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Lei britânica permite checar ficha policial de namorado

16 de fevereiro de 2014



Lei britânica permite checar ficha policial de namorado



Autoridades britânicas vão implementar uma lei que permite que as mulheres consultem a ficha policial de seus namorados.


A ideia tem funcionado desde 2012 como projeto piloto nas regiões de Manchester, Wiltshire, Nottinghamshire e Gwent, mas agora será estendida para toda a Inglaterra e País de Gales.


A iniciativa é conhecida como "Lei de Clare", em homenagem à Clare Wood, uma mulher que foi morta por seu ex-namorado em fevereiro de 2009, na cidade de Salford.


Ela não sabia que seu ex-namorado, George Appleton, tinha um histórico de violência contra mulheres. Desde então vários ativistas – inclusive a família de Clare Wood – passaram a fazer campanha por uma lei que dê às mulheres acesso aos dados policiais de seus namorados.


A lei deve entrar em vigor na Inglaterra e no País de Gales em março.


A ministra do Interior, Theresa May, fará um discurso nesta segunda-feira no Parlamento britânico, para detalhar a iniciativa.


Ela disse ao jornal The Sun que até agora há "muita confusão" jurídica sobre o tipo de informação que as mulheres têm direito de pedir à polícia sobre seus namorados.


"A lei de Clare dá às pessoas a informação que elas precisam para fugir de uma situação de abuso físico, antes que tudo termine em tragédia", disse a ministra.


"O esquema nacional permitirá que as pessoas possam tomar decisões bem-informadas sobre suas relações e sobre fugir, se necessário."


No ano passado, 88 mulheres foram mortas pelos seus próprios parceiros na Grã-Bretanha, segundo a ministra.


A lei de Clare é inspirada em outra iniciativa, batizada de "lei de Sarah", que envolve o acesso a dados sobre homens suspeitos de pedofilia.


Em um esquema piloto implementado este ano, a lei de Sarah recebeu 315 pedidos de informações sobre possíveis suspeitos de pedofilia. Em 21 dos pedidos, a polícia identificou que a pessoa consultada de fato apresentava algum tipo de risco a crianças.


Notícia publicada na BBC Brasil, em 25 de novembro de 2013.



Humberto Souza de Arruda* comenta


A curiosidade é uma característica dos seres humanos que há séculos ajuda a impulsionar o seu progresso tecnológico. Passamos a ver mais longe com o uso de grandes telescópios, conseguimos ver mais profundamente através das lentes poderosas dos microscópios eletrônicos e da mesma forma com a audição, passamos a escutar sons a quilômetros de distância com uso de microfones cada vez mais sensíveis e seletivos.


Mas o pensamento é uma enorme barreira para a curiosidade humana. É uma área em que a ciência pouco avançou. O que pensamos ainda é bastante privativo. Podemos até fazer algumas associações como condicionar as afeições felizes que uma pessoa expressa com o rosto, a pensamentos felizes. Podemos até supor a natureza dos pensamentos de alguém que conhecemos. Mas não podemos saber o que realmente está pensando.


E nesta temporária limitação de querermos saber o que pensa o nosso próximo, passamos a preferir viver em grupos com afinidades homogêneas, para assim tentarmos ser protegidos por uma uniformidade de pensamento. Se estamos em um grupo que prefere um determinado time de futebol a outro, poderemos compartilhar assuntos simpáticos aos pensamentos que ajudam a moldar a afinidade destes torcedores. Assim, poderemos sugerir que não seria diferente a aplicação desta analogia entre grupos religiosos, políticos, e outros.


Mas graças à proteção que temos pela liberdade de pensamentos em segredo, podemos participar de um outro grupo para conhecer as diferenças que existem em relação ao nosso. Ou usar esta curiosidade para aprender coisas novas. Pois o que realmente pensamos está protegido em nossa privacidade. De outra forma, se fizermos esta investida usando o uniforme que caracteriza o nosso grupo, ficaria muito complicado um resultado produtivo sendo que estaríamos deixando uma suposição de como seria a natureza do nosso pensamento em relação ao local que fomos visitar. Mesmo que pensemos diferente do que está informado no uniforme que usamos.


Já no caso da “Lei de Clare”, passa a ficar pública a ficha do indivíduo que tem um histórico de violência à mulher. Desta forma, as pessoas já saberão que fica descartado um relacionamento com quem tem uma ficha com estas características por uma questão de segurança. É realmente uma informação preciosa se for bem aproveitada. Mas ao mesmo tempo é bastante delicada, pois em uma análise imediatista poderemos rotular o indivíduo ao querermos que este seja isolado e privado de novas oportunidades. Devemos sim nos proteger de possibilidades de risco. Mas com o cuidado de não esquecer para que estamos aqui nesta existência.


É interessante refletirmos em porque e para quê atraímos uma pessoa com histórico de violência para o nosso convívio. Ou, como fomos atraídos para uma pessoa com este perfil. Assim, como se faz importante lembrar da comunicabilidade entre os espíritos nestas situações, se faz útil também, lembrarmos da imortalidade da alma que sempre se renova com as contínuas possibilidades da reencarnação. E graças a uma prova do amor divino, recebemos o esquecimento parcial de outras existências. Se assim não o fosse, como perturbador seria reencontrar um espírito agora em que soubéssemos que em outra existência cometera violência contra mulheres. Será que lhe daríamos uma outra oportunidade? De outra forma, receberíamos outra oportunidade se fossemos nós os agressores no pretérito?


Mas como não podemos também esquecer da Lei do Progresso, entendemos que as Leis de Clare e Sarah que hoje identificam e isolam indivíduos com perturbações violentas em relação à mulher e pedofilia, respectivamente; amanhã incentivará o tratamento destes enfermos assim como prepará-los para se reintegrarem à sociedade.


Esta mudança será uma digna aplicação dos ensinamentos contidos no Capitulo XI do Evangelho Segundo o Espiritismo, de onde podemos tirar o pequeno trecho: “Considerai que sois mais repreensíveis, mais culpados do que aqueles a quem negardes perdão e comiseração, pois, as mais das vezes, eles não conhecem Deus como o conheceis, e muito menos lhes será pedido do que a vós.”


Se aplicarmos as Leis de Clare e Sarah com responsabilidade, além de protegermos a sociedade destes suspeitos, estaremos protegendo estes suspeitos da sociedade. Incluindo-os na sociedade que pratica o amor ao próximo como há milênios nosso Mestre e Amigo Jesus vem nos ensinando.


* Humberto Souza de Arruda é evangelizador, voluntário em Serviço de Promoção Social Espírita (SAPSE) e colaborador do Espiritismo.net.