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Agressão verbal na infância pode doer mais do que palmada


15 de outubro de 2015


Agressão verbal na infância pode doer mais do que palmada


Essa é a conclusão de uma pesquisa feita com dez mil adultos de todo o Brasil que contaram histórias de abuso emocional sofridas na infância.

Palavras ofensivas podem doer mais do que uma agressão física e ter consequências psicológicas mais graves para uma criança.

Essa é a conclusão de uma pesquisa feita com dez mil adultos de todo o Brasil que contaram histórias de abuso emocional sofridas na infância.

“Ela me chamava de prostituta, falava que eu não prestava, que eu tinha que morrer, porque ela não me aguentava mais”, conta uma jovem.

As ofensas eram feitas pela mãe dela.

“Eu sofria muito quando ela me falava tudo isso, e eu me sentia muito pra baixo”, afirma.

Quando a menina tinha 14 anos, a Justiça tirou a guarda da família biológica. Ela foi adotada. Conheceu o carinho, encontrou o amor.

Fantástico: Quando esses pais te puxam a orelha, eles fazem como?
Jovem: Eles sentam comigo e conversam e falam: ‘Isso está errado. Então vamos tentar mudar isso’.

Agora, ela resolveu escrever um livro para contar o que viveu.

“Eu acho que muita gente vai ler a história e vai ver que eu superei e que elas também podem superar”, diz a jovem.

Existe uma lei que pune humilhações e ameaças feitas a uma criança. É a mesma lei que trata de agressões físicas e que ficou conhecida apenas por "Lei da Palmada", como se as agressões verbais fossem um problema menor. Mas não são. E, às vezes, têm consequências mais graves do que a palmada.

A afirmação é de pesquisadores da PUC do Rio Grande do Sul, que entrevistaram dez mil adultos de todo o Brasil.

Para fazer o estudo, os psiquiatras criaram uma página na internet. Nela, o participante preenche um cadastro anônimo e responde a uma série de perguntas sobre experiências de vida. Em troca, ganha um perfil de personalidade. Já os pesquisadores usam essas informações para comparar relatos de maus tratos físicos e emocionais na infância com características atuais do temperamento dos participantes.

Lembranças de palavras ofensivas e de negligência emocional reduzem em até 30% a autoestima e o otimismo. Aumentam em 20% a impulsividade. Apenas 10% dos que sofreram com ofensas se consideram emocionalmente saudáveis.

“O pior tipo de trauma que uma criança pode passar é o abuso emocional. Ofensas, humilhações e hostilidade verbal. Porque, eu diria assim, a dor do coração não passa”, explica o psiquiatra Diogo Lara, coordenador da pesquisa.

“Eu diria que talvez eu possa desculpar, mas que infelizmente eu não vou esquecer”, diz um homem que, aos 35 anos, ainda sofre com o que ouvia na casa do pai, que hoje, depois de uma terapia familiar, reconhece o erro.

“Eram agressões no sentido de humilhar e ofender e diminuir ele”, lembra o pai.

“Me chamou de... várias vezes alegando peculiaridades físicas, me chamou de podridão. Ele era muito maior do que eu fisicamente, então não me sobrava muitas alternativas, senão me resignar”, explica o homem.

Segundo a pesquisa, 60% dos brasileiros já sofreram abuso emocional. A psiquiatra Cláudia Szobot, terapeuta do Instituto da Família, confirma: em muitas famílias, os adultos repetem com os filhos as agressões verbais que viveram na infância.

“Aquelas figuras cuidadoras de amor, que deveriam ser cuidadoras, deram pra ela essa mensagem. Que está bem xingar, que pode ser estúpido, que pode desqualificar o outro e muitas vezes a criança cresce achando que isso é normal, que é assim mesmo”, diz a psiquiatra.

Fantástico: E quando o pai percebe que se excedeu, o que ele pode fazer?
Diogo Lara, psiquiatra: Ele pode pedir desculpas para a criança. Que ele não quis dizer aquilo, que ele estava fora de si, isso também mostra para a criança a humildade, que as pessoas podem errar.

Fantástico: O que tem hoje na família que não tinha antes?
Jovem: Não tinha carinho, não tinha amor, não tinha afeto, não tinha cuidado e hoje tem tudo isso.

Fantástico: E você quer contar isso para os outros?
Jovem: Sim, eu quero mostrar como eu sou feliz. Eu amo eles muito.

Matéria publicada na página do Fantástico, em 2 de março de 2015.


Paula Mendlowicz* comenta

Aprendemos na Doutrina Espírita que somos Espíritos imortais: -“Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei.”(1)

Mas com que objetivo reencarnamos? As famílias são mesmo necessárias nesse processo? Qual o papel dos pais nessa caminhada?

A verdade é que somos seres inteligentes da criação. Somos criados espíritos simples e ignorantes, aprendendo e evoluindo através das múltiplas existências, até alcançarmos a perfeição. Assim, iremos reencarnar quantas vezes forem necessárias para nosso próprio aprimoramento. A rapidez com que isso acontece, isto é, nosso progresso intelectual e moral dependerá sempre de nossos esforços empreendidos.

O mundo que habitamos hoje é chamado de mundo de expiação e provas. Nele nos deparamos com espíritos em diferentes escalas de evolução. Encontraremos espíritos nos quais o desejo do bem já predomina e Espíritos imperfeitos, caracterizados pela ignorância, pelo desejo do mal e pelas paixões inferiores.(1)

Quando falamos sobre a importância da família, podemos recorrer à questão 775, em O Livro dos Espíritos: Qual seria, para a sociedade, o resultado do relaxamento dos laços de família? - “Uma recrudescência do egoísmo”.(2)

Podemos ir mais além, através das palavras do espírito Benedita Maria: - “Quando Deus nos ligou na Terra pelos laços consanguíneos, chamados familiares, sabia Ele da importância dessa amarração, a fim de que pudéssemos corrigir relacionamentos desajustados de tempos remotos ou aproximados. Mas, igualmente, a nossa família corresponde à escola na qual vamos aprendendo lições importantes para a evolução que buscamos. É por isso que deveremos ver em nosso grupo familiar um corpo formado por almas carentes, dos mais variados tipos, no qual quem mais conquistou, em todos os sentidos, aprende a socorrer ou auxiliar os que demoram mais para realizar suas conquistas”.(3)

E qual o papel dos pais então? Não temos dúvidas de que a maternidade e paternidade são uma missão de grande valor: - “Os Espíritos dos pais têm por missão desenvolver os de seus filhos pela educação. Constitui-lhes isso uma tarefa...”(4)

Hermínio de Miranda, no livro “Nossos filhos são Espíritos”, nos esclarece: “Nossos filhos, tanto quanto nós mesmos, são seres humanos que já viveram antes. Trazem em si todo um passado mais ou menos longo de experiências, equívocos, conquistas, realizações e, consequentemente, um programa a executar na vida que reiniciam junto de nós. Da mesma forma que não nos desintegramos em nada ao morrer, também não viemos do nada quando nascemos de novo na carne. Tudo é continuidade, etapas que se sucedem, em ciclos alternados, aqui e além”.(5)

Assim, recebemos como filhos aqueles a quem temos condições de ajudar, mas também aqueles que nos ensinarão muito! Mas a verdade é que educar não é fácil, os filhos não chegam até nós com um manual de instrução e não existe uma fórmula mágica para o bom comportamento. Educar exige trabalho, paciência e muito amor. O fato é que quando não estamos preparados para sermos pais, quando não aceitamos as responsabilidades que isso nos traz acabamos frustrados e nos desequilibramos.

E é isso que temos visto quando apresentados os números oficiais sobre os maus tratos a que nossas crianças e jovens são submetidos diariamente. Os números são quase sempre sobre os casos atendidos em postos de saúde e hospitais. Mais de 50% dos casos de maus tratos são praticados pelas mães.(6) Mas como a pesquisa nos chama atenção, as humilhações, os xingamentos, isto é, as agressões verbais são extremamente danosas e precisamos aprender a identificar e acabar com esse comportamento.

No dia 27/06/2014, entrou em vigor a lei que proíbe pais de aplicar castigo físico ou tratamento cruel ou degradante para educar os filhos (Lei 13.010). Foi chamada informalmente de Lei da Palmada, e determina que os pais que agredirem os filhos recebam orientação, tratamento psicológico ou psiquiátrico, além de advertência. Diz o seguinte:

“A criança e o adolescente têm o direito de ser educados e cuidados sem o uso de castigos físicos ou de tratamento cruel ou degradante, como formas de correção, disciplina, educação ou qualquer outro pretexto, pelos pais, pelos integrantes da família ampliada, pelos responsáveis, pelos agentes públicos executores de medidas socioeducativas ou por qualquer pessoa encarregada de cuidar deles, tratá-los, educá-los ou protegê-los.”(7 e 8)

O que isso quer dizer? Castigo físico seria a “ação de natureza disciplinar ou punitiva aplicada com o uso da força física sobre a criança ou o adolescente que resulte em sofrimento físico ou lesão” e tratamento cruel ou degradante seria a conduta que humilhe, ameace gravemente ou ridicularize.(8)

Essa lei gerou muita discussão e muitos foram contra. Bom seria que não precisássemos que leis como essa fossem criadas. Mas como isso ainda é uma realidade dura em nosso planeta, que possamos pensar e refletir sobre a discussão gerada em torno dela, e também sobre nosso comportamento e o que devemos e podemos fazer a respeito. 
Tendo sempre em mente a importância da educação e do respeito ao próximo.

Que possamos refletir sobre a resposta de Jesus a Tadeu quando conversavam sobre a receita da felicidade:

- Tadeu, se você procura, então, a alegria e a felicidade do mundo inteiro, proceda para com os outros, como deseja que os outros procedam para com você. E caminhando cada homem nessa mesma norma, muito breve estenderemos na Terra as glórias do Paraíso.(9)


Referências Bibliográficas:


(2) O Livro dos Espíritos, questão 775;

(3) Livro "Ações Corajosas para viver em Paz", espírito Benedita Maria, psicografia de Raul Teixeira;

(4) O Livro dos Espíritos, questão 208;

(5) Livro “Nossos filhos são Espíritos”, Hermínio de Miranda;




(9) Livro “Jesus no Lar”, espírito Néio Lúcio, psicografia de Francisco Cândido Xavier.

* Paula Mendlowicz é carioca e formada em ciências biológicas pela UERJ. É espírita e colaboradora do Espiritismo.net.