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Assassino do filho de australiana é colega que ela impediu de cometer suicídio


24 de abril de 2015


Australiana descobre que assassino do filho é o colega que ela impediu de cometer suicídio anos antes


“Quando eu soube que ele era esse monstro, desejei nunca ter protegido ele anos atrás", diz Casey Veal, cujo filho de 10 meses foi morto durante um roubo à sua casa. Ex-colega de escola dela, Harley Hicks foi condenado a 32 anos de prisão

A australiana Casey Veal ainda estava lidando com a morte do filho de apenas 10 meses, Zayden, quando descobriu o que parecia impossível: o assassino do pequeno era um homem que ela salvou do suicídio anos antes.

“Quando eu soube que ele era esse monstro, desejei nunca ter protegido ele anos atrás”, disse Casey ao diário inglês Metro.  Ela e Harley Hicks se conheceram quando estavam no colégio, em Bendigo, na Austrália.  Segundo Casey, ela e alguns amigos protegeram o novo colega, que era “muito solitário” e constatemente vítima de bullying.

“Ele contou uma vez que pensava em se matar e eu me lembro de ter dito: ‘Você não quer fazer uma coisa dessas. Nada é pior do que isso’”, conta.

Casey diz que não viu mais o ex-colega depois que deixaram a escola. O caminho dos dois se cruzaria novamente em 16 de junho de 2012, num caso que estarreceu o país. Casey lembra ter sido acordada pelo filho Xavier dizendo à mãe que as portas da casa estavam abertas.

“Enquanto eu andava para o quarto, percebi que alguma coisa não estava bem. A babá eletrônica havia sido tirada da parede e o ursinho de pelúcia preferido de Zayden estava no chão. Eu puxei o lençol que ele estava coberto e quase desmaiei de terror”, lembra a mãe.

O bebê de apenas dez meses estava no berço, coberto de sangue. Ele havia sido morto enquanto dormia durante a invasão e assalto à casa. A investigação concluiu que o pequeno sofreu mais de 30 golpes de um bastão feito com fios de cobre por Hicks, então com 21 anos, que inicialmente negou a morte.

A promotora do caso disse que “quase não havia explicação” para o crime. Os advogados de Casey pediram a prisão perpétua para o assassino, que acabou sendo condenado a 32 anos de prisão. Um recente apelo da defesa para diminuir o tempo da pena foi negado pela justiça australiana.

“Ele nunca nos deu uma explicação”, diz Casey. “Eu morri naquele mesmo dia, junto com Zayden, mas eu preciso seguir em frente. Quando Xavier me pergunta por que o irmão morreu, eu não tenho resposta. Mas eu não acredito que esse mal tome conta de tudo. Meu filho nos trouxe tanto amor. Me recuso a deixar Hicks transformar tudo em ódio.”

Matéria publicada na Revista Marie Claire, em 12 de fevereiro de 2015.


Claudio Conti* comenta

Certamente que a notícia não é trivial e qualquer coisa que venha a ser dita para consolar esta mãe poderá parecer insensato, especialmente pela sequência de eventos que teve início muitos anos antes. O mesmo é válido ao se tentar explicar um acontecimento que, a princípio, parece sem explicação.

Certamente que, quando se está no "olho do furação", isto é, quando o evento surte um efeito direto em nós, o entendimento e a aceitação é quase inalcançável, contudo devemos exercitar conceitos para que possamos vivenciar as experiências pessoais com a tranquilidade necessária.

Quando analisamos o evento em pauta à luz da Doutrina Espírita, encontramos explicações que podem conduzir a aceitação, mesmo que a dor seja profunda, mas que dará ânimo para seguir a frente na jornada reencarnatória.

Como espíritos viventes num mundo de expiações e provas, todos estamos sujeitos a situações desagradáveis, pois faz parte do nosso estado atual. Cabe a nós, cientes dessa possibilidade, conduzir nossas vidas para que os eventos sejam os mais amenos possíveis. Obviamente que esta postura dependerá do interesse pessoal, todavia, ninguém poderá fugir da responsabilidade como espírito imortal e com os semelhantes.

Desta forma, a mãe não deveria se arrepender de haver auxiliado alguém que, na ocasião, era seu próximo em necessidade. É preciso ter em mente que sempre devemos fazer o bem quando temos a oportunidade. Ela não poderia sequer imaginar o que viria a acontecer e, mesmo que houvesse imaginado, talvez o fato de ter sido amparado pudesse transformar o rapaz.

Uma coisa é certa: nossas ações sempre acarretarão consequências, boas ou mais, conforme a ação. Desta forma, imaginando que a mãe não houvesse socorrido o rapaz quando em necessidade, quais teriam sido as consequências disto? Ninguém poderia dizer. Lembremos que este rapaz não é o único espírito equivocado na Austrália, portanto, coisas ainda piores poderiam ter acontecido, pois, infelizmente, o escândalo ainda é necessário.

Sabemos o quanto é difícil para os pais um evento como este, contudo, o outro filho ainda continua vivo, necessitando de amor e um ambiente saudável. Portanto, é necessário muita cautela para não prejudicar, de forma lenta e gradual ao longo dos anos que virão, a existência do filho que ainda está sob seus cuidados, podendo se tornar algo tão vil quanto o cometido pelo espírito doente.

Somente Deus sabe os seus desígnios por completo e é preciso ser grato, nos casos de desencarnação de crianças, por Deus ter concedido a guarda do espírito pelo tempo que permaneceu como encarnado.

* Claudio Conti é graduado em Química, mestre e doutor em Engenharia Nuclear e integra o quadro de profissionais do Instituto de Radioproteção e Dosimetria - CNEN. Na área espírita, participa como instrutor em cursos sobre as obras básicas, mediunidade e correlação entre ciência e Espiritismo, é conferencista em palestras e seminários, além de ser médium pscógrafo e psicifônico (principalmente). Detalhes no site www.ccconti.com.