1);


(5) O Livro dos Espíritos – Lei do Trabalho – Q. 674 – Q.676;


(6) “Episódios Diários” - Pelo Espírito Joanna de Ângelis - Divaldo Franco - Capítulo 5.


* Glória Alves nasceu em 1º de agosto de 1956, na cidade do Rio de Janeiro. Bacharel e licenciada em Física. É espírita e trabalhadora do Grupo Espírita Auta de Souza (GEAS). Colaboradora do Espiritismo.net no Serviço de Atendimento Fraterno off-line e estudos das Obras de André Luiz, no Paltalk.