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'Rei do Plástico', milionário indiano doa fortuna e larga tudo para virar monge


30 de agosto de 2015


'Rei do Plástico', milionário indiano doa fortuna e larga tudo para virar monge


Um dos homens mais ricos da Índia renunciou a sua fortuna para seguir uma vida espiritual de total austeridade.

Bhanwarlal Doshi, que criou um império do plástico avaliado em US$ 600 milhões (R$ 1,8 bilhão) pela revista Forbes, tornou-se monge do jainismo, uma das religiões mais rigorosas e tradicionais da Ásia.

O jainismo não só exige a renúncia a bens materiais, como também professa uma vida de profundo respeito à vida, em que se evita violência até contra insetos ou mesmo micróbios.

Doshi, que era casado e só usava roupas de marcas de luxo, agora será celibatário, usará somente uma túnica e caminhará descalço. As intensas atividades sociais darão lugar à meditação e quase toda a sua fortuna será doada para obras da religião.


De milionário a monge

A busca de um caminho espiritual é algo comum na Índia, mas a mudança radical na vida de Doshi para alcançar seu moksha – ou salvação – não tem precedentes, segundo Amresh Dwivedi, do serviço hindu da BBC.

Tampouco foi uma decisão tomada repentinamente, por causa de alguma crise mental ou moral que o empresário teria sofrido. Bhanwarlal Doshi, na verdade, passou décadas pensando em abandonar sua riqueza e entregar-se à espiritualidade.

Ele discutiu seus planos com sua família que, no início, rejeitou a ideia. Doshi queria receber a diksha, cerimônia de consagração, há três anos, mas seus familiares não permitiram.

Ele levou todo esse tempo para convencê-los, mas, no fim, foi iniciado como monge em uma cerimônia em três dias na cidade de Ahmedabad, no oeste da Índia.
"Estamos orgulhosos dele. A honra e o respeito que ele recebeu quando anunciou sua decisão é algo que precisamos ver para crer", disse seu filho, Rohit, ao jornal indiano Ahmedabad Mirror.


Regime rigoroso

De certo modo, Doshi imitou um dos precursores do jainismo, Majavira, um rei que viveu entre os séculos 6 e 5 a.C.

Segundo Amresh Dwivedi, do serviço hindu da BBC, Majavira era um monarca que abandonou seu reinado, atormentado pela miséria que o rodeava para dedicar-se a fazer o bem à humanidade.

Dwivedi explica que duas grandes religiões surgiram na Índia mais ou menos na mesma época: o jainismo e o budismo.

O último se estendeu até o leste, com grande aceitação na China, no Tibete, no Japão e em outros países.

Mas o jainismo, por causa de seu regime mais rigoroso, não encontrou o mesmo apoio e está concentrado em uma pequena área na parte ocidental da Índia. Seu número de praticantes foi diminuindo até quase a extinção, de acordo com o jornalista da BBC.

Após a iniciação como monge, Doshi enfrentará uma vida de celibato e completa austeridade, sem nenhuma das comodidades nem elementos que consideramos indispensáveis na vida moderna, como telefone, relógio, acessórios ou roupas elaboradas.

Ele se levantará todas as manhãs às quatro da manhã para praticar o ritual da alochana, a autocrítica, que consiste em refletir sobre as atividades do dia anterior e os momentos em que ele pode ter ferido algum animal.


Extremos

A consideração por todos os seres vivos é o motivo pelo qual os seguidores do jainismo não usam sapatos – para não pisar por engano em algum pequeno invertebrado no caminho.

Alguns adeptos extremos da religião também cobrem a boca para evitar que moscas entrem nela e até para não inalar micróbios no ar.

Naturalmente, os jainistas são vegetarianos, mas eles não podem dedicar-se à agricultura por receio de matar os animais que vivem na terra.

A única profissão exercida por eles é o comércio, porque consideram que, assim, não prejudicam nada e ninguém, segundo Amresh Dwivedi.

O ex-milionário Bhanwarlal Doshi é justamente um comerciante, mas de grande porte. Ele é dono da DR International, uma das maiores produtoras de plástico da Índia.

Notícia publicada na BBC Brasil, em 5 de junho de 2015.


Sergio Rodrigues* comenta

A riqueza, assim como a pobreza, faz parte das provas a que o espírito tem que se submeter para impulsionar o seu progresso. Deus concede a riqueza e a miséria para experimentá-lo de modos diferentes. Muitas das vezes, essas provas foram escolhidas pelo próprio espírito, conforme a natureza dos atributos que precisa aperfeiçoar. Tanto uma quanto outra são provas difíceis de serem vencidas, pois enquanto uma pode provocar queixas contra a Providência, outra incita os excessos e o apego à matéria.

Mas a riqueza não é um instrumento de perdição e não se constitui obstáculo para a salvação. Deus não seria justo se colocasse nas mãos do homem algo que somente o mal houvesse de lhe produzir. No momento em que se decide pela doação de toda a sua fortuna acumulada em favor dos que necessitam, é louvável. No entanto, não significa necessariamente a salvação. Ao optar por uma vida de insulamento, o citado milionário indiano fez uma escolha que contraria a lei de Deus. A vida social, ensinam os Espíritos, é uma necessidade. Deus criou o homem para viver em sociedade e não lhe deu inutilmente a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação.

O insulamento absoluto optado pelo referido indiano é contrário à lei da Natureza e contrário ao progresso. Todos devem concorrer para o progresso, auxiliando-se mutuamente. Isolado, o homem perde a oportunidade da troca de experiências, afetividade e de conhecimentos, todos tão necessários ao seu crescimento como espírito. Insulado, isso não lhe é possível, por não dispor ele de todas as faculdades completas. Falta-lhe o contato com os outros homens. No insulamento, ele se embrutece e se enfraquece. A vida social não é uma opção pessoal. É um desígnio providencial. É mediante a união social que as faculdades umas às outras se completam.

Por outro lado, não agrada a Deus uma vida na qual o homem se condena a não ser útil a ninguém, vivendo apenas em meditação. Deus quer que pense Nele, mas não só. Impôs deveres a cumprir perante a obra da Criação. Passar todo o tempo em meditação e contemplação nada é meritório aos olhos Deus. Deus pedirá contas do bem que deixou de fazer àquele que optou por uma vida inútil à Humanidade. Deus condena aquele que voluntariamente tornou inútil a sua existência. Ele quer que cada um seja útil, de acordo com as suas faculdades. Se não faz o mal por viver isolado, também não faz o bem. E não fazer o bem já é um mal, ensinam os Espíritos.

* Sergio Rodrigues é espírita e colaborador do Espiritismo.Net.