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Menina mantida em armário por 6 anos nos EUA supera abusos da mãe e do padrasto

30 de dezembro de 2013



Menina mantida em armário por seis anos nos EUA supera, aos poucos, abusos da mãe e do padrasto



Extra


Pela primeira vez em anos, Lauren Kavanaugh deixou os antidepressivos e remédios para transtorno bipolar de lado. Passou a fazer exercícios, a conversar mais e concluiu o ensino médio. Aos 20 anos, a jovem que vive em uma casa de campo na cidade de Canton, no Texas, nos Estados Unidos, parece superar o passado aos poucos. Aos 8 anos de idade, ela foi resgatada pela polícia dentro de um closet onde era mantida desde os 2 anos.


A história é semelhante ao caso que foi noticiado nos últimos dias. Uma mãe na França manteve a filha de 2 anos escondida desde o nascimento, no porta-malas de um carro. A menina foi encontrada por um mecânico, desnutrida e com atrasos intelectuais. A mãe foi presa e o advogado de defesa alegou que a mulher não tinha plena consciência do que havia feito.


No caso de Lauren, não há dúvidas de que a mãe tinha total consciência dos atos. A menina passou seis anos trancada. Durante esse tempo, sofreu abuso sexual, foi maltratada fisicamente e psicologicamente pela própria mãe e pelo padrasto. Quando finalmente foi encontrada, Lauren tinha um retardo mental. Segundo uma matéria especial publicada pelo jornal The Dallas Morning News, aos 8 anos ela não sabia sentar em uma cadeira, segurar um lápis e muito menos conhecia o alfabeto.


- Quando eu comecei a ver Lauren, ela não era sociável, tinha uma depressão crônica, era suicida e se sentia sem esperanças - contou Lindsay Jones, terapeuta da jovem há seis anos. - Hoje, ela está pronta para abraçar o passado. Ela não tem mais vergonha disso. Ela pensa ‘isso aconteceu comigo, mas ainda estou aqui. Sobrevivi e estou prosperando’.


Lauren vive com a mãe adotiva, Sabrina Kavanaugh, e três cachorros. Sabrina e o marido adotaram Lauren ainda bebê, mas foram obrigados a devolvê-la para a mãe biológica, Barbara Atkinson, quando a menina tinha 1 ano e 8 meses. Barbara alegava que havia se arrependido de ter dado a filha para adoção.


Nas mãos de Barbara e de Kenneth Ray Atkinson, ela sofreu durante seis anos, presa em um armário. Quando a policia a encontrou, Lauren estava suja, sentada nas próprias fezes e urina e tinha a boca suja de excrementos. O casal não alimentava a criança, a agredia e a estuprava. Aos 8 anos, Lauren pesava o mesmo que uma criança de 2 anos. Dentro do closet, ela só via um feixe de luz que passava sob a porta.


Blake Strohl, filha mais velha de Barbara e meia-irmã de Lauren, conta que, aos 10 anos, viu a menina machucada em inúmeras ocasiões. Às vezes, tirava a irmã do armário no meio da noite e dava um banho nela. A menina tinha queimaduras de cigarro pelo corpo, manchas de sangue e a vagina inchada.


- Eu sabia que ela precisava de ajuda - disse a jovem, hoje com 23 anos. - Ela conseguia falar comigo, mas era quase como se eu estivesse falando com um bebê.


Ao Dallas Morning News, Blake contou também que a vida sexual da mãe e do padrasto era bastante ativa.


- Eu sabia que eles faziam muito sexo porque podia ouvir, mas não sabia o que estavam fazendo com ela. Eles sempre ligavam música muito alto. Lauren gritava, mas eu sempre pensava que eles estavam batendo nela. Ela gritava demais.


Pelo que fizeram com Lauren, Barbara e Kenneth foram sentenciados à prisão perpétua. Sabrina conseguiu adotar a criança, definitivamente, cerca de um ano após o resgate. Lauren foi libertada aos 8 anos, mas condenada a carregar as lembranças da infância pelo resto da vida.


- Espero um dia ter uma vida normal. É claro que a minha vida nunca foi normal - disse Lauren, em entrevista à publicação. - Eu não quero ser como os meus pais. Esse é o meu foco. Eu tenho medo de virar o que eles eram, porque todos os dias eu sinto isso. Eu tenho aquele raiva dentro de mim como a minha a mãe.


Notícia publicada no Jornal Extra, em 31 de outubro de 2013.



Humberto Souza de Arruda* comenta


Quando sabemos que em uma prisão houve uma violência muito grande a estupradores ou assassinos que são torturados até a morte, não demoramos a aplicarmos, em nossos julgamentos, a Lei de Causa e Efeito.


E também não é raro aplicarmos, inclusive, a Lei de Talião em nossos jugos, como “olho por olho, dente por dente”, pois muitas vezes nos pegamos regredindo moralmente em pensamentos que aceitam com certa naturalidade a violência para apagar uma violência. Como o assassinato de um assassino em série, o estupro praticado por detentos a estuprador e outras atrocidades em nome da educação punitiva.


Mas quando relembramos que a Lei de Causa e Efeito é uma combinação das Leis de Liberdade e da Lei de Justiça, e sabendo que nelas sempre está o Amor de Deus, passamos então a mudar a forma de julgar este irmão infrator.


Até agora falamos de um caso com um adulto sendo vítima, mas, quando a vítima é uma criança de dois anos, fica às vezes difícil lembrarmos dos entendimentos oferecidos pela reencarnação, Lei de Ação e Reação, comunicabilidade dos Espíritos e imortalidade da alma.


Quando, na reencarnação, o Espírito passa a usar uma nova roupagem, um corpo novo e de formas angelicais nos é presenteado para facilitar toda a reaproximação com este conhecido do passado e renovar estas relações. Daí a necessidade de vermos a criança como um Espírito angelical e não como um indivíduo milenar, com defeitos e qualidades próprias, a serem passadas pelo refinamento necessário para chegar à felicidade.


Entretanto, quando este Espírito está criança e o vemos passar por abandono, prisão, violências sexuais e outros graves atentados à saúde mental e espiritual, são de apertar o coração. Se não usarmos da fé raciocinada, abalamos na crença de que o amor de Deus está no controle.


Este controle amoroso de Deus se mostra presente inclusive quando nos é concedido escolher a natureza de nossas provas neste orbe. Certo que devidamente em condições de merecimento para isso. Neste momento, passamos a nos ligar por afinidade aos nossos pais, em especial pela mãe, para juntos conseguirmos cumprir tarefas evolutivas que muitas vezes são comuns aos pais tanto quanto aos filhos.


É importante lembrar que não se reencarna para ser violentado ou outras agressões. Quem comete este tipo de violência, comete por livre-arbítrio. E como trata de uma violência a um espírito que está criança e ainda nem tem as suas atividades psíquicas completas, para discernir sobre o porquê isso está acontecendo com ele, a prova maior é para os próprios pais.


Mesmo porque, neste período, até os sete anos, aproximadamente, o amparo espiritual é maior pelo fato da reencarnação ainda não estar totalmente consolidada, como vemos no livro “Missionários da Luz”, psicografado por Chico Xavier.


Através deste auxílio extra, a pequena Lauren conseguiu forças para suportar esta prova, que diretamente ou indiretamente escolheu. São os Espíritos protetores e familiares que ajudam neste momento de grande dificuldade, pois são muitas formas de violência reunidas para um indivíduo, violência praticada por quem tinha obrigação de proteger. Apesar de não podermos especular sobre o que este espírito fez para passar por esta prova, sabemos que foi a forma que encontrou para superar ou tentar superar um determinado período de suas várias existências.


Entendendo que não é um castigo divino, pois uma inteligência suprema, infinitamente bom e justo, não seria contraditório em punir. Assim, nos deu o livre-arbítrio, que usamos para a nossa conduta e para reprimir o que não conseguimos controlar por amor.


Hoje a Lauren se encontra fortalecida e já em condições de melhor escolher o seu futuro com os exemplos dos caminhos que não devem ser seguidos. Ela conseguirá superar cada vez mais estes percalços que podem ter vindos pela afinidade entre ela e sua mãe. Afinidade que a uniu com sua mãe a partir do planejamento reencarnatório e pode ficar por muito tempo. Aos poucos, irão mudando a faixa vibratória desta união para uma mais elevada, quando futuramente ambas forem entendendo o motivo de terem passado por tudo isso, podendo assim, o mais breve possível, se desejado, parar uma desavença espiritual que pode ter começado há muitas existências vividas.


Oremos por estes espíritos que optaram por violar as Leis Morais que tanto nos ajudam a nos elevar pelo amor, para que futuramente não necessitem ser protagonistas de escândalos tão tristes.


Seja a violência do abandono, abuso sexual, torturas ou violências psicológicas e espirituais, os pais da Lauren precisarão de muito amor e tolerância para conseguirem se elevar ao Pai. Pois os acolhimentos que terão no julgamento dos seus atos através das suas próprias consciências não serão tão brandos quanto o acolhimento espiritual tido pela menina que eles causaram tanta dor, uma vez que ela já está conseguindo perdoar os pais.


* Humberto Souza de Arruda é evangelizador, voluntário em Serviço de Promoção Social Espírita (SAPSE) e colaborador do Espiritismo.net.