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Após 70 anos casados, homem e mulher morrem com 15 horas de diferença

21 de agosto de 2014



Após 70 anos casados, homem e mulher morrem com 15 horas de diferença



POR CHICO FELITTI


Partiu junto um casal que, segundo conhecidos, tomava café da manhã de mãos dadas pelos 70 anos que durou seu casamento.


Helen Felumlee tinha 92 anos quando partiu, na noite de sexta, 11 de abril. Seu marido, Kenneth Felumlee, deu o último suspiro na manhã de sábado, 12.


Os oitos filhos do casal disseram à imprensa americana que seus pais eram inseparáveis.


“Não se desgrudaram desde que se conheceram, ainda adolescentes. Eles até preferiram dividir a parte de baixo de um beliche, uma vez que foram viajar e os colocaram em cabines separadas do navio”, conta a filha Susan Felumlee.


“Nós sabíamos que, quando um fosse, o outro iria junto”, disse outra filha, Linda. Ela conta que, assim que os médicos contaram que Helen havia morrido, Kenneth falou para os filhos: “A mamãe morreu.” Ele se prostrou na cama e, dizem os filhos, começou a ir embora aos poucos.


“Ele estava pronto”, diz um deles, Cody. “Ele só não queria deixá-la aqui sozinha.”


“Éramos 24 das pessoas que mais o amavam ao redor do seu leito, lendo suas escrituras prediletas e cantando hinos religiosos”, diz Susan.


O casal se conheceu na cidade americana de Newport, em 1944. Kenneth, que estava a quatro dias de completar 21 anos, ainda não podia se casar pelas leis de então do Estado. “Mas ele não podia esperar”, conta o filho Jim. Então os dois pegaram um trem e foram para um Estado vizinho, onde a idade legal era de 19 anos e puderam dizer sim.


O hábito de viajar nunca desacelerou: depois que todos os filhos estavam criados, o casal Felumlee conheceu todos os 50 Estados americanos de ônibus (menos o Alasca e o Havaí, para os quais tiveram de tomar um avião).


“Ele não gostava de voar porque dizia que do avião você não vê a terra passando, então não tinha a sensação de jornada”, explica o filho Jim.


E o filho termina: “Foi por isso que ele esperou minha mãe ir, porque queria ver a jornada antes de ir ao encontro dela”.


Notícia publicada no Jornal Folha de S.Paulo, em 25 de maio de 2014.



Nara de Campos Coelho* comenta


Juntos na viagem final


Um  lindo caso de amor, que consegue fechar com chave de ouro a vida dos protagonistas na Terra, é ingrediente para filmes e novelas, dado sua comovente  originalidade. Eis que o casal de americanos, Helen e Keneth Felumlee, ficaram casados por 70 anos, em vida harmoniosa e feliz. Entretanto, assim como para todos, felizes ou infelizes, chegou o momento de Helen retornar à Pátria Espiritual. Surpreendentemente, porém, quinze horas depois, foi a vez do seu marido... Os filhos afirmaram que ele “já estava pronto”, e não foi antes para não deixá-la sozinha! Lindo e revelador.


Revelador, porque exemplificou um acontecimento que comprova os postulados espíritas: o que afirma ser a morte um fato programado nas esferas espirituais mais elevadas. Lindo, porque sustenta-se no amor, aquele sonhado por muitos e realizado por poucos.


Com o Espiritismo, aprendemos que a morte, a que o espírita chama de desencarnação, é um momento sagrado da vida do homem, pois é marcada no Mundo Espiritual antes do seu nascimento na Terra. Faz parte do programa de cada ser encarnado. Diz André Luiz, porém, que grande parte das pessoas não é “completista”, ou seja, não completa o tempo que lhe foi aprazado na Terra, porque tem uma vida desregrada e antecipa a própria desencarnação, o que é considerado como “suicídio indireto”. Mas, para quem é “completista”, ou seja, aquele que desencarna na hora aprazada, tudo, em geral, obedece a um roteiro feito no Mundo Espiritual. Até os acidentes o são. Na literatura espírita, temos o relato de acidentes fatais, mortes em combates, em desastres naturais, em que as comissões de espera, formadas por Espíritos trabalhadores, entes queridos, etc, estão prontas para socorrer os Espíritos que se desprendem do corpo, teoricamente, de forma abrupta e inesperada. Dissemos “em geral” porque existem os casos de “moratória”, que significa um “tempo a mais” para aquele que doa a sua vida ao bem, sendo muito útil e necessário onde se encontra. São casos raros a serem estudados mais detidamente.


Voltando ao casal Helen e Keneth, temos ali duas possibilidades: a de que a desencarnação de ambos, com poucas horas de diferença, foi programada, ou conquistaram uma moratória, pois Helen conseguiu passar este longo tempo sem “perdê-lo”... Estamos fazendo uma conjectura que nos é permitida pelas informações que recebemos do Espiritismo. Mas cada caso é um caso e quem somos nós para penetrar nas divinas decisões?! O que não nos pode escapar ao raciocínio é que, como não existem almas gêmeas, os dois são Espíritos afins, que mereceram uma vida conjugal feliz. E pela forma com que viveram, agiram, criaram a família, foram beneficiados pela Lei de Causa e Efeito que lhes deu a colheita dos frutos benéficos que, certamente, vieram plantando ao longo de muitas reencarnações. Pensemos nisto!


* Nara de Campos Coelho, mineira de Juiz de Fora, formada em Direito pela Faculdade de Direito da UFJF, é expositora espírita nos Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, articulista em vários jornais, revistas e sites de diversas regiões do país.