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Paquistanês mata seus 5 filhos para adquirir 'poderes mágicos'


28 de janeiro de 2015



Paquistanês mata seus 5 filhos para adquirir 'poderes mágicos'



AFP


Um adepto paquistanês da "magia negra" matou por estrangulamento seus cinco filhos por achar que o sacrifício concederia a ele "poderes mágicos", informou a polícia local.

Ali Nawaz Leghari, de 40 anos, matou suas duas filhas e três filhos, com idades variando entre 3 e 13 anos, na madrugada desta sexta-feira na localidade de Saeed Jan, norte de Karachi.

"Leghari aprendia magia negra e resolveu fazer este sacrifício para aumentar seus poderes", declarou o porta-voz da polícia local.

Segundo a fonte, o assassino realizou uma "odisseia espiritual" de 40 dias chamada "Chilla" e prescrita por um religioso local, com quem estudava alquimia.

O homem, agora foragido, tentou em um primeiro momento envenenar sua família durante o jantar, mas sua mulher o impediu após uma violenta discussão.

A esposa e o filho mais velho decidiram passar a noite na casa de parentes, deixando os outros filhos com o pai.

"Ele os estrangulou um a um e depois levou os corpos para o quintal", contou o policial.



Notícia publicada no Yahoo! Notícias, em 9 de janeiro de 2015.




Jorge Hessen* comenta

Há poucos meses, em São Paulo, um jovem de 19 anos foi morto por sua própria mãe, possivelmente, por força de um ritual de “magia negra”. Quando foi presa, estava em crise psicótica (loucura? ou “possessão”?); falava sobre demônios e assuntos satânicos, e seis policiais foram necessários para dominar aquela senhora que pertencia a comunidades religiosas não convencionais da internet que adotam o sacrifício humano. Conforme investigação policial, ela teria dito que o filho tinha que ser morto por um "bem maior" (...!?...) O fato nos conduziu ao capítulo 9 versículo 16 do livro Atos dos Apóstolos, onde lemos o seguinte: "E o homem que estava possesso do espírito mau pulou sobre eles com tanta violência, que tiveram de fugir daquela casa, sem roupas e cobertos de ferimentos."(1)

Historicamente, quando o homem era, fisicamente, parecido com os primatas, suas manifestações de religiosidade eram as mais bizarras, até que, transcorridos os anos, no mistério dos séculos, surgem os primeiros organizadores do pensamento religioso que, de acordo com a mentalidade geral, não conseguiram escapar das concepções de ferocidade, que caracterizavam aqueles seres egressos do egoísmo animalesco da irracionalidade. O homem foi levado a crer que os sacrifícios humanos poderiam agradar a Deus, primeiramente, por não compreenderem Deus como sendo a fonte da bondade. Os povos primitivos e politeístas adoravam os deuses através de oferendas, cultos, rituais que, geralmente, comportavam sacrifícios de animais ou de seres humanos.

Como nos esclarece a questão 669, de O Livro dos Espíritos, "nos povos primitivos, a matéria sobrepuja o espírito; eles se entregam aos instintos do animal selvagem. Por isso é que, em geral, são cruéis; é que neles o senso moral ainda não se acha desenvolvido. Em segundo lugar, é natural que os homens primitivos acreditassem ter uma criatura animada muito mais valor, aos olhos de Deus, do que um corpo material. Foi isto que os levou a imolarem, primeiramente animais e, mais tarde, homens."(2) De conformidade com a falsa crença que possuíam, pensavam que o valor do sacrifício era proporcional à importância da vítima.

O espírita convicto não acredita no poder irrestrito das forças dos espíritos maus nos pactos de “magia negra” com os mesmos. Há, no entanto, encarnados perversos, no limite da loucura, que simpatizam com os espíritos inferiores (violentíssimos) e solicitam que eles pratiquem o mal, ficando, então, obrigados a servi-los, porque estes, também, precisam da "recompensa" pelo empenho no mal. Nisso, apenas, é que consiste o tal pacto. Em O Livro dos Espíritos, os Benfeitores elucidam: "Por exemplo - queres atormentar o teu vizinho e não sabes como fazê-lo; chamas então os Espíritos inferiores que, como tu, só querem o mal; e para te ajudar querem também que os sirva com seus maus desígnios. Mas disso não se segue que o teu vizinho não possa se livrar deles, por uma conjuração contrária ou pela sua própria vontade."(3)

Nos sinistros casos analisados acima, podemos inferir sobre um processo de subjugação profunda, lembrando, porém, que a “possessão” é sempre temporária e intermitente, porque um desencarnado não pode tomar, definitivamente, o lugar de um encarnado. A rigor, o tema "magia negra" ainda não foi estudado de forma abundante pelos pesquisadores espíritas. Há pessoas que não acreditam na possibilidade da existência dos conjuros (“trabalhos feitos”), como é às vezes conhecida a “magia negra”. No entanto, um estudo cuidadoso do tema em O Livro dos Espíritos, e na Revista Espírita, comprova que essas manobras mediúnicas, com a finalidade de prejudicar o próximo, são perfeitamente possíveis. Como citamos acima, na questão 549, Kardec inquire: Há alguma coisa de verdadeiro nos pactos com os maus Espíritos? Na resposta, os Benfeitores demonstram, de maneira categórica, que é possível uma criatura evocar maus Espíritos para ajudá-la a causar mal a outra pessoa. A resposta esclarece, ainda, que esse ato pode ser realizado por uma sequência de procedimentos conhecidos como conjuração (conluio com as trevas).

Nas práticas de “magia negra” os apetrechos materiais e os rituais são utilizados para fortalecer a má intenção nos maus propósitos projetados àqueles contra os quais se deseja prejudicar. A interferência espiritual é de Espíritos inferiores, que se identificam com seres encarnados, também, de qualidades morais inferiores, desejosos por afligir, enfermar ou até matar o próximo ou, ainda, ver realizados os interesses de ordem material. Se as criaturas visadas estiverem sintonizadas em faixas de equivalência vibratória, não tenhamos dúvidas de que serão atingidas por elas.

O Espiritismo analisa a gênese do fenômeno da “possessão” como uma faculdade mediúnica desgovernada e trata esse tipo de manifestação através do diálogo com o Espírito subjugador, buscando compreender suas razões para esclarecê-lo e libertá-lo da sua própria ignorância e confusão mental. É bem verdade que os bons Espíritos nos resguardam destes malefícios, mas não esqueçamos que urge termos mérito para tal assistência.


Referências bibliográficas:

(1) Atos 19:16;

(2) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 1999, questão 669;

(3) Idem, questão 549.



* Jorge Hessen é natural do Rio de Janeiro, nascido em 18/08/1951. Servidor público federal aposentado do INMETRO. Licenciado em Estudos Sociais e Bacharel em História. Escritor (dois livros publicados), Jornalista e Articulista com vários artigos publicados.