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Chinês que mantém esposa presa há 12 anos apela por doações


21 de fevereiro de 2015



Chinês que mantém esposa presa há 12 anos apela por doações




Luo Jindong alega não ter condições financeiras para pagar tratamento médico à cônjuge, que sofre de problemas mentais



Um trabalhador da construção civil que mantém a esposa presa em uma cela há 12 anos apela por ajuda para conseguir pagar tratamento psicólogico à mulher que comprou de traficantes de pessoas, informou o Daily Mirror. Luo Jindong, de 64 anos, passou a manter a esposa em cativeiro depois que ela começou a sofrer de problemas mentais em 2002.

Ele contou que nasceu em uma família pobre e se tornou responsável pela criação dos irmãos menores quando ainda era muito jovem. Como estava sempre trabalhando, acabou adiando os planos de encontrar uma esposa e formar a própria família, até que, quando completou 50 anos, resolveu usar as economias na compra de uma mulher a quem poderia lhe servir como esposa.

Em 2000 ele se casou em sua cidade natal, Genzi, próximo à cidade de Gaozhou, no sudeste da província chinesa de Guandong, e um ano mais tarde teve seu filho, Luo Jinhui. Jindong conta que enquanto estava no trabalho, sua mãe mantinha a mulher trancada em casa, sob rédeas curtas.

Foi um ano depois de dar luz ao filho que a prisioneira começou a manifestar evidências de que sofria de problemas mentais. Após uma conversa com a mãe, Jindong chegou a conclusão de que a melhor coisa que podia fazer era trancar a mulher em um pequeno quarto, onde permanece até hoje.

"O que eu mais eu poderia fazer? Eu não tinha dinheiro para pagar por um tratamento médico e pouquíssimo dinheiro para reformar a casa, que está quase em colapso. Eu tinha que trabalhar dia após dia para conseguir alimentar a mim e a minha família, e além disso, eu queria que meu filho tivesse a mãe por perto", explica.

Jindong diz que em 2015 completará 65 anos e que não conseguirá mais manter o trabalho no ramo da construção civil, e, por isso, pede ajuda para poder proporcionar um futuro decente ao filho e ajuda médica à esposa.

Para tanto, o chinês tem contado com a ajuda da mídia local. Um número de telefone foi amplamente divulgado para aqueles que desejam fazer doações a Jindong e à família.


Terra


Notícia publicada no Portal Terra, em 5 de novembro de 2014.




Sergio Rodrigues* comenta

É preciso não perder de vista que o procedimento adotado pelo referido trabalhador da construção civil, em princípio, é reprovável, caracterizando, muito possívelmente, um crime perante as leis daquele país. No entanto, perante as leis de Deus, que leva mais em consideração a intenção do que a ação propriamente dita, podemos visualizar algumas atenuantes. Teria ele tido a intenção de simplesmente supliciar a mulher? Nesta hipótese, estaria, sem margem de dúvida, infringindo, não apenas as leis humanas, mas também e gravemente a Lei Maior. De acordo com a notícia comentada, todavia, não foi isto o que motivou a sua ação. O que se relata na notícia é que ele agiu premido pela falta de condições econômicas para proporcionar à esposa, que padecia de uma enfermidade mental, um tratamento médico adequado. Há que se considerar, também, tratar-se de uma pessoa que, além de economicamente pobre, ao que tudo indica, era também carente de instrução. Ou seja, uma pessoa muito simplória, com dificuldade de discernimento. Agiu, portanto, conforme suas condições sócio-econômicas o permitiram. Todas essas circunstâncias devem ser consideradas ao se avaliar o caso.

Uma outra questão que devemos considerar é até que ponto a referida mulher foi prejudicada, ou seja, se o marido lhe fez um mal que lhe trouxe sofrimento. Também neste ponto é necessário analisarmos com cuidado e bom senso a situação. Se ela estivesse durante esse tempo em liberdade, considerando a natureza da enfermidade de que era portadora, estaria ela ainda nesta vida ou já teria sucumbido às consequências que o seu comportamento poderiam ocasionar? É claro que esta é uma ilação da qual não sairemos com uma resposta que possamos afirmar com convicção.

Quanto ao modo como desposou a referida mulher, este sim, entendemos que não encontra justificativa. O tráfico de pessoas é algo abjeto, que fere a dignidade humana, o que, mesmo na sua condição sócio-econômica, não poderia ser por ele desconhecido.



* Sergio Rodrigues é espírita e colaborador do Espiritismo.Net.