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'Trauma' pode ser transmitido entre gerações, sugere estudo

18 de fevereiro de 2014



'Trauma' pode ser transmitido entre gerações, sugere estudo


James Gallagher
Repórter de Ciência e Saúde da BBC News


Um estudo feito por cientistas americanos aponta que o comportamento humano pode ser afetado por episódios vivenciados por gerações passadas por meio de uma espécie de memória genética.


As pesquisas mostraram que um evento traumático pode afetar o DNA no esperma e alterar os cérebros e o comportamento das gerações futuras.


O estudo, publicado na revista científica Nature Neuroscience, indica que camundongos treinados para se esquivar de um determinado tipo de odor passaram essa aversão a seus 'netos'.


Especialistas dizem que os resultados são importantes para as pesquisas sobre fobia e ansiedade.


Os animais foram treinados para temer um cheiro similar ao da flor de cerejeira.


A equipe, composta por cientistas da Emory University School of Medicine, nos Estados Unidos, averiguou, então, o que estava acontecendo dentro do espermatozoide dos camundongos.


Os cientistas constataram que o trecho do DNA responsável pela sensibilidade à essência da flor de cerejeira estava mais ativo na célula reprodutiva masculina.


Tanto a prole dos camundongos quanto os descendentes destes demonstraram hipersensibilidade à flor de laranjeira e se esquivaram dela, mesmo que não tenham passado pela mesma experiência.


Os pesquisadores também identificaram mudanças na estrutura dos cérebros desses animais.


"As experiências vivenciadas pelos pais, mesmo antes da reprodução, influenciaram fortemente tanto a estrutura quanto a função no sistema nervoso das gerações subsequentes", concluiu o relatório.



Assuntos familiares


As descobertas oferecem evidência de uma "herança epigenética transgeracional", ou seja, de que o ambiente pode afetar os genes de um indivíduo, que podem então ser transmitidos a seus herdeiros.


Um dos pesquisadores, Brian Dias, afirmou à BBC que tal característica "pode ser um mecanismo pelo qual os descendentes mostram marcas de seus antecessores".


"Não há dúvida de que o que acontece com o espermatozóide e o óvulo pode afetar as gerações futuras".


O professor Marcus Pembrey, da Universidade College London, afirmou que as descobertas são "altamente relevantes para as fobias, ansiedade e desordens de estresse pós-traumático" e fornecem "fortes evidências" de que uma forma de memória pode ser transmitida entre gerações.


Diz ele: "A saúde publica precisa urgentemente levar em conta as respostas transgeracionais humanas".


"Acredito que não entenderemos o aumento nas desordens neuropsiquiátricas ou a obesidade, diabetes e as perturbações metabólicas sem esse tipo de abordagem multigeracional".


Notícia publicada na BBC Brasil, em 2 de dezembro de 2013.



Claudio Conti* comenta


Esta questão, quando analisada sob a luz do Espiritismo, requer cuidados de avaliação. Apesar de, obviamente, não termos a pretensão de apresentar uma resposta definitiva e precisa, podemos, ao menos, analisar o resultado da pesquisa considerando a pluralidade das existências.


Ao final do texto, segundo a notícia em análise, o professor Marcus Pembrey diz: "Acredito que não entenderemos o aumento nas desordens neuropsiquiátricas ou a obesidade, diabetes e as perturbações metabólicas sem esse tipo de abordagem multigeracional". De nossa parte, devemos dizer que acreditamos que não entenderemos as questões listadas na afirmativa do professor sem a abordagem multiencarnatória.


Desta forma, podemos dizer que as descobertas, enquanto relacionadas com os animais, estaria em conformidade com os ensinamento espíritas, pois, como apresentado n'O Livro dos Espíritos, questão 602, em que diz que os animais progridem pela força das coisas, podemos, então supor, que a informação decorrente do aprendizado necessário para a preservação da espécie, ou grupamento específico, necessita ser transmitida para as gerações subsequentes.


Questão 602. Os animais progridem, como o homem, por ato da própria vontade, ou pela força das coisas?
“Pela força das coisas, razão por que não estão sujeitos à expiação.”


Todavia, quando aplicamos a teoria relacionada com o resultado do estudo apresentado para o espírito encarnado na espécie humana, a abordagem deve ser bem mais complexa, pois teremos que considerar a pluralidade das existências.


Nesta análise reencarnacionista, as experiência de outras encarnações se fazem presentes em todas as encarnações, pois fazem parte do acervo psíquico do espírito que as vivência.


Carl G. Jung, psiquiatra suíço que estudou profundamente a psique humana, postulou a existência de um inconsciente coletivo, acervo psíquico decorrente das experiências de toda a humanidade, que permaneceria disponível para todos. Joanna de Ângelis, em seu livro Triunfo Pessoal, diz que este inconsciente coletivo não seria "coletivo", mas o acervo psíquico decorrente das outras encarnações.


Assim sendo, as experiências que o espírito vivencia na presente encarnação seriam devido às suas necessidades como ser imortal na senda do progresso evolutivo. As tendências, traumas, dificuldades e facilidades corresponderiam ao seu acervo psíquico.


Obviamente que não podemos esquecer das leis da genética que, muitas já comprovadamente estabelecidas, servem de material base no processo encarnatório em que cada espírito nasce na família com as possibilidades genéticas que necessita para seu crescimento.


Precisamos, então, considerar que, independentemente da genética, é o espírito que necessita de tratamento para suas mazelas, cujo tratamento deve ser realizado através da sua transformação pessoal. As curas das enfermidades e o término das dificuldades são apenas consequências desta transformação.


* Claudio Conti é graduado em Química, mestre e doutor em Engenharia Nuclear e integra o quadro de profissionais do Instituto de Radioproteção e Dosimetria - CNEN. Na área espírita, participa como instrutor em cursos sobre as obras básicas, mediunidade e correlação entre ciência e Espiritismo, é conferencista em palestras e seminários, além de ser médium pscógrafo e psicifônico (principalmente). Detalhes no site www.ccconti.com.