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Nunca se viu tanto pornô. E isso é só o começo


31 de janeiro de 2016


Nunca se viu tanto pornô. E isso é só o começo


Por Redação Super
Editado por Bruno Garattoni

Passamos a maior parte do nosso tempo na internet - em média 9h por dia, segundo pesquisa recente. E a maior parte da internet, ou pelo menos uma grande parte, é conteúdo erótico. Junte uma coisa com outra, e o resultado é óbvio: a humanidade nunca consumiu tanto pornô. E isso gera uma reação em cadeia. O marido vê vídeos escondido da mulher; e a mulher usa um app para descolar um amante. A mãe xereta o computador da filha; a filha parte para o WhatsApp, onde o pior acontece. Um filme muito bom, escrito e dirigido por Jason Reitman (do ótimo Juno), mas que pouca gente viu no cinema - por vergonha, talvez. Agora dá pra ver em casa. Como aquela outra coisa.

Veja o trailer:


Matéria publicada na Revista Superinteressante, em maio de 2015.


Jorge Hessen* comenta

O termo pornográfico deriva do grego pornographos, que significa escritos sobre prostitutas, originalmente, referência à vida, costumes e hábitos das prostitutas e clientes.  Aurélio Buarque registra como uma das definições a figura, a fotografia, o filme, o espetáculo, a obra literária ou de arte, relativos à, ou que tratam de coisas ou assuntos obscenos ou licenciosos, capazes de motivar ou explorar o lado sexual do indivíduo.

No mundo cibernético diversas pessoas trafegam na internet (em média 9h diárias) atraídas pelas lascívias virtuais. Sabemos que grande parte do conteúdo virtual é um poderoso convite ao apelo erótico. Somando uma coisa com outra o resultado é inequívoco: a humanidade nunca consumiu tanta pornografia como nos dias atuais. E isso gera uma reação em cadeia. Por causa disso, pesquisadores do IFOP - Instituto Francês de Opinião Pública - inquiriram a milhares de pessoas sobre seus hábitos pornográficos. Descobriram o óbvio: a maioria esmagadora (90%) dos homens e boa parte das mulheres (60%) veem filmes obscenos regularmente. E 53% dos casais afirmaram assistir a esses tipos de filmes juntos.

A pornografia é um assunto espaçoso, sensível e controverso. Muito já foi escrito sobre o tema, como se pode constatar rapidamente na busca pela internet. Basta recorrer a qualquer buscador o item “pornografia” ou “estudos sobre pornografia” e descobriremos uma avalancha de material disponível. No “Google”, por exemplo, citar o termo “pornography” estão hoje listados 73.100.000 resultados. Em “studies on pornography”, localizamos 12.400.000 resultados de links.

Um estudo realizado pela Universidade de Denver (EUA), pesquisadores confirmaram que das 1300 pessoas comprometidas afetivamente, pelo menos 45% delas assistiam a filmes pornográficos com o parceiro, sendo que 77% dos homens e 32% das mulheres contaram que também viam pornografia sozinhos.

Outros estudiosos da Universidade da Califórnia e do Tennessee (EUA) recrutaram 308 universitárias heterossexuais, entre 18 e 29 anos, para completarem um questionário online. Elas responderam questões sobre a qualidade do namoro, satisfação sexual e autoestima. O resultado mostrou uma relação entre felicidade, autoestima e filme pornográfico. Quanto mais pornografia os namorados ou maridos viam, maior era a chance de ter um relacionamento infeliz. Quem reclamou sobre o vício exagerado do namorado em assistir a vídeos licenciosos mostrou autoestima mais baixa e insatisfação com o namoro e com a vida sexual.

A pornografia é o erotismo vazio de afeto. Ultimamente com o uso de webcams, blogs, fotologs (criação de páginas de fotos), vídeo amadores, sex tapes (sexo em público) ou homemades (caseiros), qualquer pessoa pode vir a se tornar o próprio produtor e divulgador de pornografia na rede mundial de computadores. A internet tem estabelecido grande influência entre os usuários, tornando possível que os consumidores de pornografia troquem informações entre si e possam identificar gêneros, estilos e gostos, fazendo com que compartilhem suas preferências e permitindo o encontro de fantasias. Numa linguagem espírita diria que o UBRAL nunca esteve tão presente e próximo da Terra.

Com o Evangelho  aprendemos que quando um casal se ama, os parceiros se apetecem e se reverenciam. A vida e experiência sexual entre ambos é respeitosa e prazerosa. O amor entre os dois não está condicionado apenas à sexualidade, todavia vai muito mais além, incluindo amizade, companheirismo e cuidado pela satisfação de suas necessidades. Quando, porém, isso não ocorre e há a necessidade compulsiva de fantasias, autoerotismos e pornografias, esse casal é invigilante, encontra-se psicologicamente pervertido e não é venturoso.

Há um impressionante número de mulheres casadas que se queixam de solidão (no sentido de solidão sexual), em virtude de seus esposos serem contaminados e viciados na pornografia virtual. E o inaceitável da situação é saber que muitos desses maridos consumidores de pornografias são “cristãos”, “bons espíritas”, pais de família exemplares e profissionais de proeminência.

Alguns desses “cristãos” justificam a utilização dessa pornografia virtual como uma espécie de "preliminar" e estimulante para aumentar o desejo na comunhão sexual com o cônjuge. A rigor o que ocorre é que com o transcursar do tempo, muitos desses “cristãos” viciam-se nos sites e filmes pornográficos e começam a descuidar da esposa, preferindo satisfazer suas pulsões mediante a prática da masturbação.

Fica evidente  que tais “cristãos” estão, perigosa e imaturamente, "compensando" suas frustrações, por duas razões possíveis: ou por não se sentirem mais atraídos sexualmente pelas suas esposas, ou por não as amarem mais e não terem a coragem de assumir isso.

Em face disso, estamos assistindo a uma verdadeira estupidificação generalizada dos que se descrevem “cristãos” de várias denominações e, segundo entendemos, uma das saídas para a necessitada cautela contra essas emboscadas pornográficas é o inabalável estado de oração alentado pela vigilância através de um processo pessoal de profunda transformação comportamental.

* Jorge Hessen é natural do Rio de Janeiro, nascido em 18/08/1951. Servidor público federal aposentado do INMETRO. Licenciado em Estudos Sociais e Bacharel em História. Escritor (dois livros publicados), Jornalista e Articulista com vários artigos publicados.