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'Vivia para eles', diz mãe que tomou veneno após saber da morte do filho


22 de dezembro de 2015


'Vivia para eles', diz mãe que tomou veneno após saber da morte do filho


Marido também ingeriu veneno e morreu; mulher ficou internada na UTI. Criança foi picada por escorpião em Ibirá (SP) e não resistiu.

Marcos Lavezo
Do G1 Rio Preto e Araçatuba

Ainda abalada com a morte do filho, de 4 anos, e do marido, a enfermeira Natália Fernandes Balieiro, 29 anos, tenta se recuperar da tragédia que envolveu a família. Os pais, ao saber que o filho não resistiu após ser picado por um escorpião, resolveram tomar veneno. O marido morreu e ela foi parar na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital em São José do Rio Preto (SP).

“Fisicamente estou ótima, só o meu coração que dói demais pela perda dos dois. Amava os dois, eram minha vida. Vivia para os dois, parei de trabalhar por eles”, afirma a mulher, em entrevista ao G1.

Natália teve alta do Hospital de Base de Rio Preto no dia 16 de novembro, após 12 dias internada. Ela conta que saiu de Ibirá (SP), onde morava com o marido, de 40 anos, e o filho, e está vivendo atualmente no sítio que morava quando era criança, em Junqueira, distrito de Monte Aprazível (SP).

Mesmo com a alta médica, a mulher continua recebendo tratamento psicológico de uma equipe do Hospital de Base. Natália ficou uma semana internada na UTI em estado grave e quando saiu da Unidade de Terapia Intensiva, começou a ter um atendimento psicológico pelo fato de ter tentando se matar e da tragédia de perder marido e filho.

Após quase um mês da tragédia, Natália diz que está melhorando. “Não tenho nenhuma sequela, estou me alimentando bem e estou até ajudando a minha mãe nos afazeres de casa, como lavar louça, roupa”, diz.

“Eles (equipe médica) estão achando que estou ótima e no último retorno até ficaram admirados pela minha evolução, mas estou rezando muito. Me apeguei ainda mais a Deus. Estou fazendo acompanhamento ainda, mas me disseram que estou super bem”, afirma.

Mas mesmo com a melhora, Natália afirma que ainda não está preparada para falar sobre a morte do filho e também sobre o que aconteceu no dia em que teria tomado veneno com o marido. “Esse assunto ainda no momento não queria falar, por enquanto ainda não. Não estou preparada para falar sobre isso ainda”, disse durante a entrevista.

Natália afirma que espera se recuperar o mais rápido possível e sonha em voltar a trabalhar, fato que deixou de lado depois que se casou há seis anos. “Quero ainda voltar a trabalhar, sou formada em enfermagem e gostaria de trabalhar na área. Ou então prestar odontologia, que é uma área que gosto”, afirma.

Segundo o delegado Luciano Birolli Sanches Teres, responsável pelo caso, ainda não se sabe que tipo de veneno tomaram. Um laudo da perícia, que pode apontar qual veneno eles tomaram, deve sair nas próximas semanas. A polícia deve ainda ouvir a mãe para tentar esclarecer realmente o que aconteceu. Em entrevista ao G1, Natália afirmou que realmente tomaram veneno, mas não soube afirmar qual.


Entenda o caso

O filho de Natália morreu depois de ser picado por um escorpião, na noite do dia 2 de novembro, em Ibirá. A criança acabou morrendo horas depois. Segundo a polícia, os pais, que moram em uma fazenda, ficaram desesperados ao saber da morte do filho e tomaram veneno.

De acordo com a assessoria de imprensa do Hospital da Unimed, a criança foi levada até a unidade, em Rio Preto, pelo pai, no dia 2 de novembro. O menino foi atendido e transferido para o Hospital da Criança e Maternidade (HCM), devido à gravidade do caso.

A polícia apurou que os pais voltaram para Ibirá e, na manhã do dia 3 de novembro, ao saberem da morte do filho, tomaram veneno. O filho do dono da propriedade levou o casal até a Santa Casa de Ibirá, onde o pai do menino já chegou desmaiado, não resistiu e morreu. A mãe foi transferida para o HB, em Rio Preto.

Notícia publicada no Portal G1, em 28 de novembro de 2015.


Claudio Conti* comenta

Esta é uma notícia muito triste, causando profundo pesar pelas consequências em decorrência de um fato que, para os encarnados, deveria ser normal. Infelizmente, muitos fatos semelhantes ocorrem sem que atinjam o noticiário e, outras tantas vezes, apesar de não chegar ao extremo do suicídio, prosseguem com uma vida infeliz, se esquecendo daqueles que ainda permanecem encarnados.

Os filhos, ou melhor, a família é um núcleo importantíssimo para o processo evolutivo daqueles que ainda se encontram a braços em um mundo de expiação e provas como o planeta Terra. Não existe dúvidas quanto a isso, contudo, a coerência e o bom senso devem sempre prevalecer, pois é este exercício que promoverá o discernimento e o entendimento das questões importantes para a vida real, a de espírito, e não a vida transitória, a encarnação.

Os laços que unem os espíritos vão muito além da ligação consanguínea existente com o corpo físico, pois esta é muito efêmera e transitória, podendo deixar de existir com a desencarnação. Considerando que todo encarnado irá, forçosamente, no momento oportuno, vivenciar a morte física, os elos familiares irão, também forçosamente, terminar.

Diante disto, os elos familiares devem ser trabalhados de forma mais ampla por parte dos espíritos encarnados. A visão de um conceito de família mais abrangente deve ser desenvolvido e assimilado no intuito de, naturalmente, haver a dedicação pessoal mais intensa pela vida real do que normalmente se encontra na Terra.

Trabalhando-se pela família espiritual, na qual as ligações podem ser muito mais duradouras, desenvolve-se a ideia de imortalidade. Quando se vive norteado pelo conceito de imortalidade, os dissabores comuns advindos da ligação do espírito com um mundo de expiação e provas se tornam mais suportáveis em decorrência da sua transitoriedade.

Muitos são os espíritos que desencarnam ainda na infância e o sentimento de que “tinham uma vida inteira pela frente” e que foi “perdida”, algumas vezes de forma abrupta, outras decorrente de enfermidades prolongadas, aumentam ainda mais o sofrimento daqueles que ficam.

O sofrimento decorrente do que é considerado como uma perda, por sua vez, pode levar a atitudes desesperadas, como o caso em questão. Outras vezes, os pais ou responsáveis “esquecem" que outros filhos permanecem sobre sua tutela, causando sofrimento a eles ou negligenciando seus deveres como pais.

Em casos como este, quando a vida material é ceifada ainda em tenra idade, cabe aos pais agradecerem a Deus pela oportunidade de terem convivido com espíritos amados e de lhes ter dado a oportunidade que necessitavam para a continuidade da sua existência como espíritos imortais.

* Claudio Conti é graduado em Química, mestre e doutor em Engenharia Nuclear e integra o quadro de profissionais do Instituto de Radioproteção e Dosimetria - CNEN. Na área espírita, participa como instrutor em cursos sobre as obras básicas, mediunidade e correlação entre ciência e Espiritismo, é conferencista em palestras e seminários, além de ser médium pscógrafo e psicifônico (principalmente). Detalhes no site www.ccconti.com.