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Restaurante não cobra conta de pobres e fatura US$ 2 milhões


2 de janeiro de 2015



Restaurante não cobra conta de pobres e fatura US$ 2 milhões




Dignidade é uma fantasia muito distante para os famintos.

Por isso um empresário iluminado teve a feliz ideia de abrir um restaurante que não cobra a conta das pessoas que não podem pagar.

Solidariedade atrai solidariedade e hoje a casa recebe US$ 2 milhões em donativos por ano.

O restaurante chama-se Masbia Soup Kitchen Network e fica em Nova York, EUA.

No primeiro dia, do primeiro restaurante, em 2005, ele serviu apenas 8 refeições.

Meses depois eram 100 pratos servidos.

Hoje, 9 anos depois, a boa iniciativa virou uma grande ideia.

O restaurante, que não cobra conta, já atende de 500 a 1.000 pessoas por dia, e cresceu: a marca está em 3 endereços diferentes de NY.


Diferença

É um restaurante aparentemente igual aos outros, com mesas, cadeiras, cortinas, lustres... as únicas diferenças são que as pessoas que comem com copos, talheres e pratos de plástico.

A comida é a mais fresca e natural possível.

Eles servem uma carne, ou frango, legumes, e uma sopinha quentinha, que os clientes parecem adorar, no vídeo abaixo.

Alexander Rapaport, co-fundador dos chamados "restaurants without the cash register” - traduzindo: "restaurantes sem caixa registradora”, pretende criar um calor nos seus centros, que ajuda os necessitados além da comida.

E não são apenas sem-teto. Qualquer pessoas que esteja sem dinheiro, por algum motivo, também pode ir lá pra receber seu prato de comida gratis.


Doações

A ideia é tão bem vinda na cidade que, além dos milhões de dólares que recebe por ano em doações, o restaurante conta com a simpatia e a ajuda de vários voluntários, com centenas de horas de trabalho doadas a quem necessita.

O Masbia faz as pessoas mais pobres se sentirem respeitadas, dignas.

Elas saem de lá com estômago cheio e um sorriso no rosto.

Veja a história e como tudo funciona na reportagem abaixo (em inglês):

 



Com informações do GoodNet.

Matéria sugerida por Karen Gekker



Notícia publicada no Portal Só Notícia Boa, em 27 de janeiro de 2014.





Claudio Conti* comenta

A reportagem em análise é extremamente importante por servir de instrumento de aprendizado para o movimento espírita no que se denomina de “caridade”, além de demonstrar que a “salvação” não reside no meio espírita, mas na caridade em si.

Desta forma, salientamos, primeiramente, que o idealizador do programa de fornecimento de refeições, segundo apresentado no vídeo da reportagem, se veste como judeu. Assim, fica demonstrado o ensinamento que se encontra n’O Evangelho Segundo o Espiritismo (Cap. VX) que diz: “Fora da caridade não há salvação”. Temos, portanto, que o importante é o que move o indivíduo no exercício de auxílio ao próximo.

Desta forma, consideremos duas pessoas, uma materialista, mas que pratica a caridade no real significado da palavra, e um religioso, mas que suas práticas de auxílio são movidas por interesses pessoais, mesmo que seja a busca da “salvação”. Tem-se que, baseado no ensinamento apresentado no parágrafo anterior, que o materialista estaria em melhores condições do que o religioso. Isso não representa nada mais nem nada menos do que a Parábola do Bom Samaritano.

Isto nos remete à uma grave questão: as práticas assistencialistas em muitas casas espíritas.

Precisamos urgentemente nos questionar se o uso das cadernetas de frequência, onde é registrado a presença em palestras espíritas, vinculadas ao recebimento do auxílio é realmente uma expressão de caridade conforme apregoado n’O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Será que estamos realmente falando em caridade quando submetemos aqueles que necessitam de algum tipo de auxílio, mesmo os tão básicos quanto alimentos, a adesão a uma crença que não necessariamente seja aquela que professam? Muitas vezes se veem forçados a conduzir seus filhos aos conceitos espíritas para que recebam apoio escolar, por exemplo.

A caridade em sua expressão maior não deve requerer qualquer tipo de retorno. A partir do momento em que algo é dado ou feito em troca, não podemos mais considerar que seja caridade. No caso em questão, podemos estar ferindo uma essência básica do indivíduo: o seu direito à crença que professa; estaríamos violando este direito ao submetê-los à nossa vontade de convertê-los, utilizando, para isso, suas carências.

Para a nossa reflexão, termino este comentário com a seguinte colocação encontrada n’O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap.XIII – Não Saiba a Vossa Mão Esquerda o que Dê a Vossa Mão Direita, item 3:

“A beneficência praticada sem ostentação tem duplo mérito. Além de ser caridade material, é caridade moral, visto que resguarda a suscetibilidade do beneficiado, faz-lhe aceitar o benefício, sem que seu amor-próprio se ressinta e salvaguardando-lhe a dignidade de homem, porquanto aceitar um serviço é coisa bem diversa de receber uma esmola. Ora, converter em esmola o serviço, pela maneira de prestá-lo, é humilhar o que o recebe, e, em humilhar a outrem, há sempre orgulho e maldade. A verdadeira caridade, ao contrário, é delicada e engenhosa no dissimular o benefício, no evitar até as simples aparências capazes de melindrar, dado que todo atrito moral aumenta o sofrimento que se origina da necessidade.”



* Claudio Conti é graduado em Química, mestre e doutor em Engenharia
Nuclear e integra o quadro de profissionais do Instituto de
Radioproteção e Dosimetria - CNEN. Na área espírita, participa como
instrutor em cursos sobre as obras básicas, mediunidade e correlação
entre ciência e Espiritismo, é conferencista em palestras e seminários,
além de ser médium pscógrafo e psicifônico (principalmente). Detalhes no
site www.ccconti.com.