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Centros espíritas atendem mais que grandes hospitais

9 de abril de 2014



Centros espíritas atendem mais que grandes hospitais



Com informações da Agência USP de Notícias


Um levantamento realizado em 55 centros espíritas da cidade de São Paulo aponta que, juntos, os atendimentos espirituais chegam a cerca de 15 mil por semana (60 mil ao mês).


"Este número é muito superior ao atendimento mensal de hospitais como a Santa Casa, que atende cerca de 30 mil pessoas, ou do Hospital das Clínicas, com cerca de 20 mil atendimentos", destaca o médico psiquiatra Homero Pinto Vallada Filho, professor do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP.


A média relatada de atendimentos semanais em cada instituição foi de 261 pessoas.


"Sabemos, por meio de vários estudos, que a abordagem do tema religiosidade ou espiritualidade exerce um efeito bastante positivo na saúde de muitos pacientes. Por isso, podemos considerar a terapia complementar religiosa ou espiritual como uma aliada dos serviços de saúde", revela, lembrando que, geralmente, o paciente não tem o hábito de falar sobre suas crenças religiosas e muito menos de contar que realiza tratamentos espirituais em centros espíritas.


Vallada Filho foi o orientador do estudo, que foi realizado pela médica Alessandra Lamas Granero Lucchetti.



Cirurgias espirituais


A ideia foi mostrar a dimensão do trabalho realizado pelos centros espíritas, o grande número de atendimentos prestados e os diferentes serviços oferecidos.


Observou-se também que apenas uma pequena minoria dessas instituições realiza cirurgias espirituais, sendo todas sem cortes.


Em seu trabalho, a pesquisadora descreve passo a passo uma terapia complementar espiritual para pacientes com depressão realizada na Federação Espírita do Estado de São Paulo.


Alessandra realizou um levantamento inicial de todos os centros espíritas da capital paulista que possuíam site na internet contendo endereço de contato. A médica chegou ao número de 504 instituições.



Kardecistas


Neste levantamento, foram pesquisados apenas centros espíritas "kardecistas", que seguem as ideias do pedagogo francês Hippolyte Leon Denizad Rivail, mais conhecido pelo pseudônimo de Allan Kardec - uma espécie de ortodoxia do espiritismo.


Entre os resultados, foi observado que a maioria são centros já estabelecidos e que têm mais de 25 anos de existência, sendo o mais velho funcionando há 94 anos e o mais jovem com 2 anos.


Em quase todos, os usuários são orientados a continuar com o tratamento médico convencional, caso estejam fazendo algum, ou mesmo com as medicações indicadas pelos médicos.


Os principais motivos para a procura pelo centro foram os problemas de saúde: depressão (45,1%), câncer (43,1%) e doenças em geral (33,3%). Também foram relatados dependência química, abuso de substâncias, problemas de relacionamento. Entre os tratamentos realizados, a prática mais presente foi a desobsessão (92,7%) e a menos frequente foi a cirurgia espiritual, (5,5%), sendo todas sem uso de cortes.



Mediunidade


Quanto à diferenciação entre experiência espiritual e doença mental, realizada com base em nove critérios propostos pelos pesquisadores Alexander Moreira Almeida e Adair de Menezes Júnior, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a média de acertos foi de 12,4 entre 18 acertos possíveis. Apenas quatro entrevistados (8,3%) tiveram 100% de acertos.


Entre esses critérios, estão a integridade do psiquismo; o fato de a mediunidade não trazer prejuízos em nenhuma área da vida; a existência da autocrítica; e a mediunidade sendo vivenciada dentro de uma religião e cultura específicos, entre outros.


"Esse levantamento procurou descrever as atividades realizadas nos centros espíritas e salientar não só a grande importância social desempenhada por eles, mas também a grande contribuição ao sistema de saúde como coadjuvante na promoção de saúde, algo que a grande maioria das pessoas desconhece", finaliza.


Notícia publicada no Diário da Saúde, em 11 de março de 2014.



Jorge Hessen* comenta


Homero Pinto Vallada Filho, professor do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, garante que, sob o ponto de vista social, a terapia complementar religiosa (ou espiritual) é uma aliada importante dos serviços de saúde. Recentemente Homero orientou a pesquisa concretizada pela médica Alessandra Lamas Granero Lucchetti, objetivando mostrar a dimensão do trabalho realizado pelos centros espíritas, o grande número de atendimentos prestados e os diferentes serviços oferecidos.


Lamas Granero obteve fazer um levantamento inicial de 504 centros espíritas da capital paulista que possuíam site na internet contendo endereço de contato. Notou que os principais motivos para a procura pelo centro espírita foram os problemas de saúde, mormente vinculados à depressão (45,1%), ao câncer (43,1%) e doenças em geral (33,3%). Também foram constatados relatos de dependência química, abuso de substâncias, problemas de relacionamento.


Aspecto que destacamos na pesquisa da médica é que nos tratamentos realizados, a prática mais presente foi a desobsessão (92,7%) e a menos frequente (graças a Deus!!!...) foi a cirurgia espiritual e mesmo nessas cirurgias não havia os agressivos cortes (5,5%) - ótimo!... Outra coisa alvissareira que constatamos no estudo de Alessandra, em quase todos os centros os pacientes são orientados a continuar com o tratamento médico convencional, caso estejam fazendo algum, ou mesmo com as medicações indicadas pelos médicos. Parece que os espiritas estão realmente mais conscientes.


Confirma-se assim o que estamos indicando em  diversos artigos publicados sobre a temática, o Centro Espírita não pode e nem deve ser um complexo hospitalar, entronizando métodos de cura física para os doentes que o procuram, entretanto deve priorizar a educação da alma em que se destaca a terapêutica da informação da Doutrina Espírita, considerando a terapia do espírito, a fim de que os doentes (espirituais) possam curar suas próprias moléstias (físicas).


O Centro Espírita é um pronto-socorro aos necessitados de amparo e esclarecimento, seja através da evangelização, das orações, dos tratamentos espirituais, ou seja, pelas orientações morais e materiais. A Casa Espírita oferece as bênçãos do passe, que sabemos ser um método tradicionalmente eficaz para transmissão de fluidos magnéticos e espirituais em favor daqueles que se encontram - moral e fisicamente - descompensados, fortalecendo-lhes o corpo físico e o tecido espiritual (períspírito).


Portanto, é contraproducente  transformar o centro espírita em hospitalzão, a fim de atender todas as enfermidades físicas; isso é uma alienação, é perder o foco da prática espírita. Mas não há contradição uma atividade de atendimento a enfermos portadores de problemas espirituais. Pode-se aplicar-lhes passes magnéticos, ofertar-lhe a água magnetizada (se for o caso), mas a tarefa fundamental do Centro Espírita é clarear e despertar a consciência daqueles que o procuram.


É bem verdade que a pesquisa de Lamas Granero descreve as atividades realizadas nos centros espíritas e salienta não só a importância social desempenhada por eles, mas também a contribuição ao sistema de saúde como coadjuvante na promoção de saúde, algo que a grande maioria dos acadêmicos desconhece.


Reenfatizamos mil vezes que o Centro Espírita não tem por escopo principal a cura dos corpos perecíveis, fica bem nítido o equívoco em que incorrem os companheiros que, inadvertidamente, ou empolgados excessivamente, prometem curas milagrosas (para patologias que a medicina humana não cura). Todas as terapias para tratamento físicos são secundaríssimas, até porque tratam de efeitos, considerando a percepção que os enfermos têm da vida e sua maneira de viver. Para que as superficiais terapias (físicas) tenham efeito duradouro é preciso que os doentes busquem a transformação moral, pois a enfermidade é sempre um reflexo da alma, revelando que algo não vai bem na história comportamental do doente.


Uma casa espírita orientada pelos cânones de Allan Kardec prioriza o esclarecimento ao doente, informando-lhe que somente mudando a atitude equivocada que ocasiona a enfermidade é que possibilita a cura. Quando não há uma transformação moral verdadeira, a recuperação física será temporária, pois as doenças têm suas causas nos desequilíbrios morais. É exatamente assim a vida, colhemos o que semeamos seja desta atual encarnação seja das vidas anteriores.


Por fim, diante de todos os males e quaisquer doenças, a casa espírita deve orientar os doentes à mudança de comportamento, centrando os pensamentos e os ideais em Jesus, pois o remédio da enfermidade é e sempre será a prática do Evangelho.


* Jorge Hessen é natural do Rio de Janeiro, nascido em 18/08/1951. Servidor público federal aposentado do INMETRO. Licenciado em Estudos Sociais e Bacharel em História. Escritor (dois livros publicados), Jornalista e Articulista com vários artigos publicados.