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Apelo de mãe para aniversário de filho recebe centenas de respostas


13 de junho de 2015


Apelo de mãe para aniversário de filho 'sem amigos' recebe centenas de respostas


Uma britânica postou um apelo no Facebook, afirmando que seu filho de 11 anos ia fazer aniversário e não tinha amigos e, em resposta, recebeu centenas de cartões de todo o mundo.

Molly-Mole Povey, de Devon, no oeste da Inglaterra, ficou preocupada quando seu filho Roman disse que não tinha amigos na escola.

Por isso, Molly postou a mensagem no Facebook pedindo às pessoas que desejassem feliz aniversário ao filho.

A mensagem viralizou e mais de 200 cartões chegaram à casa da família, até mesmo de lugares distantes como Nova Zelândia, Dubai, Finlândia, Dinamarca, Egito, Noruega, Alemanha e Austrália.

"A compaixão demonstrada foi realmente inspiradora", disse.

"Eu esperava apenas que algumas pessoas da escola dessem um cartão a ele, mas (o post) viralizou e as pessoas se ofereceram para enviar cartões do mundo todo."

Molly escreveu a mensagem duas semanas antes do aniversário de 11 anos do filho, nesta quarta-feira, que ela chama de "menino lindo e especial", ainda que "com dificuldades".

"Roman não tem amigos e, por causa disso, muitas vezes chora até dormir."

"Não consigo expressar o quanto estes últimos anos foram dolorosos, por tantas vezes ver o meu filho lindo tão triste", afirmou.


12 horas

Em seu post, Molly afirmou que qualquer cartão ou parabéns no aniverário do filho "significaria muito para ele se sentir especial e popular".

A mensagem obteve mais de 400 curtidas e respostas de muitos países. E continuam chegando.

"Doze horas depois, meu post já tinha sito compartilhado no mundo todo, de amigos para os amigos deles e além", afirmou.

"Percebi que tinha virado algo global quando alguém em Uganda me enviou uma mensagem perguntando se poderia enviar um cartão de aniversário para o meu filho Roman. É incrível, estou surpresa com a gentileza das pessoas."

Roman recebeu os cartões nesta quarta-feira, em casa, durante a comemoração do seu aniversário.

Notícia publicada na BBC Brasil, em 29 de abril de 2015.


Jorge Hessen* comenta

Ao visitarmos o doente no leito de um hospital, ao estendermos as mãos ao preso no cárcere, ao expedirmos um cartão de “feliz aniversário” para um amigo, ao doarmos o farnel de cesta básica para a família carente, ao telefonarmos para alguém que não vemos há muito tempo, ao prestarmos atenção no próximo, estabelecemos um vínculo solidário.

Obviamente, a solidariedade é uma palavra que assombra os individualistas, porque inflige a mobilização de recursos em favor do próximo; porém, gostem ou não, é a lei da assistência mútua e da dependência recíproca, sem a qual todo progresso é praticamente impossível. A Lei que rege as relações sociais impulsiona o homem à solidariedade e ao amor, fagulha sublime que todos, sem exceção, têm no coração, haja vista de que um homem, por mais abominável que seja, vota a alguém ou a um animal ou a um objeto qualquer, viva e ardente afeição.

Allan Kardec indagou aos Espíritos: “O homem, ao buscar a sociedade, obedece apenas a um sentimento pessoal ou há também nesse sentimento uma finalidade providencial de ordem geral?” Os Benfeitores esclareceram: “O homem deve progredir, mas sozinho não o pode fazer porque não possui todas as faculdades; precisa do contato dos outros homens. No isolamento, ele se embrutece e se estiola”.(1)

Ser solidário é sentir necessidade íntima de dividir algo ou alguma coisa com o próximo. A solidarização é o anseio de identificação com as dificuldades dos outros, que leva as pessoas a se auxiliarem mutuamente. É o compromisso pelo qual nos percebemos no comprometimento de ajudar-nos uns aos outros. Sem o devido culto à solidariedade, nossos passos, por mais firmes, não surpreenderiam à frente senão intranquilidade e agitação, discórdia e destruição. Tudo é interdependência e sustentação recíproca em toda a natureza, para que desfrutemos a experiência da existência física rumo à nobre elevação à imortalidade vencedora.

Em Devon, Inglaterra, a senhora Molly-Mole Povey, preocupada com seu filho Roman, que reclamou não ter amigos na escola, deliberou postar uma mensagem no Facebook solicitando às pessoas que almejassem um  “feliz aniversário” ao filho. A mensagem de Molly “viralizou”(2) e centenas de cartões chegaram à casa da família, até mesmo de lugares distantes como Nova Zelândia, Dubai, Finlândia, Dinamarca, Egito, Noruega, Alemanha e Austrália. Na verdade, Molly-Mole aguardava apenas que algumas pessoas da escola dessem um cartão “virtual” a seu filho, mas (o post) foi muito compartilhado e as pessoas do mundo inteiro se ofereceram para enviar cartões de “boas festas”. Isso é prova cabal de que o ser humano tende à solidariedade.

Aristóteles, o filósofo grego, afirmou que “o homem é um animal social”, isto é, ele não basta a si mesmo, pois (re)nasceu para interagir com o seu semelhante. Emmanuel ensina que a Terra deve ser considerada escola de solidariedade para o aperfeiçoamento e regeneração de todos nós. “Na dor como na alegria, no trabalho feliz como na experiência escabrosa devemos considerar a reencarnação um processo de sublime aprendizado fraternal, concedido por Deus aos seus filhos, no caminho do progresso e da redenção.”(3) Todavia, diversas criaturas, de um modo geral, ainda têm muito da tribo, encontrando-se encarcerados nos instintos propriamente humanos, na luta das posições e das aquisições, dentro de um egoísmo quase feroz, como se guardassem consigo indefinidamente as heranças da vida animal. “A fraternidade [solidariedade] conquista uma nova expressão no íntimo da criatura, a fim de que o Espírito possa alçar o grande voo para os mais gloriosos destinos.”(4)

Fraternidade [solidariedade] pode traduzir-se “por cooperação sincera e legítima, em todos os trabalhos da vida, e, em toda cooperação verdadeira, o personalismo não pode subsistir, salientando-se que quem coopera cede sempre alguma coisa de si mesmo, dando o testemunho de abnegação, sem a qual a fraternidade não se manifestaria no mundo, de modo algum.”(5)

Dentro dos autênticos manifestos cristãos nasce a solidariedade, que só pode ser exercida pelos que não vivem somente para si. Atendamos aos impositivos da solidariedade e compreendamos que a Lei Divina, em tempo algum, nos sugere isolamento que, na verdade, é sempre egoísmo, ainda mesmo quando nos ausentemos da batalha humana, sob a argumentação de cultivar a virtude e garantir a fé.

Observemos que a própria família consanguínea é uma ordem de auxílio mútuo. Ninguém reencarna sem o desvelo do berço e o berço é sucessivamente o desvelo de mãe, o arrimo do pai a desfazer-se em disposições de paz e luz. A solidariedade é uma atitude que tem uma função preponderante nesta batalha travada pelo homem contra si próprio. Alguns, infelizmente, permanecem sob o jugo da solidão, do estar em si mesmo, no seio de um agrupamento de sete bilhões de pessoas. Ser solidário é acudir incondicionalmente os que carecem de ajuda. Não podemos cair na vala profunda do egoísmo, ou seja, a vala que a experiência já demonstrou não ser tapada por bens materiais; um buraco que só pode ser preenchido por uma vida honrada, cujo desígnio básico é ser solidário, pelo simples prazer de sê-lo.


Nota e referências bibliográficas:

(1) KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 2000, perg. 768;

(2) Espalhar(-se) de maneira a criar um efeito semelhante ao de um vírus;

(3) XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo espírito Emmanuel, RJ: Ed. FEB, 2002;

(4) Idem;

(5) Idem.

* Jorge Hessen é natural do Rio de Janeiro, nascido em 18/08/1951. Servidor público federal aposentado do INMETRO. Licenciado em Estudos Sociais e Bacharel em História. Escritor (dois livros publicados), Jornalista e Articulista com vários artigos publicados.