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Multiplicar Sorrisos


10 de abril de 2015


Multiplicar Sorrisos


Projeto Praia Acessível foi lançado neste domingo no Balneário Rincão e Balneário Arroio do Silva. Já no primeiro dia, a iniciativa atraiu olhares, conquistou a simpatia do público e conseguiu o mais importante 

Talise Freitas

O sorriso do adolescente Heitor Medeiros, de 16 anos, portador de síndrome de down, ao ficar de pé pela primeira vez em uma prancha de surfe em alto mar, era contagiante. A felicidade dele foi multiplicada na manhã deste domingo, na orla da Zona Norte do Balneário Rincão, para dezenas de portadores de algum tipo de deficiência ou limitação que raramente, ou que pela primeira vez, sentiram o conforto de um banho de mar.

A alegria e o domingo diferente, de abertura de verão, foram proporcionados graças ao projeto Praia Acessível, que pela segunda vez, fez a alegria dos portadores de alguma necessidade especial, além de oferecer sentimento de igualdade e de que as barreiras podem ser quebradas.

A abertura do evento, que também ocorreu no Balneário Arroio do Silva, teve um público prestigiado. Quem foi à orla e se deparou com a mobilização, ficou curioso, e deu uma pausa, seja na caminhada ou no banho de sol, para ver a felicidade impressa no rosto dos beneficiados pelo projeto.

“Realmente é de se arrepiar. Achei lindo. Me fez pensar que às vezes reclamamos de coisas simples, ou de que temos tudo ao nosso redor, e não aproveitamos como deveríamos. Nunca imaginei que pudesse existir um projeto como esse. Quem está envolvido, está mais que de parabéns”, declarou a enfermeira Daniela de Souza Ribeiro, que é de Porto Alegre (RS), e veio visitar a família do marido, que é do Balneário Rincão.


Alegria dos pais

Heitor, que fez questão de se arriscar no surfe, modalidade aplicada nessa segunda edição do projeto devido à parceria com a Escolinha de Surfe Rincão, não continha os sorrisos. A mãe, Iolanda Medeiros, se emocionou ao ver a alegria do filho em cima de uma prancha pela primeira vez, pois segundo ela, Heitor passa a maior parte do tempo em casa, no computador.

“Esse projeto é maravilhoso, pois além do bem estar, estimula a prática de atividade física. Queremos aproveitar ao máximo o Praia Acessível”, planeja. Heitor ainda sofre de escoliose, uma deformidade na curva da coluna vertebral. “No comecinho tive um pouquinho de medo, mas só no comecinho. Depois foi muito legal. Quero voltar sempre”, disse o garoto.


Parceria que eleva o nome do Rincão

O prefeito do Balneário Rincão, Décio Góes, também esteve na abertura e acompanhou alguns banhos de mar com a cadeira anfíbia. “Um projeto desse porte grandioso só traz coisas boas e eleva o nome do nosso município. Essas parcerias são sempre bem-vindas, e graças a essas parcerias que é possível fazer algo diferenciado no nosso Rincão, para o benefício de todos”, discursou Góes.

O coordenador do grupo de voluntários Ação Mais, idealizador do Praia Acessível, Marcelo Raupp, agradeceu a todos os envolvidos e as parcerias que puderam dar realidade a segunda edição do projeto. “Nosso objetivo é sempre evoluir o Praia Acessível, reforçar parcerias e beneficiar cada vez mais quem precisa. De fazer com que essas pessoas se sintam confortáveis em qualquer espaço e aumentar o número de adeptos A praia é de todos e a nossa bandeira é a da igualdade”, declarou.


Atividades complementam projeto

Não foi somente o divertimento nas águas salgadas que marcou a abertura do projeto. Na areia, os participantes jogaram vôlei sentado e bocha e puderam aproveitar o momento para a integração, trocar experiências ou mesmo jogar conversa fora. E foi na areia que os sentimentos das atividades eram relatados. “Estou me sentindo um peixe. Se deixar, eu fico na água o dia todo”, exclamou o artesão e cadeirante, Aquiles Schereder, de 56 anos, morador do Bairro Cristo Redentor, em Criciúma.

Aquiles se sentiu tão à vontade na praia, que dispensou até a cadeira anfíbia e optou por se banhar sozinho, na beira do mar. “Adoro água. Há uns quatro anos não vinha no mar, só na lagoa. Hoje ainda o tempo colaborou com esse calor. Está tudo aprovado”, completou.

Quem sentiu pela primeira vez a água salgada foi o cadeirante Paulo Roberto da Silva, de 63 anos, que veio com os colegas do asilo Rede Vida, do Bairro Cidade Mineira Nova, em Criciúma. “Como é bom a água gelada. Quero vir sempre”, assegurou.

Para o morador do Balneário Rincão, Sidney Brandão, de 62 anos, agora recomeçou a oportunidade de aproveitar a praia. “Temos que vir sempre. Se não tiver adeptos, o projeto, que foi feito para nós, perde força. No ano passado, se vim duas vezes à praia foi muito. Agora quero aprender a surfar”, esquematiza Brandão, que tem dificuldade de locomoção devido a um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Já para o pequeno Gabriel de Oliveira, de nove anos, que não tem parte de um braço, a dificuldade foi de sair da água e deixar a prancha de surfe do lado. “Quero surfar de novo, jogar frescobol e ficar aqui pra sempre”, planeja o menino, morador do Bairro Vila Progresso, em Criciúma.


Falta de estrutura

Eliel Firmino, de 14 anos, portador de paralisia cerebral, também aproveitou essa segunda edição do Praia Acessível. Na abertura da primeira edição do projeto, em dezembro do ano passado, o garoto também esteve presente e esbanjou sorrisos. “Se deixar ele fica o dia todo. Aproveitamos bastante a última temporada e vamos aproveitar muito essa, com certeza. É um momento de muita felicidade e de saber que, além de o meu filho poder se divertir como qualquer adolescente da idade dele, que há pessoas que se preocupam com a minoria”, diz o pai do garoto, Elias Firmino, que veio do Bairro Rio Maina, em Criciúma.

Mas para Elias, a questão da acessibilidade ainda está distante. “O projeto está de parabéns e só vem melhorando. O que falta é mais estrutura, mais acessos e locais para se trocar e banheiros químicos, por exemplo. Isso tem que fazer parte da orla”, elencou.

Notícia publicada no Portal clicatribuna, em 21 de dezembro de 2014.


Sergio Rodrigues* comenta

Conforme ensinamento contido em O Livro dos Espíritos, os espíritos que passam por semelhante situação de enfermidade cerebral estão em expiação devido ao mau uso que fizeram em existências pretéritas de suas faculdades intelectuais. Encontram-se encarcerados em corpos cujos órgãos cerebrais deficientes não permitem que expressem com liberdade seus pensamentos.

Sofrem por não poderem exercer livremente suas faculdades intelectuais devido ao não desenvolvimento ou imperfeição desses órgãos. Constitui, sem dúvida alguma, uma das mais cruéis punições terrenas a que um espírito pode ser submetido, muitas das vezes, até, escolhida por ele próprio, arrependido e desejoso resgatar suas faltas.

Por todos esses motivos, esses irmãos não podem ser tratados com indiferença e considerados um peso para a sociedade. Muito pelo contrário, são credores da nossa assistência, da nossa atenção e do nosso amor, sendo dever de todos ajudá-los a suportar e vencer essa penosa expiação. Com seu sofrimento estão nos oferecendo uma oportunidade de exercermos a caridade na sua expressão mais meritória e, com isso, ajudando-nos a impulsionar nosso crescimento espiritual. E notemos o quanto as pessoas envolvidas neste projeto e até os que testemunharam o seu lançamento sentem-se emocionados e felizes por estarem podendo participar de algum modo dessa experiência.

O projeto em questão, desenvolvido por diversos entes públicos e privados, é uma demonstração de como, com algum esforço e dedicação, e, principalmente, com muito amor, é possível aproximar esses irmãos de uma vida mais perto possível da normalidade. Além disso, proporciona alguns intervalos de felicidade e bem-estar em meio a uma existência de provação. Vamos apoiar essa iniciativa do modo que nos for possível, certos de que esse projeto está contribuindo para atenuar o sofrimento desses irmãos, ajudando-os a cumprir o que lhes está designado e a saírem vitoriosos das suas provas, retomando a sua caminhada evolutiva.

* Sergio Rodrigues é espírita e colaborador do Espiritismo.Net.