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Miss renuncia ao título depois de pedir execução de manifestantes

2 de setembro de 2014



Miss renuncia ao título depois de pedir execução de manifestantes



A tailandesa Weluree Ditsayabut não aguentou repercussão negativa e desistiu de representar o país no Miss Universo


A jovem Weluree Ditsayabut, de 22 anos, renunciou ao título de Miss Tailândia nesta segunda-feira por causa da repercussão negativa a uma postagem sua no Facebook em que defendia a execução de manifestantes favoráveis ao antigo governo da Tailândia, derrubado por um golpe militar no mês passado.


Weluree foi coroada em 17 de maio, poucos dias antes do golpe. Logo depois da conquista, que lhe dava a chance de representar o país no concurso Miss Universo, vieram à tona comentários feitos alguns meses antes em redes sociais. "Estou com tanta raiva de todos esses ativistas maldosos. Eles deveriam ser todos executados", dizia um post da jovem no Facebook, sobre os partidários da ex-primeira-ministra Yingluck Shinawatra, conhecidos como Camisas Vermelhas.


As afirmações de Weluree causaram indignação nas redes. E a indignação acabou se misturando a comentários maldosos sobre suas formas: para alguns, Weluree está acima do peso, crítica que provocou respostas raivosas da miss.


Nesta segunda-feira, Weluree admitiu a jornalistas que não estava conseguindo lidar com as críticas. "Eu me senti sob pressão. Tentei melhorar a mim mesma, mas não consigo ver minha mãe estressada", disse Weluree, que chorou ao anunciar sua decisão. "Decidi sacrificar meu status de Miss Universo Tailândia."


(Com agência Reuters)


Matéria publicada na Revista Veja, em 9 de junho de 2014.



Nara de Campos Coelho* comenta


Chega a impressionar a decisão tomada pela miss Tailândia, Weluree Ditsayabut: Eleita para concorrer ao título de Miss Universo, renunciou a este direito por não suportar a pressão popular em torno das palavras que proferira antes da sua conquista, quando confessou estar com raiva devido às declarações dos manifestantes e achando que eles deveriam ser executados.


Impressiona, sobretudo, porque não é comum vermos assumir a responsabilidade pelo que foi dito quando ainda se perder algo com essa atitude. A mídia nos mostra, a todos os momentos, que a mentira tem um papel de destaque em discursos, entrevistas e depoimentos e que a palavra tem sido menosprezada, especialmente no Ocidente. Por incrível que nos pareça, em países ditos “religiosos” o valor da palavra é quase nulo. Foi-se o tempo dos contratos firmados e executados, unicamente, sob a palavra dos contratantes. No Brasil, tal hábito é típico e notório, envergonhando-nos ante o resto do mundo. Eis que a mentira grassa em nossa contemporaneidade, enlameando a sociedade e os projetos de evolução de todo um povo. A mentira se faz presente, cheia de empáfia e com a maior desenvoltura! As farsas se sucedem, dia a dia! Não podemos acreditar mais em palavras. Um exemplo muito comum: a papelada exigida para qualquer movimentação de negócios é tão absurda que temos que provar até que estamos vivos, que somos nós mesmos a fazer a transação, gerando uma burocracia perversa, mãe de muitos setores da corrupção e da estagnação que nos assola o país. Os políticos, então, com honrosas exceções, mentem tanto que não sabemos se choramos ou se rimos!


E é o Brasil considerado um dos países mais “cristãos” do mundo! Com o Espiritismo, aprendemos que a palavra tem peso, atraindo para quem as pronuncia a responsabilidade pelas consequências que elas provocarão. Uma vez pronunciadas, não há como recolhê-las. E elas seguirão seu curso, impulsionadas pelo pensamento, via fluido cósmico universal, atingindo de chofre o endereço certo. Se forem boas, úteis, generosas, caridosas, espalharão o bem de que se revestem e que retornará a quem as pronunciou, felicitando-o. Se forem negativas, perversas, caluniadoras e que tais, o mesmo acontecerá, espargindo o mal. Eis o porquê do alerta de Jesus quando nos disse: ”Seja seu falar sim, sim; não, não!” Ou seja, segurança e responsabilidade no que dizemos. E o Apóstolo Paulo aconselhou-nos a ter uma linguagem sempre sã e irrepreensível para que o adversário se envergonhe e não tenha mal algum a dizer de nós.


A propósito deste assunto, Emmanuel, na psicografia do Chico, nos diz, em Fonte Viva, mais ou menos assim: A palavra é o canal do “eu”. Pela válvula da língua, nossas paixões explodem ou nossas virtudes se estendem. Cada vez que emitimos para fora de nós o vocabulário que nos é próprio, também emitimos forças que destroem ou edificam, que solapam ou restauram, que ferem ou balsamizam.


Assim, diante destas reflexões a que o Espiritismo nos conduz, entendemos o porquê da atitude da miss tailandesa. Ela não aguentou o “peso” das próprias e infelizes palavras. E, preferiu colher logo o que plantou. Pelo menos, na sociedade em que vive, ainda existe a possibilidade das pessoas se sentirem envergonhadas por tais erros. Daí ela ter preferido o caminho da responsabilidade por suas palavras insanas. Enquanto isto, no Brasil, muitos dos brasileiros que conhecemos estão perdendo suas melhores oportunidades de melhoria, entendimento e elevação, pelo mau uso da palavra, embora Jesus nos tenha alertado que o que nos faz mal é o que nos sai da boca.


Pensemos nisto.


* Nara de Campos Coelho, mineira de Juiz de Fora, formada em Direito pela Faculdade de Direito da UFJF, é expositora espírita nos Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, articulista em vários jornais, revistas e sites de diversas regiões do país.