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Curso que ensina masturbação para jovens causa polêmica na Espanha

6 de dezembro de 2015



Curso que ensina masturbação para jovens causa polêmica na Espanha



Anelise Infante
De Madri para a BBC Brasil


Um novo curso escolar que ensina masturbação a jovens de 14 aos 17 anos está provocando polêmica entre pais e educadores na Espanha.


O curso faz parte de um programa introduzido pelas Secretarias de Educação e Juventude da província de Extremadura, e intitulado “O prazer está em suas mãos”. Ele pretende acabar com mitos para que os adolescentes entendam a sexualidade de forma natural.


As aulas sobre sexo serão facultativas nas escolas de segundo grau da província de Extremadura (oeste do país) a partir de novembro. Os conteúdos vão de anatomia e fisiologia sexual masculina e feminina até técnicas de masturbação e uso de objetos eróticos.


Para a secretária de Juventude de Extremadura, Laura Garrido, o novo curso “não deveria escandalizar a ninguém, principalmente porque todos nós fomos adolescentes algum dia e todos nós temos sexualidade”.


Consciente das críticas de grupos de pais de alunos e veículos de comunicação conservadores, que classificaram a atividade escolar de imoral e irresponsável, a secretária disse à BBC Brasil que “resumir tudo em uma polêmica sobre como sentir prazer é uma barbaridade”.


“O programa tem muitos mais aspectos, como hábitos saudáveis, auto-estima, afetividade, identidade de gênero, doenças de transmissão sexual... e esperamos derrubar muitos mitos negativos sobre a masturbação, é óbvio”.



Dúvidas


A Secretaria de Educação de Extremadura elaborou 1.200 livros em formato revista com exemplos de dúvidas habituais de adolescentes sobre o tema e as respectivas respostas de educadores e sexólogos.


O material didático das aulas inclui mapas da anatomia humana, explicações sobre tipos de brinquedos eróticos, endereços úteis e até um baralho que coloca os jogadores em exemplos de situações de risco como uma ereção prolongada ou uma infecção genital, para que saibam como resolver os problemas.


Os slogans do curso escolar - “O prazer está em suas mãos” e “Prazer quando e onde você quiser” - foram aprovados pelo Instituto da Mulher de Extremadura (ONG que reúne associações feministas locais), porque consideram as aulas necessárias para que os jovens entendam que o sexo não é apenas um ato físico.


“Se esse curso conseguir que os nossos filhos se desenvolvam através de uma sexualidade saudável, será mais fácil evitar condutas discriminatórias e agressivas em suas relações”, disse à BBC Brasil a diretora geral do Instituto da Mulher, Maria José Pulido.


“É importante que pais e educadores possam tratar a sexualidade como um comportamento, uma expressão afetiva e de saúde também”.



Fórum na internet


Mas nem todos os pais de alunos estão de acordo. A Associação de Pais Católicos de Extremadura formou um grupo de protesto chamado “Cidadania para a Educação” e ameaça levar o governo regional aos tribunais.


O grupo abriu um fórum de debate na internet e enviou uma carta ao governador local reclamando do novo curso escolar.


“Exigimos ser informados previamente da natureza, do conteúdo e da orientação de toda atividade que tenha alguma implicação de caráter moral, porque somos os primeiros e principais educadores de nossos filhos”, diz a carta.


A presidente da associação, Margarita Cabrer, disse à BBC Brasil que ainda não recebeu resposta do governo e que o grupo de pais estuda vias legais para processar o Estado se o curso continuar até o fim do ano letivo (junho de 2010).


“O problema não é o ensino de masturbação. Não me preocupa que meus filhos se masturbem. O que me preocupa é que um adulto, cujos hábitos e valores morais eu desconheço, seja quem ensine os meus filhos a fazê-lo”, afirmou.


Cabrer disse também que espera uma intervenção imediata do Juizado de Menores de Extremadura, porque acha que o curso pode infringir o código penal nos artigos sobre corrupção de menores.


A assessoria de imprensa do Juizado de Menores de Extremadura não quis fazer comentários sobre o assunto à BBC Brasil.


Notícia publicada na BBC Brasil, em 12 de novembro de 2009.



Jorge Hessen* comenta


Lá pelas plagas espanholas, há exatos 5 anos, na província de Extremadura, havia um curso escolar que ensinava masturbação a jovens de 14 aos 17 anos. Tal plano provocou polêmica entre pais e educadores. O curso fazia parte de um programa introduzido pelas Secretarias de Educação e Juventude da tal província ibérica, intitulado "O prazer está em suas mãos". Os idealizadores disseram que o curso objetivava acabar com mitos para que os adolescentes entendessem a sexualidade de forma natural.(1)


Na visão da secretária de Juventude de Extremadura, Laura Garrido, o novo curso não deveria escandalizar a ninguém, principalmente porque já fomos adolescentes e todos nós possuímos uma carga erótica.(2) Entretanto, nem todos os pais de alunos estiveram de acordo. A Associação de Pais Católicos de Extremadura formou um grupo de protesto chamado "Cidadania para a Educação" e ameaçou levar o governo regional aos tribunais. O grupo abriu um fórum de debate na internet e enviou uma carta ao governador local reclamando do novo curso escolar.(3)


Para alguns espíritas, a prática do onanismo (masturbação) leva o indivíduo a situações de dormência temporária dos seus sentimentos mais delicados, das suas emoções mais sensíveis. Aludem que a prática do onanismo não faculta ao Espírito melhor sensibilidade, distrai-o e lhe entorpece os sentimentos mais elevados. Asseguram que do ponto de vista Espiritual, o onanismo é um tipo de autoflagelação, porque o Espírito está negando a capacidade de evoluir em sentimentos muito mais elevados e se contenta com aquilo que apenas o seu sensório produz: as sensações primárias.


Por outro lado, há argumentos de que o sexo não é sujo, nem feio, nem errado. Sexo é troca de energias, e energias divinas, pois através delas as pessoas são atraídas umas às outras e, sendo o ponto de referência do processo reencarnatório, não pode se demonizado. Há quem insinue: será que alguém já casado oficial ou “extraoficialmente”, que não obtém satisfazer de maneira indispensável os anseios sexuais com o(a) parceiro(a), por diversas  razões, deve atender tais necessidades genésicas masturbando-se ou deve aventurar-se fora do lar, buscando satisfazer suas “necessidades”? Nesta última hipótese, tais pessoas mergulharão nas aventuras extraconjugais. E isso é muito pior.


A masturbação é condenável? Diria que não é recomendável. Ante o comedimento moral que deve procurar o encarnado, resistindo a fim de refinar seus ideais, o caminho espírita cristão é aperfeiçoar hábitos sadios e disciplinados que enfrentem o sexo como uma forma material, mas digna, de praticar o amor, numa união estável e leal, mirando à constituição de uma família e, por conseguinte, instituindo condições para maturação espiritual. Assim sendo, se não é recomendável, obviamente é contraproducente e, portanto, não é benigno, pois, em cenário de reforma íntima, toda disciplina será bem-vinda.


Obviamente não podemos esquecer que o argumento “religioso” de repressão ao comportamento sexual, em qualquer contexto, é um convite ao desejo. O chamado “fruto proibido” tem sido historicamente o mais ambicionado. Normalmente a coação tem implicação oposta a pretendida, sobretudo em matéria de sexualidade. É importante educar, elucidar sensatamente, advertir corretamente às pessoas, sem formatações de extemporâneas normas moralistas para os outros.


Há muitas pessoas que vivem angústias profundas em torno das diretrizes comportamentais na área sexual e isso é compreensível em nosso estágio de humanidade. O onanismo é uma dessas ansiedades, que segundo Sigmund Freud é envolvida em muito preconceito, graças ao dogmatismo religioso que estigmatiza a sexualidade. Porém vai distante a época em que se decretava que a masturbação conduzia à loucura e ao inferno.


Normal no adolescente que está descobrindo a sexualidade, frequente nos corações solitários, o problema é que a masturbação favorece a viciação, aguçando o psiquismo do indivíduo com sensualidade avivada. Há os que empregam o subterfúgio aventureiro, alegando que “a carne é fraca”. Contudo a sede dos desejos é o espírito e não o corpo. O Espiritismo não proíbe nada, é fato. Mas, muitas vezes escorados nas suas falácias, alguns argumentam: ora se o Espiritismo não proíbe, então tudo está liberado. E, na ladainha para reforçar os pontos de vista, alegam que “a virtude está no equilíbrio”, pois o que é prejudicial é o abuso, não o uso.


O livro O Céu e o Inferno, de Allan Kardec, capítulo VII, “As penas futuras segundo o Espiritismo”, esclarece que a carne só é fraca porque O Espírito é fraco, pois quando destituída de pensamento e vontade, a carne não pode prevalecer sobre o Espírito, que é o ser pensante e de vontade própria.(4) E mais, Deus nos dotou do livre-arbítrio. Como explicam os Espíritos em resposta à questão 843 de O Livro dos Espíritos, sem o livre-arbítrio, o homem seria uma máquina, pois se tem a liberdade de pensar, é compreensível que tenha a liberdade de agir.(5)


O autoerotismo não deixa de ser uma busca de "prazer" egoísta, por isso mesmo, toda prudência é imprescindível. Na área sexual, urge vigilância permanente, pois, na maioria das vezes, ao se masturbar, a criatura não está tão solitária como imagina. Espíritos sexólatras podem estimular este vício solitário, nos processos de simbiose, prejudicando até mesmo casais, quando um dos parceiros opta por masturbar-se. Entretanto, mister considerar que cada caso é um caso, sem desconsiderar jamais que o equilíbrio e a disciplina mental precisam ser alcançados. Por isso o Espírito Emmanuel, no livro "O Consolador", questão 184, orienta-nos que, "ao invés da educação sexual pela satisfação dos instintos, é imprescindível que os homens eduquem sua alma para a compreensão sagrada do sexo".(6)


Ainda recorrendo ao excelso Emmanuel, estudamos que “diante das proposições a respeito do sexo, é justo sintetizar-se todas as digressões possíveis nas seguintes normas: não proibição, mas educação; não abstinência imposta, mas emprego digno, com o devido respeito aos outros e a si mesmo; não indisciplina, mas controle; não impulso livre, mas responsabilidade. Fora disso, é teorizar simplesmente, para depois aprender ou reaprender com a experiência. Sem isso, será enganar-nos, lutar sem proveito, sofrer e recomeçar a obra da sublimação pessoal, tantas vezes quantas se fizerem precisas, pelos mecanismos da reencarnação, porque a aplicação do sexo, ante a luz do amor e da vida, é assunto pertinente à consciência de cada um. Ninguém se burila de um dia para outro e as conversões religiosas exteriores não alteram, de improviso, os impulsos do coração.(7)


Em face disso, muitos de nossos erros imaginários na Terra são caminhos certos para o bem, ao passo que muitos de nossos acertos hipotéticos são trilhas para o mal de que nos desvencilharemos, um dia!... A energia sexual, como recurso da lei de atração, na perpetuidade do Universo, é inerente à própria vida, gerando cargas magnéticas em todos os seres, face às potencialidades criativas de que se reveste.



Referências bibliográficas:


(1) Disponível em http://www.estadao.com.br/noticias/geral,curso-que-ensina-masturbacao-para-jovens-causa-polemica-na-espanha,465240>, acessado em 17/09/2015;


(2) Disponível em http://www.estadao.com.br/noticias/geral,curso-que-ensina-masturbacao-para-jovens-causa-polemica-na-espanha,465240>, acessado em 17/09/2015;


(3) Disponível em http://www.estadao.com.br/noticias/geral,curso-que-ensina-masturbacao-para-jovens-causa-polemica-na-espanha,465240>, acessado em 17/09/2015;


(4) Kardec, Allan. O Céu e o Inferno, RJ: Ed. FEB 2000, capítulo VII;


(5) Kardec, Allan, o Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 2000, pergunta 843;


(6) Xavier, Francisco Cândido. Consolador, ditado pelo Espirito Emmanuel, RJ: Ed. FEB, 2001, questão 184;


(7) Xavier, Francisco Cândido. Vida e Sexo, ditado pelo Espirito Emmanuel, RJ: Ed. FEB, 2003.


* Jorge Hessen é natural do Rio de Janeiro, nascido em 18/08/1951. Servidor público federal aposentado do INMETRO. Licenciado em Estudos Sociais e Bacharel em História. Escritor (dois livros publicados), Jornalista e Articulista com vários artigos publicados.