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Menina indiana ganha fama como 'encantadora de elefantes'

2 de dezembro de 2013



Menina indiana ganha fama como 'encantadora de elefantes'



Salman Ravi
Da BBC Hindi, na Índia


A menina Nirmala Toppo, de apenas 14 anos, se tornou uma pequena celebridade no leste da Índia, conhecida como uma espécie de "encantadora de elefantes".


Em uma noite de junho, a cidade de Rourkela foi tomada pelo pânico quando uma horda de elefantes invadiu áreas residenciais, vindos de florestas próximas.


As autoridades locais tentaram, sem sucesso, conter a manada.


"Quando (os elefantes) entraram na cidade, fizemos o que pudemos", relembra o guarda florestal PK Dola. "Havia 11 elefantes, incluindo dois filhotes. Conseguimos direcioná-los a um estádio de futebol, mas não sabíamos como levá-los de volta à floresta."


Foi quando as autoridades decidiram recorrer a Nirmala.


"Sabíamos de uma menina camponesa que vivia (na cidade próxima de) Jharkhand, que falava com elefantes. Ligamos para seu pai, e ela veio, acompanhada de outros membros de sua tribo."


Nirmala então caminhou durante quilômetros com os elefantes, levando a manada de volta à floresta.



Dialeto


Nirmala alega conversar com os elefantes no dialeto de sua tribo, Mundaari, e persuadir os animais a "voltar para o lugar deles".


"Primeiro eu rezo e daí falo com a manada", diz ela à BBC Hindi. "Eles entendem o que eu falo. Eu digo: 'Esta não é a casa de vocês. Vocês têm que voltar para seu lugar'."


Nirmala desenvolveu bolhas e infecções nos pés e nas pernas após caminhar horas com os animais e está recebendo tratamento em um hospital local.


Ela conta que sua mãe foi morta por elefantes selvagens e que, por isso, decidiu aprender técnicas para afastá-los de áreas povoadas.


Recebe a ajuda de seu pai e de um grupo de garotos de sua aldeia.


"Nós cercamos a manada, daí eu me aproximo, rezo e falo com eles."



'Tarzã feminina'


Muitos alegam que não há provas científicas de que elefantes selvagens consigam entender humanos.


Outros dizem que algumas tribos convivem há tanto tempo com animais selvagens - entre eles elefantes - que conseguem se entender com eles.


"Em Jharkhand, chamamos Nirmala de 'Tarzã feminina'", diz Niel Justin Beck, membro do conselho distrital local.


"Sempre que elefantes invadem uma aldeia ou destroem colheitas, o departamento florestal local não aparece. Daí os moradores pedem ajuda a Nirmala. E ela consegue afastar os animais falando com eles."


Mais de 3 mil elefantes habitam as florestas de três Estados do leste e centro da Índia, mas a região tem se tornado, na última década, um epicentro de conflitos entre homens e animais selvagens.


Segundo o Ministério de Meio Ambiente e Florestas, mais de 200 elefantes e 800 pessoas foram mortas nesses conflitos em dez anos.


A região é rica em recursos minerais, e a invasão de habitats selvagens - atribuída à mineração e ao avanço das atividades industriais - tem perturbado a migração desses elefantes.


Segundo especialistas, uma insurgência maoísta local complica ainda mais a situação.


Essa insurgência costuma se esconder nas florestas, e confrontos entre rebeldes e tropas de segurança também afetam o habitat natural desses animais.


Notícia publicada na BBC Brasil, em 31 de outubro de 2013.



Claudio Conti* comenta


Todo aquele que interage com animais, especialmente os domésticos, afirmam que se estabelece algum tipo de comunicação e, para isto, é necessário haver algum tipo de inteligência se manifestando no corpo material. Para avaliarmos e compreendermos a possibilidade de tal processo ocorrer, será necessário especificarmos, de alguma forma, a inteligência em questão.


Recorrendo a O Livro dos Espíritos, encontramos, na questão 598, o seguinte:


Após a morte, conserva a alma dos animais a sua individualidade e a consciência de si mesma?


“Conserva sua individualidade; quanto à consciência do seu eu, não. A vida inteligente lhe permanece em estado latente.”


Verificamos que seja o que for que se manifestem nos corpos dos animais possui uma individualidade e, consequentemente, cada um apresentando características particulares. Também se pode perceber que este ser é inteligente, apesar de ainda não se manifestar com toda intensidade.


Recorrendo novamente a O Livro dos Espíritos, na questão 27, Kardec pergunta:


Há então dois elementos gerais do Universo: a matéria e o Espírito?


“Sim e acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade universal.


O que seria, então, o “ser”, a “inteligência em estado latente”, que se manifesta nos corpos dos animais ao qual os Espíritos se referenciaram? Seria Deus? Não, Deus é único. Este “ser” seria então matéria? Não, pois matéria não possui inteligência nem em estado latente. Resta, portanto, o espírito.


Esta proposição é salientada na questão 606:


Donde tiram os animais o princípio inteligente que constitui a alma de natureza especial de que são dotados?


“Do elemento inteligente universal.”


Ponderando a este respeito, e partindo do princípio que Deus não faz coisas inúteis, poderíamos dizer que toda a Criação seria da forma mais racionalizada e otimizada possível.


É difícil concebermos a ideia de um Deus agindo de forma diferente, então, resta a questão: Seria lógico Deus criar uma fonte de inteligência para espíritos humanos e outra fonte para os seres que se manifestam nos corpos de animais? Haveria algum impedimento para os dois surgirem da mesma fonte, terem a mesma origem?


Quando Kardec fez esta pergunta aos Espíritos, se a inteligência do homem e dos animais emanam de um único princípio, eles disseram o seguinte: “Sem dúvida alguma, porém, no homem, passou por uma elaboração que a coloca acima da que existe no animal.”


Os espíritos se comunicam entre si pelo pensamento. Assim, da mesma forma que alguns encarnados apresentam a possibilidade de comunicação direta com os desencarnados em vários graus, o que se denomina de mediunidade, também não deve ser motivo de espanto para o espírita que alguns encarnados apresentem a possibilidade de comunicação mais intensa com os animais, percebendo estes a intenção que lhes é direcionada e, assim, acatando-as.


* Claudio Conti é graduado em Química, mestre e doutor em Engenharia Nuclear e integra o quadro de profissionais do Instituto de Radioproteção e Dosimetria - CNEN. Na área espírita, participa como instrutor em cursos sobre as obras básicas, mediunidade e correlação entre ciência e Espiritismo, é conferencista em palestras e seminários, além de ser médium pscógrafo e psicifônico (principalmente). Detalhes no site www.ccconti.com.