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Ilustrações mostram como comentários maldosos afetam a vida das pessoas


23 de fevereiro de 2015



Ilustrações mostram como comentários maldosos afetam a vida das pessoas



por Vicente Carvalho


Talvez você já tenha passado por isso: durante um dia inteiro, você recebe vários elogios de como está bonito(a) ou bem arrumado(a), mas, 5 minutos antes de acabar seu expediente de trabalho, alguém fala pra você: “Nossa, como você tá... cheinho(a)“. E pronto, é o suficiente para arruinar seu dia e fazer com que todos os elogios anteriores desapareçam e você só lembre do último comentário ruim.

Pois é, as palavras têm poder mesmo. Postamos aqui no Hypeness há alguns dias sobre uma ilustradora mineira que fez vários desenhos com frases lembrando que a mulher é dona do próprio corpo (relembre aqui). O post foi talvez um dos mais debatidos na história do Hypeness (quase 2 mil comentários), o que mostra que ainda existe muita coisa a ser conversada sobre o tema.

Conhecemos então o trabalho de uma outra ilustradora, chamada Katarzyna Babis, radicada na Polônia, que fez algumas representações de situações em que pessoas fazem comentários estúpidos e não fazem ideia do quanto esse comentário afeta a pessoa que é alvo das palavras.

Veja os desenhos, reflita e nos diga se você já escutou algo parecido... ou já falou algo parecido, e entenda por que isso é tão grave. O pessoal do Papo de Homem fez a tradução das ilustrações que você pode ver abaixo.

traducao1

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traducao3

traducao4

traducao5

traducao6

via Papo de Homem.



Notícia publicada no Portal Hypeness, em 29 de julho de 2014.




André Henrique de Siqueira* comenta

Como os comentários maldosos afetam a vida das pessoas!

A linguagem é o reflexo do entendimento do mundo. Cada palavra que aprendemos resolve uma referência para um conteúdo do mundo que compreendemos e assimilamos em nosso arsenal de ideias. Com o domínio da linguagem, criamos as condições necessárias para a expressão de nossos pensamentos e, ao mesmo tempo, construímos os instrumentos necessários para o desenvolvimento do raciocínio com o auxílio da memória.

Rafael Echeverria, em seu texto Ontologia da Linguagem, assevera que a linguagem não é um processo de descrição do mundo, mas de criação dele. Segundo o autor chileno, o homem é um ser linguístico que vive e age através da linguagem.

John Austin, um dos mais importantes estudiosos da linguaguem moderna, assevera que o homem age através da linguagem. Em seu famoso texto How to do thinks with Words (como fazer coisas através das palavras), Austin desenvolveu sua teoria dos atos de fala e caracterizou-os como as ações que exercemos através da linguagem. Para ele podemos agir com a linguagem e através dela.

Ao falar damos conta de nossas percepções do mundo. Cada indivíduo compreende o mundo de acordo com as suas capacidades de observação, de interpretação, compreensão e relacionamento.

O Evangelho recorda que a boca fala o de que está cheio o coração.

Se o nosso entendimento é bondoso, então bondosa é a nossa atitude, bondoso o nosso falar.

O problema da maledicência caracteriza-se pelo ato de falar mal, ou de falar do mal. Há a maledicência falsa, quando se fala inverdades sobre um fato, circunstância ou pessoa. Há também a maledicência verdadeira, quando o que é dito, mesmo não sendo bom, é a descrição correspondente ao que se percebeu sobre as coisas. Mas nem sempre a maledicência, mesmo quando verdadeira, corresponde à realidade. Por vezes descreve apenas a percepção daquele que percebe e comenta, embora não traduza a verdade integral da coisa.

É importante perceber que o comentário infeliz ou maldoso é sempre prejudicial. Quando o indivíduo pretende fazer um comentário sobre o mal do outro ou pelos problemas das circunstâncias da vida, é importante considerar o objetivo de quem fala.

Com a fala podemos apenas descrever as realidade que observamos - e a nossa descrição revela a nossa própria capacidade de observar e entender. Mas também devemos lembrar que agimos através da linguagem. E nossa ação poderá ser boa ou má, consoante os objetivos que estamos almejando.

Comentar o mal sem dar-lhe o devido combate é multiplicar o seu poder de destruição. Ao falar do mal deveremos sempre buscar construir uma alternativa a ele, ou silenciar para que ele não se perpetue.

Quando formos convidados a tecer considerações sobre os problemas ou defeitos, de pessoas ou circunstâncias, busquemos inspecionar a nossa capacidade de auxílio diante da situação. A crítica que busca ferir é arma dolorosa que maltrata e infelicita. A crítica benfazeja é aquela que, mesmo refletindo a verdade, busca oferecer condições para a melhoria geral do objeto criticado.

Ao ouvir uma crítica que nos fere, tenhamos a serenidade de compreender o episódio como oportunidade de reflexão. Busquemos observar se há fundamento e se devemos nos empenhar na melhoria de nós mesmos. Não cultivemos o rancor pelo crítico ou o desassossego da emoção reagindo com auto-piedade, tristeza ou revolta.

Atenção pelo que dizemos. Ninguém tem o direito de usar a verdade como arma contra o próximo. Para falar, é preciso saber sentir. Quem fala dos outros, fala primeiro de si mesmo. Se comentamos o mal, busquemos adicionar alternativas de correção. A palavra dita é sentença sobre nós mesmos, pois revela quem somos, como percebemos o mundo e como agimos dentro dele.

Tenhamos paciência com os que praticam a maledicência. Tenhamos piedade dos que padecem com ela. Tenhamos coragem para cultivar o Bem e a Verdade, agindo com sinceridade e amor, em todas as circunstâncias.



* André Henrique de Siqueira é bacharel em ciência da computação, professor e espírita.