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Da casinha na roça ao TST: doméstica aposta nos estudos e vira ministra

11 de agosto de 2014



Da casinha na roça ao TST: doméstica aposta nos estudos e vira ministra



Conheça a trajetória da menina que saiu da Zona Rural de Goiás, virou mulher, enfrentou discriminação e hoje se orgulha dos sonhos conquistados.


Até poder andar com confiança pelos corredores do Tribunal Superior do Trabalho, uma mulher reinventou um destino que já parecia traçado. “A gente espera que o pai e a mãe ofereçam recurso. Como eu entendi desde pequenininha que a situação era uma situação muito difícil eu assumi para mim a responsabilidade de oferecer uma vida melhor para eles”, conta.


Ela nasceu em Goiás, na Zona Rural do pequeno município de Pontalina. Filha de família numerosa. Nove irmãos, todos com nomes iniciados pela letra D. “Delaíde, Deíde, Devaídes, Delsonídes, Darcy, Devani, Denise, Davi e Débora”, enumera a irmã.


Foi batizada Delaíde. Cresceu no campo. A menina esperta era feliz, mas queria bem mais que a vidinha simples do interior.


“Meu objetivo era ser advogada e advogar grandes causas”, conta a ministra Delaíde.


E ela se lembra bem como surgiu essa ideia. Na cidadezinha natal havia poucas opções de lazer. E o tribunal do júri era a atração preferida do povo.



Ministra se preparou por 30 anos para ocupar cargo atual


Com muita luta, o sonho de menina foi se concretizando. Até chegar ao topo da carreira de advogada trabalhista. “Eu publiquei dois livros, fui professora universitária. Eu me preparei durante esses 30 anos para ocupar esse espaço que eu ocupo hoje”, conta Delaíde.


Ministra do Tribunal Superior do Trabalho. São apenas cinco mulheres em um total de 26 ministros. Uma conquista e tanto.


“Foi nove de dezembro de 2010 e foi uma emoção muito grande. Na hora me passou um filme pela minha cabeça. De tudo o que eu já tinha vivido, da minha trajetória, dos meus pais que já estão de idade e ficam muito felizes”, lembra a ministra.


As dificuldades eram muitas. Ela apostou tudo na educação. A ministra nos leva até um velho amigo que conheceu na sala de aula.


José Nunes, professor aposentado: Era uma menina muito simples mas muito inteligente e muito boazinha.


Globo Repórter: Além de tudo bonita, né?


José Nunes: Bonita. E ela não é muito novinha não, viu? Ela já tem lá seus 60.


Ministra Delaíde: 61.


José Nunes: Ainda bonita, viu?


Globo Repórter: O senhor também não precisa entregar tudo.



Família tinha dificuldades para pagar os estudos


O professor conta que, como Delaíde, havia muitos alunos capazes de fazer uma bonita carreira. Mas fazer o ginásio - hoje parte do Ensino Fundamental - não era para todos. O curso só era dado na cidade e as famílias pobres não tinham como arcar com as despesas. O pai de Delaíde também não.


“Até choramos, porque não íamos mais estudar. Mas aí depois de uma negociação com o nosso pai, ele voltou atrás, nós viemos, conseguimos ingressar no ginásio e prosseguimos”, conta Deíde Alves Miranda, irmão de Delaíde.



Delaíde teve que aprender a lidar com a discriminação


Desistir é um verbo que não existe no vocabulário dessa família. Com o apoio de Dona Maria, foi morar sozinha em Goiânia. Sem dinheiro, trabalhou como empregada doméstica. Primeiro em uma casa de família. Depois no pensionato onde morava. Afinal, era o que ela sabia fazer. “Arrumar a casa, lavar, passar, cozinhar”, conta Delaíde. Foi também recepcionista e secretária, até se formar em Direito. Nessa escalada aprendeu também a lidar com o preconceito.


“Eu observava que era discriminada naturalmente, não era nada assim tão assintoso. E da mesma forma eu pensava: vou precisar superar isso, né?”, conta a ministra Delaíde.


Uma vez por mês a ministra fecha o gabinete em Brasília e vem passar o fim de semana aqui em Pontalina. E aqui ela volta a ser apenas a filha mais velha do seu Waldivino e da Dona Maria.



Importância da persistência e do foco


“A persistência é muito importante. E importante também é o foco. Às vezes as pessoas me perguntam: mas com um história dessa você não deve ter tido infância, você não deve ter brincado, não deve ter namorado... eu fiz tudo isso”, conta a ministra Delaíde.


“Eu não me consideraria uma pessoa de sucesso se eu não conseguisse conciliar a minha carreira profissional com a minha família”, completa a ministra.


“Eu tenho o objetivo de ser uma ministra cada dia mais dedicada e que eu possa colocar no judiciário o meu tijolinho, para que o judiciário se torne cada vez mais célere para atender ao desejo da sociedade de que é que o processo ande bem rápido”, finaliza Delaíde.


Notícia publicada na página do Globo Repórter, em 16 de maio de 2014.



Paula Mendlowicz* comenta


Nas suas pregações Jesus utilizava-se de parábolas, como recurso pedagógico para ilustrar seus ensinamentos. Seria uma maneira de fomentar a curiosidade dos ouvintes e levá-los à reflexão. Dentre muitas parábolas destacamos a parábola dos Talentos:


Um senhor muito rígido e exigente, ao fazer uma viagem, conclama três servos e entrega-lhes seus bens, de acordo com a capacidade de cada um. Com o primeiro servo ele deixa cinco talentos, com o segundo, dois talentos e com o terceiro, deixa apenas um talento. O primeiro servo, sabendo do caráter do seu senhor, tratou de multiplicar os talentos, ganhando mais cinco talentos. O segundo servo faz a mesma coisa, ganhando mais dois talentos. No entanto, o terceiro servo, que tinha recebido apenas um, preocupado com a reação do senhor, caso ele não obtivesse sucesso, tratou de enterrar o que recebeu. Ao retornar e chamar seus servos para a prestação de contas descobre que tanto o primeiro quanto o segundo servos haviam multiplicado os talentos, mas o terceiro havia enterrado o talento, anulando-o. O senhor então bendiz aqueles dois que tinham multiplicado os seus talentos e lamenta aquele que nada fez.


Mas o que podemos aprender com esta parábola?


Podemos considerar o senhor da parábola como sendo Deus, os servos somos nós e os talentos representam os infinitos recursos divinos, providos por Deus para nosso progresso.


Ao reencarnar, recebemos os talentos que necessitamos para o nosso desenvolvimento. Alguns recebem o talento da fala, outros o talento da escrita. Muitos exibem o talento para contar histórias, para cozinhar, administrar ou organizar. Podemos também destacar o talento da humildade, da fé, da coragem, da compaixão e da perseverança. Enfim, são inúmeros os talentos, mas o que faremos com os talentos ou dons que recebemos é escolha nossa.


Podemos enfrentar as vicissitudes da vida, seguindo em frente, multiplicando os talentos, e até adquirindo novos, ou podemos enterrar o que já possuímos, usando como desculpa as dificuldades da vida. O que fazemos ou deixamos de fazer é escolha nossa, afinal de contas, possuímos o livre-arbítrio. No entanto, sabemos que, em algum momento, o senhor nos chamará e teremos de prestar contas pelo que fizemos ou deixamos de fazer.


Muitos de nós entregam-se à ociosidade dizendo ter medo de sofrer, medo de se desapontar, de sofrer incompreensão. Outros se dizem desfavorecidos pelo destino, não podendo fazer nada, transformando-se pouco a pouco em exemplos de inutilidade.


Lembremo-nos também que o trabalho é uma necessidade e é Lei da Natureza. Em O Livro dos Espíritos podemos ver na questão 676: Por que o trabalho se impõe ao homem? “Por ser uma consequência da sua natureza corpórea. É expiação e, ao mesmo tempo, meio de aperfeiçoamento da sua inteligência. Sem o trabalho, o homem permaneceria sempre na infância, quanto à inteligência. Por isso é que seu alimento, sua segurança e seu bem-estar dependem do seu trabalho e da sua atividade. Ao extremamente fraco de corpo outorgou Deus a inteligência, em compensação. Mas é sempre um trabalho.”


A Ministra Delaíde nasceu em uma família numerosa e desprovida de bens materiais, mas soube utilizar os talentos que recebeu de Deus ao longo de sua trajetória. Mostrou-nos que com muito trabalho, estudo, coragem e perseverança, podemos seguir nossos sonhos e avançar, mesmo diante das dificuldades apresentadas pela vida.


Que possamos lembrar-nos desse exemplo encorajador e não nos tornemos servos do orgulho, do egoísmo ou da preguiça. Que possamos fazer bom uso dos talentos que recebemos, lembrando que a vida é bênção de Deus, oportunidade de crescimento e passagem para a felicidade real e eterna.


“Se recebeste, pois, mais rude tarefa no mundo, não te atemorizes à frente dos outros e faze dela o teu caminho de progresso e renovação. Por mais sombria seja a estrada a que foste conduzido pelas circunstâncias, enriquece-a com a luz do teu esforço no bem, porque o medo não serviu como justificativa aceitável no acerto de contas entre o servo e o Senhor.” (Livro Fonte Viva, mensagem 132, psicografia de Francisco Cândido Xavier, espírito Emmanuel.)



Bibliografia



Internet:


- http://bvespirita.com/Par%C3%A1bolas%20e%20Ensinos%20de%20Jesus%20(Cairbar%20Schutel).pdf.



Livros:


- Fonte Viva, psicografia de Francisco Cândido Xavier, espírito Emmanuel;


- O Livro dos Espíritos – Allan Kardec.


* Paula Mendlowicz é carioca e formada em ciências biológicas pela UERJ. É espírita e colaboradora do Espiritismo.net.