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Por que falamos muito (e como calar a boca)?


21 de julho de 2015



Por que falamos muito (e como calar a boca)?




A ciência diz: cuide do seu nariz, você fala demais


por Luciana Galastri


Você, provavelmente, fala muito. Se não pessoalmente, através das redes sociais. E a ciência afirma que isso é importante: somos animais sociais, evoluídos para viver em comunidade - e, para que isso seja possível, precisamos nos comunicar.

Mas a ciência mostra que nosso assunto favorito é... nós mesmos. Pesquisas indicam que pessoas passam 60% de suas conversas falando sobre si mesmas e 80% dos posts em redes sociais são sobre o mesmo assunto. O motivo? Nos sentimos bem fazendo isso - tão bem que psicólogos de Harvard descobriram que tem gente disposta a pagar para divulgar informações sobre sua vida.

Se todo mundo se comporta desse jeito, qual é o mal nisso? Contamos: a duração da nossa atenção foi medida - e os resultados não são promissores. Prestamos atenção em informações divulgadas por outras pessoas apenas por 59 segundos, chegando a até 8 segundos quando recebemos informações verbalmente e por fontes digitais.

E a conversa ideal é feita de respostas - não é um monólogo. Se considerarmos que deveríamos falar apenas metade do tempo, com nosso interlocutor preenchendo a outra metade, estamos em uma taxa bem distante.

O pessoal da FastCompany entrevistou o psiquiatra especializado em negócios, Mark Goulston, e descobriu que passamos por três estágios durante conversas:

O estágio de negócios: você inicia a conversa sobre assuntos objetivos, relevantes e de forma concisa

O estágio do prazer: como é tão bom falar sobre você, você nem percebe que a outra pessoa não está ouvindo

A tentativa de recuperar o palco: em vez de ouvir a outra pessoa, você tenta recuperar a atenção dela falando ainda mais

E como não passar por esses estágios constrangedores? O conselho é acreditar que você tem sinal verde durante os primeiros 20 segundos da troca de ideias. Nesse período o seu interlocutor está prestando atenção e gostando das informações (desde que elas sejam relevantes para o papo). A luz amarela acente nos próximos 20 segundos - você já corre o risco de soar enfadonho e perder o interesse da outra pessoa. Depois de 40 segundos, sinal vermelho - o assunto pode parecer fascinante para você, mas as chances são de que a pessoa já não esteja mais curtindo a conversa. Dê uma pausa para que ela faça suas observações.

Outra dica para ter conversas mais 'saudáveis', segundo Goulston, é determinar por que você fala tanto. Um motivo pode ser a tentativa de impressionar seu interlocutor, especialmente se você não está tão confiante. Algumas pessoas falam muito quando estão nervosas, esperando que a conversa toda as acalme, mesmo que inconscientemente. E tem um terceiro tipo de pessoa que simplesmente não tem o hábito de fazer perguntas para trazer os outros para dentro do papo, assim como ouvir silenciosamente suas respostas. Sabendo as causas, você pode se 'treinar' para domá-las.

Se ficar quieto é difícil para você, a recomendação é tratar uma conversa como uma competição. Se você acabou de responder a própria pergunta, você perdeu. Dê tempo aos outros para que eles se coloquem dentro do papo.

Via 
FastCo



Matéria publicada na Revista Galileu, em 12 de junho de 2015.




Claudio Conti* comenta

Apesar da notícia ter sido veiculada na Revista Galileu em junho deste ano, ela reporta a outra notícia veiculada na revista Scientific American em julho de 2013, intitulada "The Neuroscience of Everybody's Favorite Topic", que por sua vez está relacionada com um artigo científico cujo “link" está quebrado e não pode ser acessado.

É importante ressaltar que as conclusões apresentadas, segundo o artigo da Scientific American, não são subjetivas, mas resultados de experimentos controlados e observados por imageamento do cérebro com ressonância magnética funcional para visualização das regiões cerebrais ativadas quando submetido a determinados estímulos, segundo os experimentos delineados pelos pesquisadores.

Nos experimentos foram tratadas questões tais como falar de si mesmo com alguém ouvindo e sem ninguém para ouvir, nem mesmo os cientistas.

É interessante observar que apenas falar de si mesmo, independentemente de alguém estar ouvindo, cause sensação de satisfação e, quando alguém está ouvindo, ou melhor, quando se acredita que alguém esteja ouvindo, a sensação de satisfação é ainda aumentada.

Ainda no artigo da Revista Galileu, há referência à pesquisa conduzida pela Fast Company que indica um outro ponto igualmente interessante: em geral, não se presta atenção no que o outro está falando ou apenas por um tempo muito reduzido.

Assim, podemos concluir que gostamos de falar sobre nós mesmos e não ouvimos o que os outros têm para dizer. A sensação de satisfação ao falar de si próprio é uma manifestação do orgulho, enquanto que não ouvir o que o outro tem a dizer é uma manifestação do egoísmo.

Na Codificação Espírita encontramos numerosas menções ao orgulho e ao egoísmo, duas grandes chagas da humanidade e motivo pelo qual permanecemos ligados a um mundo de expiação e provas como o planeta Terra. Podemos mencionar, como exemplo, a questão 785 d’O Livro dos Espíritos, que diz o seguinte: Qual o maior obstáculo ao progresso? “O orgulho e o egoísmo. Refiro-me ao progresso moral, porquanto o intelectual se efetua sempre...”

Assim, podemos, com segurança, concordar com o resultado da pesquisa realizada, pois é uma constatação daquilo que o Espiritismo veio ensinar.



* Claudio Conti é graduado em Química, mestre e doutor em Engenharia Nuclear e integra o quadro de profissionais do Instituto de Radioproteção e Dosimetria - CNEN. Na área espírita, participa como instrutor em cursos sobre as obras básicas, mediunidade e correlação entre ciência e Espiritismo, é conferencista em palestras e seminários, além de ser médium pscógrafo e psicifônico (principalmente). Detalhes no site www.ccconti.com.