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Namorados descobrem ter nascido no mesmo ano, mês, dia e até hora

8 de outubro de 2014



Namorados descobrem ter nascido no mesmo ano, mês, dia e até hora



Amanda e Danilo não acreditavam em certidões de nascimento; veja. Ambos acreditam que seu amor estava escrito nas estrelas.


Natália Clementin
G1 Rio Preto e Araçatuba


Eis um dilema pelo qual passam todos os casais: será que encontrei minha outra metade? Os apaixonados vivem procurando sinais de que foram feitos um para o outro e firmar a ideia do “juntos por toda vida”. Para a coordenadora de projeto social Amanda Priscila Oliveira da Silva e o coach Danilo Olgado Ferraz de Camargo, casal de São José do Rio Preto (SP), esta procura se transformou em “susto”. Ao consultarem suas certidões de nascimento descobriram que, além de terem nascido no mesmo dia, mês e ano – 5 de maio de 1989 – eles ainda nasceram no mesmo horário - às 11h15 -, ela em São Paulo e ele, em Votuporanga (SP). Coincidência que serviu para uní-los ainda mais.


O casal se conheceu através de uma rede social. Foram semanas de paquera até o primeiro beijo e mais meses para iniciar um namoro. “Engraçado que, como eu não tinha muito assunto, mas queria falar com ele, puxei pelo fato de que fazíamos aniversário no mesmo dia. Depois que começamos a namorar, minha mãe brincou “só faltava vocês terem nascido na mesma hora”. Quando vimos as certidões, quase não acreditamos”, conta Amanda.


Danilo, que nunca foi romântico, passou a acreditar no destino. “Nunca liguei para namorar, nunca nem acreditava no amor. Quase um cético do relacionamento. Quando vi todos esses detalhes, e vi o quanto amava a Amanda, eu cedi. Hoje acredito que nossos destinos foram traçados na maternidade. Estava escrito nas estrelas”, diz Danilo.


Amanda é espírita e já buscou explicações para o que ela acredita ter acontecido. “Ouvimos alguém dizer que quando uma alma evolui o suficiente, ela se divide em dois e se tornam completas juntas. Sabemos que o verdadeiro amor desafia as leis da vida e hoje acreditamos que se se trata da continuidade de um amor vivido em vidas passadas”, acredita Amanda.


Os amigos acham a coincidência muito engraçada e poucos acreditam. "Depois que descobrimos contamos para alguns amigos. Nós precisamos mostrar as certidões senão ninguém acreditava. É muito engraçado, todo mundo fica de boca aberta. Achamos bem legal essa reação", comenta Danilo.


Agora, o casal se prepara para oficializar o noivado e tem planos para o futuro juntos. Quando questionados sobre se, não tivessem tantas coincidências na hora dos nascimento, a credulidade seria a mesma, Amanda dispara. “Claro que sim. Isso foi apenas um detalhe para questionarmos nosso encontro. Não nos amamos mais depois de descobrir isso. Não é só pelas datas e horário, mas pelas inúmeras sintonias que encontramos ao longo do caminho”, finaliza Amanda.


Notícia publicada no Portal G1, em 11 de junho de 2014.



Paula Mendlowicz* comenta


Segundo o mito da alma gêmea, criado por Platão, no início os homens eram seres completos, com duas cabeças, quatro pernas e quatro braços. Por se sentirem muito bem desenvolvidos, decidiram enfrentar os deuses para destroná-los e ocupar seus lugares. Entretanto, os deuses venceram a batalha e Zeus resolveu castigar os homens, dividindo-os ao meio. Assim, assumindo a forma que possuímos hoje, os homens saíram a procurar sua outra metade, sem a qual não viveriam, tendo que conviver com o sentimento de que algo lhes faltava.


E assim vivemos muitos de nós, à procura da alma gêmea ou cara metade, na ânsia de preencher o vazio que nos acompanha ou de encontrar a tão almejada felicidade.


Somos seres gregários precisando do convívio com o outro para crescer, aprender e evoluir. Esse convívio pode se dar através das relações de amizade, familiares e/ou profissionais.


A ambição de encontrar a alma gêmea é a vontade de poder partilhar com o ser amado a felicidade, a harmonia e a paz, tendo a certeza de que o outro nos completa. No entanto, por mais afinidades que possamos ter, um relacionamento precisa ser construído e alimentado diariamente com muito amor, renúncia, paciência, tolerância, etc...


Em O Livro dos Espíritos, Kardec aborda este assunto: Em que sentido se deve entender a palavra metade, de que alguns Espíritos se servem para designar os Espíritos simpáticos? “A expressão é inexata. Se um Espírito fosse a metade de outro, separados os dois, estariam ambos incompletos.” (Questão 299.)


E para complementar, podemos aprofundar lendo a questão 301: Dois Espíritos simpáticos são complemento um do outro, ou a simpatia entre eles existente é resultado de identidade perfeita? “A simpatia que atrai um Espírito para outro resulta da perfeita concordância de seus pendores e instintos. Se um tivesse que completar o outro, perderia a sua individualidade.”


Quando encontramos alguém que possui os mesmos gostos, as mesmas aspirações e vontades que nós, pensamos logo ter encontrado nossa cara metade ou alma gêmea e imaginamos que durará para sempre. Contudo, para que qualquer relacionamento dê certo, é necessário que haja persistência dos envolvidos em superar todos os obstáculos que surgem diariamente.


Como vivemos em um mundo de expiações e provas, não existe relacionamento perfeito, pois não somos perfeitos ainda. Mesmo que a “conjunção astral” pareça ajudar e mesmo que haja um reencontro de almas que já viveram juntas em outras encarnações, sabemos que encarnamos neste planeta e nos unimos ao outro para aprender a vencer nosso orgulho e egoísmo, aparando arestas e fazendo reajustamentos.


É o que nos mostra a questão 300 em O Livro dos Espíritos: Se dois Espíritos perfeitamente simpáticos se reunirem, estarão unidos para todo o sempre, ou poderão separar-se e unir-se a outros Espíritos? “Todos os Espíritos estão reciprocamente unidos. Falo dos que atingiram a perfeição. Nas esferas inferiores, desde que um Espírito se eleva, já não simpatiza, como dantes, com os que lhe ficaram abaixo.”


Assim, tenhamos em mente que é preciso muito amor, respeito, diálogo e perdão sempre. Que possamos refletir: “Amar, no sentido profundo do termo, é o homem ser leal, probo, consciencioso, para fazer aos outros o que queira que estes lhe façam.” (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XI - A lei de Amor, Item 8.)



Referências bibliográficas:


Livros:


- O Livro dos Espíritos;


- O Evangelho segundo o Espiritismo.


Internet:


- Mito da Alma gêmea: http://www.brasilescola.com/filosofia/mito-alma-gemea.htm.


* Paula Mendlowicz é carioca e formada em ciências biológicas pela UERJ. É espírita e colaboradora do Espiritismo.net.