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Revista alemã imprime edição com sangue de pessoas com HIV


20 de maio de 2015


Revista alemã imprime edição com sangue de pessoas com HIV


Jimmy Tam
BBC Newsbeat

Quando Wyndham Meadque ouviu a proposta de doar sangue para a impressão de uma revista, ele achou que era uma ideia maluca.

Mas pensou e acabou concordando.

Agora, 3 mil cópias da revista masculina alemã Vangardist foram impressas usando tinta misturada com o sangue de Wyndham e outras duas pessoas com HIV.

O objetivo da campanha é quebrar o estigma sobre HIV e Aids.

"Nunca tinha ouvida falar sobre isso. Não consegui parar de pensar nessa coisa de vampiro que está rolando em filmes e na cultura pop agora", disse Wyndham ao Newsbeat, da BBC.

Mas o estrategista digital de 26 anos, que é americano mas mora em Berlim, topou participar da iniciativa porque achou que poderia "fazer a diferença".

A agência de publicidade Saatchi & Saatchi, que fez a campanha para a revista Vangardist, disse que o sangue foi esterilizado para desativar o vírus antes que fosse misturado à tinta de impressão.


Doação

Wyndham está acostumado a tirar sangue - ele precisa fazer isso todas as vezes que faz um check-up médico, a cada três meses.

Mas doar sangue para a revista foi um "momento forte".

"Sentei na maca e foi totalmente diferente das outras vezes", afirmou Wyndham. "Eu estava tirando sangue para a impressão de uma revista que seria distribuída para milhares de pessoas e se tornar algo muito maior", afirma.

Todas as 86 páginas da revista foram impressas com a tinta.

A edição limitada começou a ser vendida esta semana na Áustria, Alemanha e Suíça.

"Fiquei orgulhoso em saber que, juntos, criamos algo bonito e que, espero, possa servir para algo bom", diz Wyndham.

"Espero que faça o máximo de pessoas falarem, pensarem e lerem sobre HIV e o que significa viver com HIV em 2015. Então as pessoas poderão ver que somos como qualquer outra pessoa."


Choque

Wyndham disse que foi um "grande choque" quando ele foi diagnosticado com HIV, em outubro de 2012.

"Eu não esperava nem um pouco. Sou o tipo de pessoa que achava que estava sendo muito cuidadoso. Achava que eu era parte de um grupo privilegiado de homens gays jovens que não pegam mais HIV."

"Muitas coisas pequenas mudaram. Tomo remédios todos os dias, tenho que ir ao médico a cada três meses, preciso ter mecanismos para contar às pessoas que sou soropositivo antes de fazer sexo com elas, preciso respeitar quando as pessoas ficam histéricas ou quando reagem de forma ruim."

Mas ele diz que isso o ajudou a "viver de forma mais positiva e feliz" do que antes.

Wyndham afirma que falar sobre HIV é uma forma de resolver o estigma.

"Acho que o estigma vem da falta de compreensão e conhecimento sobre o HIV. Para mim, devemos começar a remover esse estigma."

"Acreditamos que, como uma revista sobre estilo de vida, é nossa responsabilidade discutir os assunto que moldam a sociedade hoje em dia", diz Julian Wiehl, publisher e CEO da Vangardist.

"Isso nos pareceu um assunto muito importante, que deveria ser abordado não só editorialmente, mas também em uma forma de comunicação mais ampla."


Brasil

A publicação da revista ocorre ao mesmo tempo em que um ONG brasileira lançou uma campanha com "cartazes HIV-positivos".

Em cada cartaz há uma gota de sangue de um paciente soropositivo.

A ONG GIV – Grupo de Incentivo à Vida - espalhou cerca de 300 cartazes por São Paulo; o objetivo é "mostrar que qualquer pessoa pode conviver normalmente com alguém que é HIV positivo".

De acordo com a ONG, o cartaz é seguro, já que o HIV não sobrevive mais de uma hora fora do corpo humano.


O que é HIV?

HIV significa vírus da imunodeficiência humana (na sigla em inglês). O vírus ataca o sistema imunológico e prejudica a capacidade de uma pessoa de combater infecções e doenças.

Não há cura para o HIV, mas há tratamentos que permitem que a maioria das pessoas infectadas vivam uma vida longa e saudável.

O Ministério da Saúde estima que, no Brasil, 734 mil pessoas vivam com HIV. Em todo o mundo, são cerca de 35 milhões.

Esta reportagem foi feita pelo BBC Newsbeat. Você pode seguir o @BBCNewsbeaton no Twitter, BBCNewsbeat no Instagram, Radio1Newsbeat no YouTube e BBC_Newsbeat no Snapchat.

Notícia publicada na BBC Brasil, em 7 de maio de 2015.


Claudio Conti* comenta

Desde meados dos anos 80, quando surgiu o alarde em escala mundial sobre o vírus da AIDS, que este tema aparece de tempos em tempos nos meios de comunicação e em campanhas de conscientização.

Sem sombra de dúvidas que para esta, como tantas outras questões, a solução duradoura é a educação da população. Todavia, a educação deve ser muito mais ampla do que apenas a abordagem pontual, tal como vem ocorrendo ao longo destes anos.

Atualmente, a informação está dissociada da compreensão e esta ligação somente será possível com o desenvolvimento intelectual da população para ser capaz de correlacionar temas aparentemente distintos para traduzir em comportamento.

A espécie humana ocupa o topo da pirâmide evolutiva e detentora, ao menos aparentemente, da maior capacidade de inteligência e raciocínio e, como tal, deve sempre exercer sua capacidade na busca de soluções diante das adversidades. Este procedimento é essencial para se atingir a solução efetiva de uma problemática qualquer.

Contudo, muitas vezes, durante o procedimento adotado, surgem “soluções” que resolvem o problema apenas aparentemente, isto é, acredita-se que com tal ação as dificuldades serão superadas, mas que apenas tornam os efeitos não tão aparentes. Somente com a capacidade de análise adequadamente desenvolvida é que será possível perceber as faltas no procedimento adotado e, com isso, aplicar as devidas correções.

O que se verifica com a AIDS, especificamente, é que repetidamente se fala as mesmas coisas, apresentando soluções que não resolvem, são paliativos muito mal aplicados. No caso em questão, a AIDS, optaram pela divulgação da necessidade do uso de preservativos, seringas descartáveis e drogas não injetáveis, ao invés de condutas comportamentais mais adequadas. A transformação pessoal é trabalhosa e envolve grande dispêndio de energia.

Combater o preconceito é fundamental e necessário tanto para os soro positivos quanto para os soro negativos. Os primeiros, para que possam levar uma vida sadia em sociedade, como cidadãos que são, enquanto que, ao mesmo tempo, se possa verificar os efeitos negativos do vírus e as consequências de práticas sexuais inadequadas pelo outro grupo.

A educação é a solução para a AIDS e para outras tantas questões que volta e meia surgem para atormentar a população mundial, tal como a pneumonia asiática, gripe aviária, etc.

Joanna de Ângelis, no livro intitulado Dias Gloriosos, apresenta um interessante estudo acerca das aflições e situações experienciadas pela humanidade atual. No capítulo 6, Enfermidades da Alma, ela diz que “mantendo-se por muito tempo em incubação no organismo, os vírus permanecem inativos até que o seu hospedeiro emita ondas vibratórias que lhe vitalizam a organização, favorecendo-lhes a multiplicação devastadora, quase sem limite”.

Sob este prisma, pode-se imaginar que todos estão sujeitos a vírus e bactérias de todas as espécies e que cada um dará ensejo para que tal ou qual possa se manifestar, sempre de acordo com seu estado mental atual ou devido a transgressões no passado, cuja reparação se faz necessária, contudo, é preciso estar consciente que qualquer estado poderá ser alterado, tanto para pior quanto para melhor, dependendo apenas da postura adotada.

Pode-se também imaginar que existam muitos outros vírus e bactérias, inclusive formas mutantes, responsáveis por muitas outras patologias desconhecidas que ainda não se manifestaram, permanecendo em latência, até que haja um estímulo qualquer para que torne a atividade, isto é, que encontre campo propício para sua manifestação, campo este proporcionado pelo estado mental.

Será que ao invés de se gastar milhões para detecção e resposta imediata a investidas biológicas terroristas ou ocorrências naturais, não seria mais eficaz a utilização deste dinheiro em educação e auxílio aos mais necessitados? Será que a solução para tão graves problemas não seria a responsabilidade individual e coletiva? Talvez estas soluções ainda sejam uma utopia, mas a única fatalidade a que o Espírito está sujeito é a evolução, que significa o desenvolvimento moral e intelectual e que trará, forçosamente, o amor e a fraternidade entre os povos, até que todos se reconheçam, finalmente, como irmãos.

* Claudio Conti é graduado em Química, mestre e doutor em Engenharia Nuclear e integra o quadro de profissionais do Instituto de Radioproteção e Dosimetria - CNEN. Na área espírita, participa como instrutor em cursos sobre as obras básicas, mediunidade e correlação entre ciência e Espiritismo, é conferencista em palestras e seminários, além de ser médium pscógrafo e psicifônico (principalmente). Detalhes no site www.ccconti.com.