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Restaurante temático mostra ‘explosão’ do cérebro ao usar droga


1º de dezembro de 2014



Restaurante temático 'I Love Cocaine' mostra 'explosão' do cérebro ao usar droga




Um restaurante "antidrogas" é a nova atração da pequena Montichiari, norte da Itália.

A escolha não foi por acaso. A cidade, de 25 mil habitantes, é recordista italiana no consumo de cocaína, com 14 doses diárias a cada mil habitantes, segundo recente pesquisa oficial do Ministério da Saúde italiano - superando Milão, com 9,1 doses, em 2009.

A decoração do estabelecimento, chamado de I Love Cocaine (Amo Cocaína, em tradução livre), se inspira nos danos provocados pela droga ao cérebro humano.

Em vez de mesas tradicionais, uma única e longa bancada sinuosa representa a sinapse, a atividade cerebral dos neurônios.

Monitores nas paredes não transmitem programação de emissoras de TV, mas sim depoimentos de ex-viciados em drogas.

E em uma parede de 8 metros quadrados flutua a "projeção" das mentes dos frequentadores. Ao entrar no restaurante, cada um pode personalizar a própria imagem do cérebro em duas dimensões, fotografá-la com um tablet e projetá-la em 3D.

Quando um frequentador se aproxima do enorme monitor, fotocélulas sensíveis ao movimento provocam a "fuga" dos cérebros flutuantes, que vibram, tremem, param e escapam.

A experiência ainda simula a reação dos neurônios ao uso da cocaína. Quando o usuário passa a mão sobre algumas fileiras de farinha branca dispostas numa bandeja no final da parede, o sistema eletrônico é acionado e uma "chuva virtual" de cocaína invade o monitor.

Em seguida, o cérebro do usuário entra numa espécie de curto-circuito e implode na tela.


Ousadia

"Não sabemos se não virá ninguém ou se (o restaurante) vai lotar. É difícil administrar um espaço assim, com esta proposta", reconhece o designer do ambiente, Ermanno Preti, à BBC Brasil.

O proprietário do restaurante, o empresário Mino Dal Dosso, também diz ter se sentido, a príncípio, inseguro com o projeto e com o nome do restaurante. "Depois abracei o projeto, que passa uma importante mensagem ética e social, num lugar público."

Pela manhã, o lugar abrirá as portas para encontros com estudantes das escolas vizinhas para debater o uso de drogas, com palestras de pesquisadores e estudiosos sobre o tema. Depois dos alunos, entrarão os comensais para uma experiência gastronômica.

O I Love Cocaine custou quase 2 milhões de euros (R$ 60 milhões) - um investimento raro em tempos de crise econômica na Itália - e tem um cardápio tradicional, com massas, carnes e verduras.

"Abri um restaurante um mês antes do começo da crise de 2008. Temos hoje 40 empregados e dobramos o faturamento. Honestamente, não acredito na crise, acho que existe uma crise, sim, de valores, uma crise da falta de vontade dos empresários de arriscar", argumenta o dono.

"Achamos que este conceito ético e social (do restaurante) pode funcionar em outros países. Registramos a marca e estamos procurando novos mercados."



Notícia publicada na BBC Brasil, em 11 de novembro de 2014.




Jorge Hessen* comenta

Enquanto há esse nobre e inusitado exemplo na Itália, aqui pelo Brasil surgem os arautos da legalização das drogas. Talvez aí estejamos diante de um complexo dilema: o que seria resolver o problema das drogas? Consentir o consumo? Autorizar a compra e venda só de maconha? Permitir o consumo de outros entorpecentes? Ou a solução é erradicar as drogas do planeta? Como fazê-lo? Será possível uma sociedade livre das drogas? Sempre haverá pessoas interessadas no uso de substâncias que alteram a consciência?

No Brasil, há um inquietante movimento para a liberalização do uso de substância extraída da maconha, apoiado no argumento de que o canabidiol (CBD) seja uma substância terapêutica que não altera os sentidos e não provoca dependência. No entanto, o psiquiatra José Alexandre Crippa, da Universidade de São Paulo, um dos maiores estudiosos do Brasil de canabinóides, alerta que a extração do CBD nunca vem pura; contém sempre alguma quantidade de Tetra-hidrocanabinol (THC), o composto que provoca as alterações dos sentidos, e aí está o perigo.

Mais de 20 países já autorizam o comércio de remédios à base de canabidiol, incluindo alguns estados americanos, Inglaterra, Israel e Uruguai. O Brasil está fora dessa lista, porém importar já é possível, embora a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) imponha várias exigências ao laudo médico, entre elas a comprovação de que o paciente pode morrer sem administração do medicamento canabidiol. O Conselho Regional de Medicina de São Paulo autoriza a prescrição de CBD apenas para crianças com algumas doenças específicas.

Cremos que mais importante que discutir a descriminalização de drogas é a urgência de debater a assistência ao contingente assombroso de dependentes químicos que se encontram categoricamente desassistidos pelo Estado. Obviamente as regras que se aplicam às drogas ilegais deveriam ser aplicadas às bebidas alcoólicas (catastrófica droga legalizada) que deveria ser criminalizada no mundo com urgência. Acredita-se que se a maconha for tão acessível para o viciado quanto os alcoólicos, é presumível que desaqueça a bestialidade provinda do tráfico. Porém, não nos enganemos, o consumo alargará, aumentando o número de moléstias e mortes ocasionadas pelo uso permanente de outras drogas.

Sob o ponto de vista espírita, compreendemos que todos os tipos de vícios dão campo a ameaçadores micro-organismos psíquicos no domínio da alma. Transgressões violentas, como uso de drogas (sobretudo bebidas alcoólicas), rompem o revestimento magnético que possuímos e as consequências são a devastação da saúde física e até a morte, às vezes precedidas da loucura. “Paralelamente aos micróbios alojados no corpo físico há bacilos de natureza psíquica, quais larvas portadoras de vigoroso magnetismo animal. Essas larvas constituem alimento habitual dos espíritos desencarnados [obsessores] e fixados nas sensações animalizadas. A indiferença à Lei Divina determina sintonia entre encarnado e desencarnado viciados, este [obsessor] agarrando-se àquele [obsedado], sugando a grande energia magnética da infeliz fauna microbiana mental que hospeda, em processo semelhante às ervas daninhas nos galhos das árvores a sugar-lhes substância vital."(1)

Como se não bastasse, ainda há as chamadas “drogas digitais sonoras” (e-drugs) que estão invadindo a rede mundial de computadores e se proliferam rapidamente nas redes sociais. Criada nos Estados Unidos, a "droga" em referência não é de beber, fumar, cheirar ou injetar, mas de ouvir: sim, (pasmem!) OUVIR!!! São “pílulas” sonoras digitais, que com simples batidas combinadas obrigam o cérebro a tentar equilibrá-las. Daí surgiria o "barato". É uma ação neurológica que consiste na emissão de sons diferentes em cada ouvido (zumbidos, mesmo!), que supostamente estimulam o cérebro a produzir sensações de “euforia”, “estados de transe” ou de “relaxamento”. Tais drogas digitais invadiram a França nos últimos anos e, por enquanto, seus efeitos são desconhecidos.(2)

Ante às leis humanas, não propomos aqui que o vício, especificamente o que escolhemos analisar, seja um problema de criminalidade, mas sim um problema de desequilíbrio íntimo, diante das leis da vida. E isto não apenas no terreno em que o vício é mais claramente examinado. Sobre outros tantos vícios que carregamos, como o de reclamar de tudo e de todos, Chico Xavier, com muito bom humor, explica que “se falamos demasiadamente, estamos viciados no verbalismo excessivo e infrutífero. Se bebemos café excessivamente, estamos destruindo também as possibilidades do nosso corpo nos servir.”(3)

O vício em si mesmo é toda dependência química ou psíquica geradora de solicitudes insustentáveis, capazes de levar o viciado a repetir incessantemente a ação que sacia, temporariamente, essa “aflição”. Em regra, decorre de uma ação repetitiva, que nem sempre proporciona prazer imediato, mas que ao longo do tempo torna-se objeto de necessidade exacerbada, inconveniente e prejudicial ao indivíduo. Quando ponderamos a palavra vício, podemos também citar os corrompidos pelo álcool, cigarro, dinheiro, comida e recordamos ainda os dependentes psíquicos que estão entranhados no vício do sexo aviltante (aqueles que buscam o “barato” na pornografia através da tecnologia, mormente através da internet).

O homem deve valorizar a “drágea” do afeto, o “comprimido” do carinho, a “e-drug” da compreensão, a “gota” de renúncia, o “chá” do amor em família, a “injeção” da caridade, a “internet” da benevolência,  por serem os mais eficazes remédios na cura das patologias espirituais que devastam moralmente todo projeto de vida do ser humano.


Notas e referências bibliográficas:

(1) Xavier, Francisco Cândido. Missionários da Luz, ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1945;

(2) Disponível em http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/e-drugs-o-novo-fenomeno-da-internet-invadem-a-franca>, acessado em 12/11/2014;

(3) Conforme "O Espírita Mineiro", número 179, julho/agosto/setembro de 1979. Publicado no livro CHICO XAVIER - MANDATO DE AMOR, Editado em abril/1993 pela União Espírita Mineira - Belo Horizonte, Minas Gerais.



* Jorge Hessen é natural do Rio de Janeiro, nascido em 18/08/1951. Servidor público federal aposentado do INMETRO. Licenciado em Estudos Sociais e Bacharel em História. Escritor (dois livros publicados), Jornalista e Articulista com vários artigos publicados.