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Casal abandona bebê com Síndrome de Down gerado por barriga de aluguel


12 de janeiro de 2015



Casal australiano abandona bebê com Síndrome de Down gerado por barriga de aluguel, mas leva a irmã gêmea



Extra


Um bebê com Síndrome de Down foi abandonado pelos pais biológicos após o nascimento por causa de sua condição. A criança nasceu de uma “barriga de aluguel” e tem uma irmã gêmea, que foi levada pelo casal australiano. A tailandesa Pattharamon Janbua, de 21 anos, foi quem gerou o pequeno Gammy e quem tem cuidado dele após o caso. O menino, atualmente com seis meses, também tem uma doença cardíaca congênita.

Mãe de outras duas crianças, Pattharamon queria quitar dívidas pessoais. Sem dinheiro, aceitou ser barriga de aluguel do casal australiano que não podia ter filhos. Por meio de uma agência em Bangkok, ela recebeu cerca de R$ 30 mil para gerar a criança. Depois da fertilização, Pattharamon descobriu que esperava gêmeos. E um exame pré-natal constatou que o menino que ela gerava tinha Síndrome de Dowm. Ao descobrir a condição da criança, o casal - que Pattharamon nunca conheceu - decidiu adotar apenas a menina.

A mulher afirmou ao site "Sydney Morning Herald", da Austrália, que o casal chegou a pedir que ela abortasse, mas ela ficou com medo. Agora, a jovem enfrenta dificuldades financeiras para cuidar de Gammy. A família vive no vilarejo de Chonburi, no norte do país asiático.

“Não acho que seja um karma ruim. É um bom karma, que nos fez ficar juntos. Mas quero dizer às mulheres tailandesas: não entrem nesse negócio de barriga de aluguel. Não pensem só no dinheiro. Se alguma coisa der errado, ninguém vai te ajudar e o bebê vai ser abandonado pela sociedade e nós temos que lidar com a responsabilidade disso”, declarou a mulher.

Através de uma ONG tailandesa, a família de Pattharamon lançou uma campanha na internet para arrecadar fundos para tratar Gammy. Até agora, mais de 80 mil dólares foram arrecadados (cerca de 160 mil reais).

Um doador anônimo australiano condenou a atitude do casal: “Deixar um gêmeo para trás? Como se fosse um boneco que você compra em uma loja. Vocês pegaram só o bebê que queriam e jogaram fora o que não queriam. Eles vão contar para a menina que ela tinha um irmão: ‘olha, a gente decidiu deixar ele para trás e nunca lhe demos suporte, nem financeiro’”.

O caso gerou uma polêmica sobre barrigas de aluguel na Tailândia. Um representante do Ministério da Sáude local afirmou que o pagamento para contratação de uma mãe de aluguel é ilegal, e que só são válidos “acordos altruístas” entre uma mulher que queira gerar a criança e um casal que comprovadamente não possa ter filhos.



Notícia publicada no Jornal Extra, em 1º de agosto de 2015.




Cristiano Carvalho Assis* comenta

Como gostaríamos de escrever que a notícia reportada se trata de um caso raro ou excepcional. No entanto, o que mais nos envergonha é que ele ocorre aos milhares em todo o mundo retratando a realidade atual de nossa humanidade.

Não estamos aqui para julgar o casal australiano, pois somos Espíritos imortais e se não fizemos algo semelhante nesta vida, podemos ter feito coisas piores num passado distante. Sem dúvida que o casal errou ao deixar a criança doente para trás, mas, antes de julgarmos, busquemos analisar os erros e não quem errou, para que com isso possamos retirar algum aprendizado dessa situação.

Será que já somos capazes de não ficar apenas julgando os outros ou não ficar nos enganando em nos exaltar como seres perfeitos por não termos feito um ato assim? Compreendamos que a base de pensamentos e atitudes que moveram este casal ou a mãe da criança pode ser a mesma que nos move.

No livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, lemos:
"Cada época é marcada, assim, com o cunho da virtude
ou do vício que a tem de salvar ou perder. A virtude da vossa geração é a
atividade intelectual; seu vício é a indiferença moral."
(destaque nosso.) A correria do dia-a-dia, o cansaço físico e intelectual nos faz sermos cada vez mais indiferentes aos que nos rodeiam e a nós mesmos. Com isso, estamos desenvolvendo um grau cada vez maior de materialismo buscando "soluções" práticas e rápidas para nossos problemas diários.

Ao nos distanciarmos mais de nossa Espiritualização, menos ouviremos nossas consciências e mais agiremos com base na atividade intelectual indiferente. Casos como esse e dos muitos outros similares são tratados com secura no coração e uma lógica matemática que traz paz imediata em nossa vida, mas desespero para os outros.

A mãe fala sobre Karma, nós espíritas falamos de ação e reação. Sabemos bem que não temos acaso nas dores dos pais que não puderam ter filhos, na mãe que passa necessidade e na relação entre eles. A reencarnação os fez reencontrarem-se por alguma razão, buscando conseguir resgatar erros de um passado distante.

No entanto, caso não voltem atrás em suas resoluções, repetirão os erros de outras vidas. Os pais buscaram o mesmo que podem ter feito em um passado distante, a busca do aborto. Não conseguindo ultrapassar os mesmos desafios encontrados outrora, resolveram pelo caminho mais fácil: ficar com o bebê sem doença. Mas sabemos que a Lei Divina e uma consciência mais desperta irão cobrar novos reparos.

Enquanto não nos sentirmos Espíritos imortais com responsabilidades que excedem o material, continuaremos a ver casos desta natureza em nossos noticiários ou se não tomarmos cuidado, poderemos ser nós mesmos os causadores. "Orai e Vigiai!" Este é o conselho do nosso Mestre Jesus. Meditemos em nossas atitudes impensadas que poderão trazer uma paz momentânea, nos livrando de trabalhos e sofrimentos no presente. No entanto trarão um futuro de muitas angústias e vidas de reparação.



* Cristiano Carvalho Assis é formado em Odontologia. Nasceu em Brasília/DF e reside atualmente em São Luís/MA. Na área espírita, é trabalhador do Centro Espírita Maranhense e colaborador do Serviço de Atendimento Fraterno do Espiritismo.net.