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Mãe de vítima salva iraniano da forca à beira de execução

20 de julho de 2014



Mãe de vítima salva iraniano da forca à beira de execução



O filho da mulher teria aparecido em um de seus sonhos e pedido que a família não se vingasse


Um homem foi salvo da forca pela mãe do rapaz que assassinou segundos antes de ser executado no Irã, de acordo com o Daily Mail. Balal já estava com os olhos vendados quando a mãe da vítima, Abdollah Hosseinzadeh Jnr, surpreendeu a todos e retirou a corda de seu pescoço.


De acordo com o pai da vítima, sua esposa mudou de ideia após ver o filho morto em um sonho. "Há três dias, minha esposa viu meu filho mais velho em um sonho e ele dizia que estava em um lugar bom e que não era para ela se vingar. Isso acalmou a minha esposa, e então decidimos pensar mais até o dia da execução", contou  Abdolghani Hosseinzadeh.


O casal já havia perdido outro filho, de 11 anos, em um acidente de moto, de acordo com o Guardian.


Balal foi sentenciado à morte por matar Abdollah Hosseinzadeh Jnr, de 18 anos, à facadas, durante uma briga de rua, na cidade iraniana de Royan, em 2007. De acordo com o pai da vítima, o rapaz não tinha a intenção de matar Abdollah: "Balal não sabia como manejar uma faca, ele foi ingênuo".


De acordo com a lei islâmica (Sharia), os familiares de vítimas são autorizados a participar de execuções. Eles têm o direito de se posicionar em relação à pena de morte, mas não em relação à prisão do acusado.


Não foi confirmado se Balal será libertado.


Notícia publicada no Portal Terra, em 17 de abril de 2014.



Sergio Rodrigues* comenta


A notícia comentada pode ser um exemplo e uma prova do acerto do ensinamento espírita em relação aos sonhos. Ensinam os Espíritos que enquanto o corpo físico permanece adormecido os laços que o ligam ao espírito são afrouxados e este se libera, parcial e temporariamente, passando a vivenciar a vida espiritual. O sonho é a lembrança do que o espírito viu durante esta saída do corpo. É produto deste estado de emancipação, que torna o espírito mais independente, devido a suspensão da vida ativa e de relação. No entanto, Kardec explica que nem tudo que o espírito vê e cuja lembrança é manifestada através do sonho corresponde ao que de fato ocorreu durante a sua emancipação. Essas lembranças podem expressar tão somente preocupações com as questões da vida material ou mesmo terem causa em problemas físicos, como, por exemplo, causados por excessos na alimentação, pois, mesmo durante o sono, o espírito permanece sob a influência do corpo, ainda que em menor grau. Estas preocupações da vida de relação podem dar ao sonho a aparência do que se deseja ou do que se teme. É o efeito da imaginação, pois, sempre que algo nos preocupa, tendemos a ver em tudo ligação com essa preocupação, conforme afirma Kardec.


No caso noticiado, embora não se possa afirmar, é muito provável que o sonho vivenciado pela mãe da vítima cujo assassino seria executado tenha sido, de fato, uma recordação de um encontro vivido por ela com o filho, no mundo espiritual. Nesse encontro, o filho lhe teria solicitado que intercedesse para evitar a consumação da pena extrema imposta ao assassino, pois, segundo manifestou à sua mãe, encontrava-se numa situação confortável no mundo espiritual e não desajaria que a vingança fosse consumada. Como a legislação daquele país permite que os familiares da vítima intercedam na execução da sentença, a mãe da vítima optou por livrar o assassino da condenação máxima. É uma demonstração da influência dos espíritos em nossas vidas, ajudando-nos em decisões importantes na nossa existência.


Cumpre observar, ainda, a evolução desse espírito, que, ao invés de alimentar o desejo de vingança, que muitas das vezes até leva à instalação de um processo obsessivo, manifestou um sentimento de compreensão, que pode até ser interpretado como perdão. Embora tudo indique que não seja cristão, portou-se como tal. Na questão 748 de O Livro dos Espíritos, os Espíritos ensinam que só a necessidade pode justificar atentar-se contra a vida de um agressor. Ainda assim, desde que não haja outro modo de o fazer. No caso da pena de morte, o que se pretende é eliminar da sociedade um membro considerado perigoso. Os Espíritos ensinam, todavia, que há outros meios de ele se preservar do perigo, que não matando, pelo que a pena de morte não se justifica.


A pena de morte é criação da época dos primórdios humanidade. Com o progresso social, contudo, a sua aplicação foi sendo paulatinamente abolida pelos povos, que a restringiram a poucos tipos de crimes. Os povos que ainda a adotam, com o progresso, entenderão que o assassínio de seu semelhante, ainda que em nome da justiça, representa um ato bárbaro e que há outros meios de se preservar a sociedade. O que em uma época parece normal, em outra, em que os povos se encontrem mais adiantados, parecerá bárbaro, pois somente as leis divinas são perfeitas e eternas. As humanas continuarão mudando com o progresso, até se encontrarem de acordo com aquelas. A pena de morte contraria as leis divinas, pois impede ao criminoso condenado, ainda nesta existência, o direito ao arrependimento, primeiro passo para a sua transformação, objetivo maior da reencarnação.


O Espiritismo, revivendo o ensinamento do Cristo, reprova expressamente a prática da pena de morte, conforme os Espíritos responderam a Allan Kardec, na questão 760 do Livro dos Espíritos:


"A pena de morte desaparecerá incontestavelmente e sua supressão assinalará um progresso da Humanidade. Quando os homens forem mais esclarecidos, a pena de morte será completamente abolida da Terra. Não mais precisarão os homens serem julgados pelos homens. Refiro-me a uma época ainda muito distante de vós."


* Sergio Rodrigues é espírita e colaborador do Espiritismo.Net.