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Bebê de 100 minutos é doador mais jovem na Grã-Bretanha


1° de julho de 2015


Bebê de 100 minutos é doador mais jovem na Grã-Bretanha


Um bebê recém-nascido, que viveu por menos de duas horas, se transformou no doador de órgãos mais jovem da Grã-Bretanha.

Médicos do Hospital da Universidade do País de Gales, em Cardiff, fizeram uma cirurgia inovadora apenas três minutos depois da morte de Teddy Houlston, no dia 22 de abril de 2014.

Os rins do bebê foram então transplantados e salvaram a vida de um adulto em outra cidade britânica, Leeds.

Os pais de Teddy, Mike Houlston e Jess Evans, disseram que queriam que as pessoas conhecessem o filho.

"Temos tanto orgulho dele", disseram os dois.

"Ele viveu e morreu como um herói. É impossível explicar o orgulho que sentimos dele", disse Mike Houlston em entrevista ao jornal britânico Daily Mirror.


Gêmeos

Jess Evans estava na 12ª semana de gravidez de gêmeos quando recebeu a notícia que um deles estava com uma doença fatal.

Teddy foi diagnosticado com anencefalia, um problema raro e letal que impede o desenvolvimento do cérebro e do crânio da criança.

Bebês que sofrem desta doença podem morrer ainda no útero, morrer no nascimento ou viver por apenas alguns segundos, minutos ou horas.

Os médicos ofereceram ao casal a opção de um aborto, mas Jess não aceitou.

"Pensamos que mesmo se tivéssemos um momento com ele, ou dez minutos ou uma hora, aquele tempo seria a coisa mais preciosa para nós", disse.

Enquanto a gravidez avançava, o casal decidiu que doaria os órgãos de Teddy.

Em entrevista à BBC Houlston afirmou que, inicialmente, eles foram informados de que não seria possível fazer um transplante, pois isto nunca tinha sido tentado antes.

Mas, o casal ouviu com alegria a notícia de que o transplante dos órgãos do bebê foi bem-sucedido.

Jess Evans afirmou que o sucesso do transplante ajudou a família durante o luto.

"Saber que ele foi capaz de fazer este bem, um bem maior do que a maioria de nós fará em uma vida inteira - é impressionante como nos orgulhamos dele", disse.

"Ele é ainda parte de nossa família hoje, falamos dele todos os dias, nossos filhos falam dele, nossas famílias falam, sempre nos lembramos dele, ele está conosco o tempo todo", acrescentou.


'Minutos preciosos'

Recuperar os órgãos de crianças para um transplante é um procedimento raro e é ainda mais raro no caso de recém-nascidos, principalmente em casos de anencefalia.

Apesar da doença fatal, os rins de Teddy funcionavam perfeitamente enquanto o bebê estava no útero.

Angharad Griffiths, enfermeira especializada do setor de sangue e transplante do NHS (o serviço público de saúde britânico), que ajudou a completar o transplante, disse à BBC que acredita que um transplante parecido pode ser feito no futuro.

A enfermeira acrescentou que o transplante foi "desafiador", particularmente pelo fato de a equipe médica não saber se Teddy nasceria vivo.

Para Angharad, foi um "privilégio" estar presente na vida de Teddy e a curta vida do bebê foi "uma hora e meia de pura alegria".

"Havia tristeza na sala, naturalmente, (os pais dele) sabiam que iriam perder o bebê, eles sabiam que ele iria falecer, mas eles estavam muito felizes por ele ter nascido vivo e que eles tiveram aqueles minutos preciosos com ele e passaram aqueles minutos preciosos aproveitando a vida com ele", afirmou.


Processo complexo

Philippa Roxby, repórter de saúde da BBC, afirma que o processo de encontrar alguém na lista de espera que possa receber uma doação de órgãos é complexo: depende dos órgãos que estão sendo doados, das necessidades das pessoas esperando pelo órgão, o tipo de tecido, saúde da pessoa que vai receber e o local onde estão doador e beneficiado.

No caso dos rins de Teddy, que não foram afetados pela anencefalia, eles vão crescer dentro de outro corpo vivo, o que faz com que eles possam ser doados para um adulto e também para um bebê, afirmou a repórter.

O caso coloca em destaque a importância da doação neonatal de órgãos, como uma forma de aumentar o número de doadores no futuro.

"Esperamos que a história de Teddy inspire famílias que se encontrem na situação de perder um filho", disse Jess Evans, a mãe do bebê.

Segundo o jornal Daily Mirror, o casal visitou o túmulo de Teddy na quarta-feira, quando ele completaria um ano de idade, junto com o irmão sobrevivente, Noah.

O casal está incentivando as pessoas a se registrarem como doadoras no serviço público de saúde britânico e também levantando fundos para a instituição de caridade 2 Wish Upon a Star, que visa melhorar os serviços de apoio para pais que perderam bebês ou filhos.

No início de 2015, médicos do Imperial College NHS Trust de Londres reveleram que uma bebê de seis dias de idade teve os rins e células dos fígados doadas para dois receptores diferentes, depois que seu coração parou de bater.

Naquela ocasião, acreditava-se que ela era a mais jovem doadora de órgãos da Grã-Bretanha.

Notícia publicada na BBC Brasil, em 25 de abril de 2015.


Claudio Conti* comenta

Variados são os motivos pelos quais uma criança pode nascer sem vida orgânica ou em vias de desencarnar. Estes motivos podem ser devido a necessidade de reparação do perispírito, como em casos de suicídios graves; expiação em decorrências de equívocos cometidos em outras existências; desistência da encarnação; expiação para os próprios pais; dentre outros que temos conhecimento e outros tantos, que nem conseguimos imaginar, em decorrência da nossa pouca compreensão dos desígnios divinos. Desta forma, é impossível estabelecer o motivo pelo qual isto tenha acontecido com o Teddy e sua família.

A história como um todo é muito fascinante. O fato do transplante utilizando órgãos de récem-nascidos foi, segundo o artigo, um grande feito e abre as portas para novos transplantes similares; a ideia de que um órgão de um récem-nascido possa ser transplantado em um adulto e se desenvolver é realmente interessante. Os avanços científicos e as possibilidades que se descortinam são enormes.

Contudo, algo nesta história que poderia ter sido trágica, mas não foi, e que serve como ensinamento para todos nós, pois pode acontecer conosco ou com alguém que conhecemos, e que teremos oportunidade de auxiliar, utilizando esta história como exemplo e complementando com a orientação espírita: a forma como os pais lidaram com toda a situação, desde a notícia de que o, então feto, trazia problemas congênitos demonstrou grande entendimento da natureza espiritual, apesar e independentemente de qualquer crença que sejam adeptos.

Vê-se nos noticiários relatos e, inclusive, atendimentos em casas espíritas de pais que passam por grande sofrimento antes, durante e após este tipo de evento. Inclusive, o sofrimento pode durar por anos a fio sem que nem o tempo consiga aplacar.

A relação dos pais para com os filhos, em geral, carrega o sentimento de posse; acreditam que os filhos lhes pertençam e que suas vidas estão completamente em suas mãos e de ninguém mais. O ser humano, no nível evolutivo em que nos encontramos, não desenvolveu o discernimento ao ponto de perceber o quanto apresenta comportamento egoísta, acreditando possuir o que não nos pertence, seja filhos, objetos ou riquezas.

Precisamos entender que todos os espíritos, sejam aqueles que estão no papel de pais ou filhos na presente encarnação, são criaturas de Deus, Seus filhos, cabendo apenas a Ele decidir quando e como encarnam ou desencarnam. Nosso dever é o de fazer todo o possível para a manutenção da vida orgânica, seja nossa ou daqueles que estão sob nossa tutela. Isto sob o ponto de vista da vida material, contudo, é preciso também proporcionar condições para a evolução espiritual.

Devemos compreender que os filhos não pertencem aos pais, estão sob a tutela deles e que precisam estar cientes de aproveitar o tempo em que o grupo familiar esteja compartilhando a vida. Havendo a desencarnação do filho, especialmente no caso de natimortos ou que desencarnaram pouco depois do nascimento, os pais foram uma ferramenta para que aquele espírito tivesse oportunidade de sanar alguma dificuldade que tenha e, da parte dos pais, exercitar a resignação daquilo que não podem mudar.

Despojados do egoísmo, os pais poderão se sentir felizes por terem tido a oportunidade de auxiliar o filho, a que tanto amam, de dar mais um passo na senda evolutiva e de compartilharem algum tempo, mesmo que seja curto, da sua vida.

* Claudio Conti é graduado em Química, mestre e doutor em Engenharia Nuclear e integra o quadro de profissionais do Instituto de Radioproteção e Dosimetria - CNEN. Na área espírita, participa como instrutor em cursos sobre as obras básicas, mediunidade e correlação entre ciência e Espiritismo, é conferencista em palestras e seminários, além de ser médium pscógrafo e psicifônico (principalmente). Detalhes no site www.ccconti.com.