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Cão é abandonado em estação de trem com pertences em mala


25 de fevereiro de 2015



Cão é abandonado em estação de trem com pertences em mala




Uma associação protetora de animais da Escócia está tentando localizar o dono de um cachorro que foi abandonado em uma estação de trem junto com seus pertences em uma mala.

O macho, resultado de cruzamento de shar-pei com outra raça, foi encontrado amarrado a uma grade do lado de fora da estação central de Ayr, no sudoeste da Escócia, na última sexta-feira, 2 de janeiro.

A mala incluía o travesseiro do cachorro, um brinquedo, uma tigela de comida e ração.

A Scottish SPCA localizou o dono anterior do cachorro por meio de um microchip preso ao corpo do animal, mas ele disse que o vendeu em 2013 a outra pessoa, cujos detalhes ainda não são conhecidos.

O inspetor de polícia Stewart Taylor disse: "O cachorro tem um microchip em seu corpo e nós conseguimos descobrir que o nome dele é Kai".

"Nós contatamos o dono registrado do microchip, que declarou que havia vendido Kai no site de classificados online Gumtree em 2013".


'Incidente cruel'

"Infelizmente, eles não têm o endereço da pessoa que comprou Kai".

Taylor afirmou que o caso lança luz sobre os danos potenciais de vender um animal na internet.

O policial afirmou que muitos compradores são pessoas que agem sob impulso e desconhecem as características dos animais que adquirem.

"Independente do fato de que Kai foi deixado com seus pertences, trata-se de um incidente cruel e queremos identificar o responsável por esse delito".

"Se alguém puder nos ajudar, pedimos que entre em contato o mais rápido possível".

"Kai tem de dois a três anos e é um cachorro amável e muito dócil. Nós vamos cuidar dele até acharmos novos donos para ele", disse Taylor.

Na Escócia, abandonar um animal é crime previsto em lei.



Notícia publicada na BBC Brasil, em 6 de janeiro de 2015.




Nara de Campos Coelho* comenta


Ainda resta esperança


Causa-nos emoção a notícia de que um cão foi abandonado numa estação de trem da Escócia. Ele estava amarrado a uma grade e junto dele a mala com seus pertences. Emoção não só pelo abandono em si, mas pelo empenho da Polícia e das pessoas que ficaram sabendo da notícia, em acharem o responsável por tão triste ação.

Também pelo jornal, mas aqui no Brasil, tivemos conhecimento de fato semelhante: um cachorrinho foi abandonado, amarrado a uma árvore de um bucólico bairro classe A no Rio de Janeiro. Aqui, a bondade veio de um morador que “adotou” o bichinho, que agora vive bem, finalmente. Nestes fatos podemos observar a diferença entre os níveis de consciência entre as pessoas e, também entre os povos, cujo caráter, segundo nos alerta Kardec, é resultado da soma das individualidades formadoras daquela sociedade.

Em um país como o nosso, em que crianças são abandonadas aos montes por pais e “responsáveis”, jogadas ao lixo e desrespeitadas por adultos, para não citar espancamentos e crimes mais graves, a violência contra os animais chega a parecer menor, mas não o é! Um erro não justifica o outro. Com o Espiritismo aprendemos a ver a realidade de nossas ações com suas consequências naturais, segundo a Lei de Causa e Efeito, sob a qual todos vivemos, queiramos ou não. Por isto, é falta de senso afirmar: “Todo mundo faz, por que não eu?”

Os animais são filhos de Deus, detentores, ainda, de inteligência fragmentada, diz-nos Chico Xavier em “Lições de Sabedoria”. E em “O Livro dos Espíritos” aprendemos que esta inteligência diz respeito apenas à vida material, entendendo que eles viajam na longa e eterna esteira evolutiva, esperando que os “racionais” os auxiliem no aprendizado que lhes será inestimável, como o é para todos. Eis que nos mundos superiores, onde os homens são mais adiantados, os animais também o são.

Ao comentarmos esta notícia, percebemos um atestado de inferioridade moral que gera ações que nos comprometem. Francisco de Assis já nos dava lições profundas, ao reconhecer como irmãos todas as criações da Natureza. Hoje, séculos depois, ainda não entendemos esta lição. Em “O Livro dos Espíritos”, na questão 604, temos a chance de nos livrar desta ignorância: “(...) Tudo se encadeia na Natureza, por laços que ainda não podeis compreender. Assim, as coisas aparentemente absurdas têm pontos de contato que o homem jamais poderá compreender no seu estado atual. Poderá entrevê-los por um esforço de sua inteligência; mas, somente quando esta inteligência tiver alcançado seu pleno desenvolvimento, e se tiver libertado dos preconceitos, do orgulho e da ignorância, é que poderá ver, claramente, na obra de Deus. Até lá, suas ideias limitadas lhe farão ver as coisas sob um prisma mesquinho e acanhado (...)”

Sentimo-nos envergonhados com este atraso, ainda mais por já saber que temos inteligência moral e inteligência emocional, (na verdade, espiritual), que deveriam ser instrumentos de progresso. No entanto, ainda nos atrelamos a maldades, violência e ingratidões. Felizmente, e por justiça divina, os animais progridem pela força das coisas, não havendo expiação para eles. Resta-nos a confortadora certeza de que podemos progredir individualmente, deixando nossas ações como exemplo, a fim de nos tornarmos uma sociedade mais consciente. Amar é o verbo que Jesus nos concita a exercitar em toda a nossa vida de relação. Amar ao próximo como a nós mesmos e como Jesus nos amou. E isto inclui a Natureza em todas as suas nuances, inclusive os animais, nossos irmãos menores.

Ao refletirmos sobre este comentário, lemos “por coincidência”, nos classificados do jornal “Tribuna de Minas”, daqui de Juiz de Fora: ”Doa-se cãozinho recolhido da rua, com sinais de grandes maus tratos ao ponto de perder uma orelhinha. Agora na Clínica, em término de tratamento, procura alguém que goste muito, possa e queira adotá-lo com todo carinho.”

Ninguém escreve assim, sem amor no coração!

Ainda resta esperança!



* Nara de Campos Coelho, mineira de Juiz de Fora, formada em Direito pela Faculdade de Direito da UFJF, é expositora espírita nos Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, articulista em vários jornais, revistas e sites de diversas regiões do país.